12

Acabei a encomenda de 12 balaústres em terracota que me pediram para colmatar as lacunas de uma balaustrada de um pequeno jardim particular em Lisboa.

Não estão perfeitos, perfeitos; mas tendo em conta que foi a primeira vez que fiz réplicas de balaústres e trabalhei com lastras em vez de barbotina, até estou satisfeita com o resultado – e depois de pintados, juntamente com os originais, acho que nem se vai dar por eles.

 

BISCOITAS MILHAS

Coisas giras que acontecem: as minhas taças, cheias de Biscoitas Milhas, uns docinhos tradicionais de Valença, fotografadas pelo Gonçalo Barriga para o livro “A Doçaria Portuguesa – Norte”, da autoria da Cristina Castro. Assim de repente, estas Biscoitas Milhas parecem línguas-de-gato, mas segundo a autora, não têm nada a ver.

Confesso que nunca tinha ouvido falar desta guloseima, mas enfim; esta lacuna é só uma pequena parte da minha ignorância em matéria de doces tradicionais, uma vez que afinal também há os papudos, os sardões, as passarinhas e outros com nomes tão ou mais curiosos e que podem ser encontrados aqui!

 

CINCO

Devagar e com alguma calma, tenho andado a fazer os balaústres em terracota que me pediram para colmatar os doze que faltam numa balaustrada existente num pequeno jardim particular em Lisboa. Estou cada vez mais convencida que ando a trabalhar pelo processo mais moroso e difícil, mas a verdade é que desta forma isto também resulta – e cinco deles vão já esta noite a enchacotar.

MEIO BALAÚSTRE

Assim à vista e depois de alguns cálculos, acabei de modelar meio balaústre que me irá servir de base para a execução de 12 unidades que estão em falta numa balaustrada num pequeno jardim aqui no centro de Lisboa.

Tenho a noção de que estou a fazer isto da maneira mais difícil – mais valia modelar um balaústre inteiro, na roda ou por columbinas e depois tirar um molde de dois tacelos, que poderia ser cheio com barbotina e seria um instantinho – mas pronto; não trabalho com barbotina, não tenho ideia nenhuma de quanto é a sua retracção e como sempre, há alguma pressa na obtenção das peças o que não me permite estar agora a perder tempo com testes e provas antes de executar as peças.

Por isso, vou jogar pelo seguro e fazer como sei – faço um molde de um só tacelo e vou tirando meio balaústre de cada vez e depois colo uma metade com a outra. É mais moroso, sim; mas são só doze peças, não há-de demorar nenhuma eternidade.

CASA PARAÍSO

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Comecei o ano com mais uma encomenda terminada; na verdade, a última do ano passado – um pequeno painel de azulejos que fiz para o Rui Árias Ribeiro, da Iniciação à Genealogia    e que vai para a Casa Paraíso, uma pequena quinta no Alentejo.

O painel representa a árvore genealógica da D. Maria Serafina – aparecem não só os seus antepassados, como também os seus três filhos. No total são 18 pessoas, divididas por 5 gerações diferentes e organizar toda esta gente dentro de um esquema lógico que se adapte a um painel de azulejos, de modo a que nenhum nome coincida com nenhuma junta, ainda me deu algum trabalho, mas finalmente lá consegui chegar a alguma conclusão.

Agora que tenho alguma experiência, imagino que para a próxima seja mais fácil.

AZULEJINHOS

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Comecei a trabalhar numa nova encomenda que me fizeram há coisa de um mês – uma nova série de azulejinhos totalmente manuais, com 7x7cm cada, que vão ser oferecidos como lembranças de casamento. Cada um deles vai ser pintado com estampilha, de acordo com o motivo que me foi entregue e as cores escolhidas aqui na oficina – 30 verdes, 30 azuis, 30 amarelos, 30 vermelhos e 30 castanhos. 150 no total.

ROSA DOS VENTOS

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Saiu hoje do forno o pequeno painel cerâmico com uma Rosa dos Ventos que fiz em estilo alicatado e que já tinha falado antes aqui.

Cada peça foi cortada à medida, vidrada com uma cor diferente e pintada à mão com o nome de cada vento – de acordo com o projecto que me foi dado.

Está pronto a ser entregue e a seguir directamente para um terraço em Castelo de Vide.

ALICATADO

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Entre a manufactura de fragmentos cerâmicos, a elaboração de desenhos, a preparação de três ou quatro vidrados brancos com tonalidades diferentes e a pintura de réplicas para os painéis do Museu do Azulejo, tenho andado também a trabalhar – muuuuito devagarinho – neste projecto que me foi encomendado em pleno Agosto, o qual avisei desde logo que iria demorar até estar pronto.

Trata-se de um pequeno painel cerâmico com 30x30cm que propus fazer em alicatado; técnica que remonta aos séculos XVI e XVII e que consiste em agrupar pedaços de ceramica vidrada, cortados com diferentes tamanhos e formas, sendo que cada pedaço  é monocromático e faz parte de um conjunto de várias cores, mais ou menos complexo – neste caso, forma uma Rosa dos Ventos.

Neste momento tenho todas as peças cortadas e após algumas experiências, os vidrados também já estão escolhidos – foi-me dada inteira liberdade com os tons, desde que seguisse  as cores do desenho original. Agora falta vidrar peça a peça e depois pintar em cada uma o nome de cada vento. E depois cozer e esperar que corra tudo bem.

Estou contente; é giro este projecto – e finalmente entendi o significado de Tramontana.

BERTINA LOPES

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Não sei o que é que se passa, mas este ano continuam a chegar-me às mãos alguns trabalhos engraçados e diferentes daqueles que estou habituada a fazer.

Comecei hoje a trabalhar na procura de cores para os vidrados que preciso de fazer para alguns azulejos que faltam em três pequenos painéis da autoria da Bertina Lopes, pintora e escultora Moçambicana que, confesso, até à data nunca tinha ouvido falar.

E fiquei agora mesmo a saber aqui que, nos anos 60, teve uma bolsa de estudo para estudar cerâmica com o grande mestre Querubim Lapa – que por acaso também foi meu professor.

VIDRADOS BAIXO-FOGO

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Tenho andado ocupada a fazer novas cores para vidrados de baixo-fogo – recebi uma encomenda para produzir uns azulejos para forrar a bancada de uma cozinha. A ideia é criar um padrão enxaquetado, com quatro cores diferentes,  que depois será colocado a meio-viés – vou usar azulejos de 11x11cm, para tirar maior partido do xadrez, uma vez que a superfície da bancada não é muito grande.

As chacotas serão manuais e irregulares e os vidrados também – estou muito curiosa para ver os resultados.