Tenho andado atrapalhada a fazer testes de cor para passar à fase final da manufactura das 300 réplicas de azulejos em meio-relevo que me foram pedidas para revestir uma pequena fachada em Olhão.
As chacotas estão todas feitas e neste momento mais de metade está já cozida, sendo que as restantes estão ainda em fase de secagem, quase secas. De momento o que me preocupa – mentira; preocupou-me sempre, desde o início do trabalho -, é a fase da vidragem e não estou a falar apenas da obtenção das cores, que já de si também não são assim tão lineares; refiro-me sobretudo à técnica de vidragem, ao modo como deverei aplicar o vidrado sobre a chacota afim de conseguir uma camada vítrea transparente assim tão fluida, e que de certeza não será igual ao processo de fabrico original, visto que estou a falar de azulejos industriais, os quais estou a tentar reproduzir à mão, 300 unidades, um a um, o mais fielmente que conseguir.
Assim sendo, tenho já aqui testes para todos os gostos e feitios; cores mais vibrantes, cores menos vibrantes, vidrados aplicados à trincha, com pincel e com pera de borracha, por mergulho, por mergulho e acabamento a trincha; vidrados sobre vidrados, pigmentos por baixo de vidrados; enfim, uma parafernálea de experiências que servem acima de tudo para criar expectativas e alguma frustração ao abrir o forno, até se ter uma outra ideia, que certamente irá resultar e então, começar tudo do novo.
Para dificultar a coisa tenho comigo apenas um exemplar, quer do padrão, quer do friso, o que me limita o trabalho, pois fico obcecada com a obtenção daquele resultado, tendo a certeza de que se tivesse mais originais comigo também eles variariam entre si.
Isto tudo para dizer que hoje fiz mais um teste que está agora a cozer e cujo resultado vejo amanhã – espero que seja o último, pois o prazo de entrega começa a apertar e tenho de avançar rapidamente para a produção.
