JOSÉ MARIA DA FONSECA

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Ontem fui a Vila Nogueira de Azeitão, às caves dos vinhos produzidos pela José Maria da Fonseca – contactei-os aqui há uns tempos no sentido de lhes mostrar um baixo-relevo que fiz, em barro refractário, baseado na azulejaria relevada do séc. XVI.

Tenho tido estas peças guardadas, sem saber bem o que lhes fazer; quando fiz o protótipo original estava a pensar em lojas ligadas ao património, mas na altura, o então IGESPAR recusou-as, uma vez que elas não se referiam a nenhum dos monumentos sob a sua alçada – como as outras que lá tenho  – e elas ali ficaram, guardadas, à espera de qualquer coisa que fizesse sentido.

Ontem fui entregar 10 unidades à Loja de Vinhos da José Maria da Fonseca. Parece-me fazer todo o sentido que um apreciador de vinho ofereça ou receba uma boa garrafa de vinho juntamente com uma peça alusiva ao mesmo tema.

Mas isto digo eu, que não percebo nada do assunto.

BAIXO FOGO

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Novamente às voltas com mais experiências de cor; desta vez quero conseguir fazer vidrados opacos, de baixo fogo, e que resultam por sobreposição de tons – ando aqui com umas ideias para fazer azulejos. A questão, para já, é descobrir se tenho de trabalhar com mais ou menos transparências ou se os vidrados, em crú, se aplicam mais espessos ou mais finos. Muito para trabalhar e muito para aprender ainda. Mas vou no bom caminho.

CERÂMICA MURAL

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Sexta-feira passada chegou-me mais um pedido para fazer um orçamento; desta vez tratam-se de dois painéis cerâmicos compostos por lajes em tijoleira, com o interior vidrado e pintado e que ladeiam a entrada de um edifício dos anos 50/60, em Lisboa. O autor é desconhecido – pelo menos para mim, que não encontrei nenhum vestígio da sua assinatura, nem nenhuma data de execução.

 

POLÍCROMOS

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Continuam-me a chegar pedidos para fazer orçamentos de intervenções de conservação e restauro de azulejos – não percebo o que é que aconteceu de repente. Na verdade, fazer orçamentos não significa ter trabalho, a maior parte das vezes perde-se tempo em vão e depois a esperança – primeiro, a de receber apenas a resposta «Obrigado.» e mais tarde, a de conseguir o próprio trabalho.

Hoje fui ver (com olhos de ver, porque já conhecia) o conjunto azulejar do Mercado da Ribeira, em Lisboa. Aguardemos o que vai acontecer.

PARRAS E UVAS

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Estive a tirar algumas provas desta placa relevada que fiz, há uns bons anos, em barro refractário – a primeira de todas, aquela que me fez começar a dedicar-me mais à cerâmica, como complemento aos trabalhos (ou à falta deles) de conservação e restauro de azulejos. Na altura a ideia era tentar vendê-la na loja do Mosteiro dos Jerónimos, o que veio a acontecer com outras peças que tenho dentro do mesmo género, baseadas nos seus claustros e que dão a ideia de baixos-relevos em pedra; mas esta nunca foi aceite pelo então IGESPAR, por não ser baseada em nenhum dos monumentos sob a sua égide.

De modo que cá ficaram guardadas uma série delas, em stock, à espera de eu me decidir sobre o que faria com elas.

Decidi-me agora, assim de repente. Há uma ou duas semanas – fez-se-me luz. E 10 unidades estão já encaminhadas para uma loja muito especial, que as aceitou ter à venda, à experiência e com a qual têm tudo a ver. Estou muito satisfeita!

LEVANTAMENTO DE AZULEJOS

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Na semana passada estive ocupada com um pequeno trabalho de levantamento dos silhares de azulejos das paredes Norte, Este e Sul da sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa. Os silhares encontravam-se em mau estado de conservação, com muitos vestígios de intervenções anteriores: inúmeros azulejos não pertencentes nem àquele conjunto nem àquela época; superfícies de junta fechadas com cimento, azulejos assentes em cimento, claro está e ainda inúmeras falhas de vidrado e fracturas simples e múltiplas. Para agravar a situação, a forte presença de humidade nas paredes, que se faz sentir em toda a sala (não nos podemos esquecer que a antiga Ribeira de Arroios passa ali por baixo, a poucos metros de profundidade) e visível nas argamassas de assentamento principalmente da parede Este, que se encontravam encharcadas, tal como o corpo cerâmico dos azulejos aí existentes.

De qualquer modo, a intervenção pedida – o levantamento dos azulejos, originais do séc. XVIII – está concluída.

Os azulejos foram retirados da parede, os seus tardozes foram limpos superficialmente, na medida do possível – muitos apresentavam argamassas demasiado carbonatadas ou argamassas à base de cimento, o que em ambos os casos significa quase o mesmo; ou seja, um elevado grau de dureza -, as fracturas foram coladas provisoriamente, apenas para que os fragmentos não se percam e por fim os azulejos foram acondicionados em caixas de plástico até que a sacristia sofra todas as obras que precisa e se decida o que fazer com eles. Mas para já, estão a salvo.

ÚNICA

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Está pronta e prestes a ser entregue a peça única que fiz, em cerâmica. Trata-se de uma floreira, ou jarra – não sei bem; mas dá para meter flores – baseada numa primeira, dentro do mesmo género, que fiz já há algum tempo e que está na loja A Roda da Fortuna, em Évora. Tal como a outra, esta peça é feita em barro refractário, mas agora resolvi aplicar também alguns engobes, óxidos e vidrados de alto fogo.  E fiquei satisfeita com o resultado.

1260ºC

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Preparo-me para fazer uma fornada de vidrados de alto fogo, a 1260º. Aproveitando a deixa de ter de cozer a peça que me encomendaram, vão na mesma fornada algumas taças setecentistas – finalmente! – e também os vasos para ervas aromáticas, que tenho curiosidade em ver como ficam. Resultados depois de amanhã.

ERVAS-DE-CHEIRO

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Finalmente decidi-me a fazer alguma coisa com as peças cilíndricas em barro refractário que fiz quase há três meses e que ali ficaram a secar – literalmente – desde então, enquanto fui pensando que volta lhes havia de dar. Se já tinha chegado à conclusão que seriam uns vasos para plantas – até lhes fiz um furo -, estava muito indecisa quanto à sua decoração e confesso que esta solução estava longe de ser a prevista inicialmente. Acontece que o meu método de trabalho é bastante particular e depois de andar este tempo todo a pensar numa coisa – que não me convencia – acabei por fazer outra totalmente diferente – que ainda não sei se me convence; mas pronto, agora já está. Se resultar, serão uns vasinhos de interior para meter ervas-de-cheiro.

FLOREIRA

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Tenho estado a trabalhar numa encomenda que me fizeram ainda antes do verão e que só agora é que tive disponibilidade para começar. É uma floreira; ou uma jarra – não sei bem como lhe chamar – em barro refractário, baseada numa outra que fiz há dois ou três anos, numa altura em que isto do alto fogo ainda era um mistério muito maior do que é agora. Como é uma peça única, acho que me entusiasmei e saiu-me um pouco maior do que estava a pensar – espero que não haja problema. Amanhã estará no ponto perfeito para aperfeiçoar os últimos detalhes e depois é esperar que seque.