Estive mais uma vez em mudanças aqui na oficina, mas agora grandes e mais elaboradas. A ideia, que já vinha de há muito tempo, era rentabilizar a zona de trabalho mantendo aproximadamente a mesma área de ocupação. A coisa não era fácil, pois para além de arrumação junto às paredes, precisava ainda de uma zona central onde estivessem as bancadas, a mesa de lastras e ainda um armário óptimo, com tampo de pedra e que nem sequer aqui estava antes, mas do qual não quero abrir mão. Enfim, basicamente tratava-se de meter o Rossio na Rua da Betesga e se ficasse funcional – convinha que -, seria ainda melhor.
Durante cerca de três dias fartei-me de fazer esboços, tirar medidas, riscar o chão, pensar, pensar, tirar novas medidas e as mesmas outra vez; pensar dia e noite (que neste tipo de coisas não consigo desligar); até que finalmente encontrei a solução – e foi a mais óbvia, a mais simples e a mais brilhante, a melhor de todas, apesar de não ter sido simples chegar a ela.
Fiquei tão entusiasmada que, apesar de ser tudo pesadíssimo, resolvi tentar ver se conseguia mudar sózinha as coisas de um lado para o outro – impossível estar à espera da ajuda de alguém! Primeiro: a bancada em L. Ok, não era assim tãão pesada, só comprida e mal jeitosa e tinha mesmo de ser desencostada da parede e ir para o meio da sala, portanto puxa deste lado, arrasta daquele; empurra daqui outra vez, repete tudo de novo. Boa. Segundo: o forno grande; aí umas quatro vezes o meu peso – mas com rodas, o que sempre facilita. Puxei com toda a força uma das pernas, mas não se mexeu. Depois empurrei-o directamente com as costas, mas pouco adiantou. A seguir fiquei a olhar para ele durante algum tempo e a suar em bica. E depois, nem sei bem como, lá o fui puxando e empurrando aos poucos, esquerda, direita, esquerda, direita, sempre aos ésses pequeninos até o meter no canto da janela. Boa! O mais difícil já estava. Terceiro: o taipal, de madeira maciça; depois do forno grande parecia uma pena e arrastá-lo para a parede oposta foi facílimo. E depois tudo o resto; estantes, material de enforna, caixas com barro e com isto e com aquilo, pacotes de vidrado, tudo arrumadinho.
Finalmente veio a minha amiga Paula Hespanha mais a sua maquinaria e grande técnica de serralheira mecânica e muito prontamente transformou-me a bancada em L; cortando o ferro aqui, soldando esta perna ali e já agora mais esta ainda ali – para ficar mais resistente.
A oficina parece outra. Ainda falta mudar o tal armário preto, com tampo em pedra, mas não há pressa. De repente fiquei cheia de vontade de começar a trabalhar.











