TRANSPARÊNCIAS

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Tenho andado às voltas com as réplicas dos azulejos das Devesas que me pediram para fazer. Já abri as estampilhas das zonas maiores, mas estou aflita com as mais pequenas; são demasiado finas e delicadas e não consigo abrir os motivos – isto já nem com óculos vai lá – por isso acho que os vou pintar à mão, um a um; o que aumenta o trabalho, claro.

Já fiz algumas experiências de cor, do vidrado base e das tintas. Descobri agora que a produção da Fábrica das Devesas se caracteriza por pintar os motivos directamente sobre a chacota e depois aplicar um vidrado transparente por cima – o que tem todo o ar de acontecer neste caso -, mas eu irei pintar normalmente com tinta de alto fogo sobre o vidrado base estanífero; as chacotas industriais que uso são demasiado rosadas para se assemelharem ao tom branco de fundo dado pelas chacotas originais destes azulejos e fazer chacotas manuais agora implicaria muito mais tempo do que aquele que tenho até ter de entregar a encomenda, que é já para a próxima semana. E provavelmente nem se vai dar pela diferença.

FÁBRICA DAS DEVESAS

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Foram-me entregues estes azulejos para eu fazer réplicas.

São datados de 1907 e no tardoz têm a marca da Fábrica das Devesas. São lindos; adoro! E também são pouco comuns – ou então, eu é que ainda não tinha visto nenhum; estes por exemplo, pertencem a um friso do cimo de uma fachada de um prédio em Lisboa, ali para os lados do Castelo.

Tenho de fazer 18 réplicas, 7 topos e 11 centros. E não faço ideia como.

ANO NOVO

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Tenho andado ocupada com papeladas, assuntos pendentes e organização de ideias e projectos para este ano (fica sempre bem dizer isto nesta altura.)

Fazendo o balanço do ano passado, não posso dizer que 2013 tenha sido um ano brilhante, mas, apesar de ter facturado muito pouco ou quase nada, foi um ano em que produzi, investi  e trabalhei imenso; portanto, considero que até foi um ano bom.

Vamos ver como corre 2014. Continuo com algumas ideias que quero concretizar, mas tem de começar a acontecer alguma coisa rapidamente; preciso de ganhar dinheiro, dava-me algum jeito. Para já, já tive um pedido de orçamento, logo a dia 6 de Janeiro – fazer 150 réplicas destes azulejos. Pode nunca acontecer, mas é um bom sinal. Digo eu; que nem sequer sou supersticiosa, nem nada.

CONDE DE ESPICHEL

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Aristocrata lisboeta do séc XVIII.

Apreciador da vida mundana e de gostos requintados, tem tiques de linguagem como «Oh la la!», «Et voilá!» e «Précieux», que está sempre a aplicar.

O famoso Salon Musical et Littéraire, do qual é anfitrião regular, recebendo músicos, poetas e artistas na Chambre Bleu da sua residência de Belém, recostado num leito,ao estilo do século anterior, serve-lhe de refúgio às maneiras rudes da corte portuguesa – uns brutos! – e às intrigas políticas com as quais não se quer envolver.

18 ALCES

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A semana passada fui visitada por um grupo de 18 alces bem-dispostos, apenas de passagem aqui na oficina para um cumprimento e um copo de água, antes de seguirem caminho para as suas casas. Estavam com pressa, o que até me deu bastante jeito – não tinha muito tempo para eles.

II ENCONTRO DE PATRIMÓNIO AZULEJAR

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Na semana passada estive presente no II Encontro de Património Azulejar, sob o tema Azulejo:HOJE, realizado pela Câmara Municipal de Lisboa no âmbito do PISAL – Programa de Investigação e Salvaguarda do Azulejo de Lisboa.

Na sexta-feira, 6 de Dezembro, integrada no Painel Conservação, apresentei uma pequena palestra cujo resumo aqui deixo:

«Conservação de fachadas azulejadas – Questões a colocar:Hoje.

Tomando como ponto de partida o tema do II Encontro de Património Azulejar – Lisboa,
azulejo: Hoje –, coincidente com o pedido que me foi efectuado recentemente para a
intervenção de conservação e restauro da fachada azulejada de um edifício em Alcântara,
o objectivo desta comunicação é, mais do que apresentar patologias existentes e factores
de degradação naturais comuns na azulejaria de exterior e respectiva sistematização de
tratamento, chamar a atenção para o caso dos elementos apostos às fachadas em geral e
as suas consequências sobre os azulejos nas fachadas azulejadas em particular,
colocando e deixando em aberto questões relativas a metodologias de actuação – até
onde e de que forma o técnico pode actuar, intervir e sensibilizar -, principalmente nos
edifícios particulares em que esses mesmos elementos não sejam removidos, colocando
em causa o sentido da própria intervenção de conservação e restauro onde a integridade
original do conjunto azulejar não é devolvida totalmente.»

Como elementos apostos quero dizer aparelhos de ar condicionado, toldos, cablagem diversa, cartazes e uma infinidade de outros objectos que se podem ver colocados sobre os azulejos das fachadas e que subvertem não só a lógica construtiva dos próprios edifícios como também – para além de colocar em causa a sua conservação – a lógica própria dos conjuntos azulejares semi-indústriais de fins do séc XIX inícios de séc XX, efectuados especificamente para revestimento de fachadas dessa época e que têm grande responsabilidade no que diz respeito à beleza da cidade de Lisboa.

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UMA SARDINHA NO INVERNO

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Há dois anos concorri ao concurso «A sardinha é minha!», da EGEAC, com dois desenhos de duas sardinhas, pintados à mão e ambos baseados na azulejaria tradicional portuguesa. Nenhuma delas ganhou nenhum dos três primeiros lugares – serem a cara dos cartazes das Festas de Lisboa desse ano -; uma nem sequer foi seleccionada, mas a outra acabou por ficar dentro das 150 finalistas e integrar a exposição que foi feita nessa altura. Fiquei satisfeita.

Nunca mais liguei nenhuma a estas sardinhas. Na verdade, nem a estas nem a outras; não tenciono concorrer de novo e para mim este tema estava encerrado. Isso até aqui há uns dias, quando sou contactada de novo pela EGEAC que me comunica que eu – ou melhor, a minha sardinha – tinha sido seleccionada pela Fábrica de Cerâmica Rafael Bordallo Pinheiro para ser integrada numa colecção de 20 sardinhas em porcelana que eles pretendem fazer. Isto, se eu estivesse interessada, claro e se o meu desenho for adaptável à sardinha protótipo deles.

É o que estou a fazer agora; a adaptar o desenho. Com as mãos geladas e o pingo no nariz; a pensar no calor de Junho, com bailarico e cheiro a sardinha assada.

PRODUÇÃO NATALÍCIA – PARTE II

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Faz agora um ano que andei em grande produção de peças para vender numa feirinha de Natal; fiz essencialmente pequenas decorações alusivas à época, baratinhas; que pensei terem saída como decoração para uso próprio ou como lembranças simbólicas numa altura em que é suposto as pessoas alargarem os cordões à bolsa e gastarem, gastarem – mesmo não se estando em época de vacas gordas.

Faz agora um ano que não sei o que é que me deu e desatei a fazer estrelas, sinos, bolas e árvores de Natal como se não houvesse amanhã; todos feitos à mão, um a um; seriam quantos, aí uns trezentos? Sei lá; todos únicos; safa!, de tal maneira que apesar de até ter vendido bem, ainda me sobraram uma data deles que agora estão ali guardados dentro de uma caixa, à espera de terem uma nova oportunidade este ano ou outro qualquer – que isto do Natal, até ver, é uma coisa que se repete por esta altura.

O que não me sobrou do ano passado foi nenhum alce – sem dúvida, o sucesso da minha produção natalícia 2013. Apesar de não me apanharem mais em nenhuma feirinha deste género este ano, estou a fazê-los de novo; pelo sim, pelo não. Mas com calma, apenas uma pequena manada de vinte.

FACHADA AZULEJADA

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Mais um pedido de orçamento para fazer, desta vez para a manufactura de cerca de 260 unidades, entre padronagem e cercadura, de réplicas destes azulejos de estampilha – lindos! – que infelizmente já faltam e continuam a desaparecer numa fachada de um edifício no centro de Lisboa.

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LENA

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Há cerca de duas semanas tivemos o gosto de ter aqui na oficina, por três dias, a presença da Lena Kuhn, uma menina alemã de 17 anos, muito simpática e interessada, que curiosamente – e escolhido por ela – está a fazer um trabalho escolar sobre a azulejaria portuguesa no âmbito do seu 12º ano.

Há uns meses fui contactada pelo pai da Lena no sentido de se poder preparar esta sua vinda a Lisboa, não só para falar comigo, como também para conhecer a oficina e principalmente para meter a mão na massa e experimentar pintar alguns azulejos – perceber o que é isso do vidrado crú, do estregido e das tintas de alto fogo. Para além de toda a parte escrita do trabalho, claro está; sobre os diferentes períodos e tipologias dos azulejos tradicionais portugueses.

Ficaram a faltar-lhe fazer várias coisas; chacotas manuais, por exemplo. Mas talvez a tenhamos por cá na próxima primavera.