SETEMBRO

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Estive mais uma vez em mudanças aqui na oficina, mas agora grandes e mais elaboradas. A ideia, que já vinha de há muito tempo, era rentabilizar a zona de trabalho mantendo aproximadamente a mesma área de ocupação. A coisa não era fácil, pois para além de arrumação junto às paredes, precisava ainda de uma zona central onde estivessem as bancadas, a mesa de lastras e ainda um armário óptimo, com tampo de pedra e que nem sequer aqui estava antes, mas do qual não quero abrir mão. Enfim, basicamente tratava-se de meter o Rossio na Rua da Betesga e se ficasse funcional – convinha que -, seria ainda melhor.

Durante cerca de três dias fartei-me de fazer esboços, tirar medidas, riscar o chão, pensar, pensar, tirar novas medidas e as mesmas outra vez; pensar dia e noite (que neste tipo de coisas não consigo desligar); até que finalmente encontrei a solução – e foi a mais óbvia, a mais simples e a mais brilhante, a melhor de todas, apesar de não ter sido simples chegar a ela.

Fiquei tão entusiasmada que, apesar de ser tudo pesadíssimo, resolvi tentar ver se conseguia mudar sózinha as coisas de um lado para o outro – impossível estar à espera da ajuda de alguém! Primeiro: a bancada em L. Ok, não era assim tãão pesada, só comprida e mal jeitosa e tinha mesmo de ser desencostada da parede e ir para o meio da sala, portanto puxa deste lado, arrasta daquele; empurra daqui outra vez, repete tudo de novo. Boa. Segundo: o forno grande; aí umas quatro vezes o meu peso – mas com rodas, o que sempre facilita. Puxei com toda a força uma das pernas, mas não se mexeu. Depois empurrei-o directamente com as costas, mas pouco adiantou. A seguir fiquei a olhar para ele durante algum tempo e a suar em bica. E depois, nem sei bem como, lá o fui puxando e empurrando aos poucos, esquerda, direita, esquerda, direita, sempre aos ésses pequeninos até o meter no canto da janela. Boa! O mais difícil já estava. Terceiro: o taipal, de madeira maciça; depois do forno grande parecia uma pena e arrastá-lo para a parede oposta foi facílimo. E depois tudo o resto; estantes, material de enforna, caixas com barro e com isto e com aquilo, pacotes de vidrado, tudo arrumadinho.

Finalmente veio a minha amiga Paula Hespanha mais a sua maquinaria e grande técnica de serralheira mecânica e muito prontamente transformou-me a bancada em L; cortando o ferro aqui, soldando esta perna ali e já agora mais esta ainda ali – para ficar mais resistente.

A oficina parece outra. Ainda falta mudar o tal armário preto, com tampo em pedra, mas não há pressa. De repente fiquei cheia de vontade de começar a trabalhar.

OLARTE

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Entreguei hoje os azulejos relevados que me tinham pedido para restaurar, “se possível, para dia 5, por favor”.

Descobri há pouco tempo que estes e muitos outros igualmente bonitos foram feitos na Olarte, uma oficina que funcionava em Aveiro durante os anos 70 e 80 e que até à data eu nunca tinha ouvido falar; mas que desde já é alvo da minha inveja – um dia também quero vir a ter uma oficina assim.

Obrigada pela dica, Cerâmica Modernista de Portugal.

TARDOZ.PT

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Entre outras coisas, andei estes últimos tempos bastante ocupada com o site da Tardoz – seleccionar e carregar conteúdos, pensar em formatos, redimensionar fotografias, escrever textos em português e inglês, pensar, pensar, pensar. Apagar e fazer tudo de novo, de outra maneira.

Finalmente foi lançado; agora a Tardoz já tem um site. Pode ser visto aqui.

Para já, está assim – senão nunca mais. Com o tempo tenciono ir carregando mais informação, escrevendo novos textos e legendas mais inspiradas.

Obrigada à Cris e ao Pedro Sol.

BAIXO FOGO

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Novamente às voltas com mais experiências de cor; desta vez quero conseguir fazer vidrados opacos, de baixo fogo, e que resultam por sobreposição de tons – ando aqui com umas ideias para fazer azulejos. A questão, para já, é descobrir se tenho de trabalhar com mais ou menos transparências ou se os vidrados, em crú, se aplicam mais espessos ou mais finos. Muito para trabalhar e muito para aprender ainda. Mas vou no bom caminho.

AZULEJARIA CONTEMPORÂNEA

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Começo a ver os primeiros resultados dos azulejos da nova produção que tenho andado a fazer desde Janeiro – com algumas pausas, claro. O percurso feito até agora já serviu para tirar algumas conclusões; alguns moldes têm de ser aperfeiçoados e muito provavelmente irei abandonar a faiança. Chateia-me ligeiramente só aos poucos ter dado por isto, mas por outro lado, mais uma vez percebo que é preciso seguir por um caminho para vermos que nos enganámos – o que de outra forma não seria possível. Para já estou satisfeita q.b. com os resultados, mas a coisa pode ainda melhorar.  E ainda vou mais do que a tempo.

AVISO

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Ontem veio cá um rapaz da vizinhança bater à porta da oficina, a perguntar se pintávamos azulejos. Queria um azulejo com 10x10cm, ou talvez 20x20cm, ou o melhor, se calhar, seria até 15x15cm, a dizer «cuidado com o cão perigoso e depois, em baixo, raça pit bull; tenho que dizer a raça, é obrigatório» para meter lá no jardim, ou à porta de casa – não percebi bem. Eu disse-lhe que sim, com certeza, é o meu trabalho.

– E quando é que está pronto?

-Penso que na quinta já deve estar pronto, eu hoje vou fazer uma fornada de vidrados e aproveito para meter o seu azulejo. Bom, o melhor é apontar para sexta.

-Ok, então passo por cá na sexta. Adeus.

– Adeus.

Hoje pintei-lhe o azulejo; nem lhe perguntei se queria alguma cor em especial, portanto ficou a azul e branco, o clássico. Na verdade não aproveitei a tal fornada, que cozia a uma temperatura um pouco mais alta e depois a tinta de alto fogo desapareceria – e eu quero que a coisa fique bem, sempre é uma encomenda, praticamente o primeiro trabalho deste ano. E na sexta vai estar pronto.

ENCOMENDA

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Aqui há uns dias pediram-me um orçamento para executar um painel cerâmico segundo um projecto específico. Trata-se de um painel com características diferentes das habituais: a superfície será curva e por isso as peças cerâmicas – azulejos? – num total de 48, estão divididas por 4 tipologias de tamanhos diferentes, todas de grandes dimensões.  Para fazer o orçamento  e conseguir visualizar a coisa, optei por simular uma das peças – a da série maior, com 22x20x23cm – uma vez que tudo isto é novo para mim e tenho de quantificar bem todos os pormenores referentes à execução: tempos necessários para a manufactura, controles de secagem, coeficientes de retracção, nº de fornadas, vidrados, quantidades de materiais, impressão dos desenhos e embalagem. Trata-se de um desafio que tenho todo o gosto em aceitar; são este tipo de trabalhos que me permitem pôr à prova os conhecimentos que já tenho  e também aprender coisas novas – assim a encomenda vá para a frente.

CAMINHO

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Finalmente estão secas as primeiras provas da nova produção azulejar que comecei a fazer este ano. O tempo passa mais depressa do que eu gostaria e às vezes queria que o trabalho aqui da oficina andasse ao mesmo ritmo que ele, embora repita constantemente para mim mesma – e a experiência faz-mo sempre ver – que depressa e bem não há quem. Fazendo o balanço deste ano, agora que estamos em Junho e tendo em conta que ainda não fui contratada para prestar nenhum serviço desde Janeiro e também que tenho trabalhado imenso em duas produções cerâmicas distintas e lido imenso e feito imensas experiências e aprendido bastante; posso dizer que estou satisfeita.

Já consigo ver alguns caminhos; ideias não me faltam, assim vá a coisa devagar.

SECOS

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Voltei à minha produção de azulejaria contemporânea , que entretanto ficou parada há uns tempos – antes de eu ir duas semanas para Marrocos e ainda antes de ter começado a fazer novas peças em barro refractário para a loja «A roda da fortuna», em Évora e ainda as experiências de vidrados de alta e baixa temperatura e de pastas coradas e engobes e também os azulejos para a mãe da minha amiga Júlia.

Ia no 8º ou 9º protótipo, não me lembro bem; mas sei que estava muito entusiasmada com a produção – a qual estava a ser chamada de 2013, à falta de nome melhor -, quando decidi fazer uma pausa na criação artística e começar a tirar várias provas de cada exemplar. Neste momento tenho ainda pouca coisa e nada acabada: uns três ou quatro de uns quantos, nenhuns de outros e alguns empenados, que vão já fora, resultado de uma secagem desatenta – para não dizer sem atenção nenhuma; para ali ficaram a secar como queriam enquanto eu estive fora.

Vou tirar pelo menos 16 exemplares de cada um, quero formar pequenos conjuntos para fotografar para o catálogo – e acho que chegam; não me apetece ficar com a oficina cheia de material armazenado. E depois recomeço a fazer os protótipos novos.

2011 – CENTENÁRIO DA FCUL

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Hoje fui à inauguração do painel de azulejos que nos encomendaram para assinalar o centenário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e que se encontra no edifício do C8, na parede em frente à biblioteca. A cerimónia teve pompa e circunstância – foi descerrada uma placa alusiva ao painel e houve ramos de flores para a Ana Baliza, a autora e para as executantes do trabalho, eu e a Margarida. Estou bastante satisfeita com o resultado e parece-me que eles também.

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