Apesar da obra ainda não ter terminado, começaram a chegar os móveis ao 88: camas, colchões, sofás, espelhos, quadros, candeeiros. E com eles, chegou também a decoradora – simpática e despachada; perguntou-me logo se eu tinha tirado o curso na Ricardo Espírito Santo, claro e queixou-se do pó. Era a minha deixa para lhe perguntar porque é que estava um espaldar de cama colado com silicone a um painel de azulejos, que tanto trabalhinho tinha dado e redado a tratar e que agora está tapado integralmente, mas não tive coragem. Convenhamos que a cama, apesar de parecer em plástico, é de madeira lacada e o painel… bom, não se pode dizer que esteja todo tapado, sempre se vê um bocadinho; eu também já estou a ser mázinha! Enfim, «é um trabalho de paciência!», disse-me ainda a senhora, enquanto me observava a pintar alguns preenchimentos de falhas de vidrado, ao que eu respondi «ele há dias…».

