FECHOS DE ABÓBADA

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Já não me lembrava destes fechos de abóbada em barro refractário que fiz há bastante tempo para a loja do Mosteiro dos Jerónimos – na verdade,  foi de lá que me perguntaram por eles, que “até se vendiam bastante bem”. Acho estranho não me lembrar deste pormenor/maior – mas se eles o dizem, eu acredito e não perco nada em confirmar. Para já, vinte a aguardar secagem.

GEOMETRIA

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Decidi retomar o meu antigo projecto de construção de Relógios de Sol em barro refractário, começado talvez há uns três anos e abandonado pouco tempo depois – umas e outras coisas que se foram metendo pelo meio e também algumas dificuldades técnicas não só com o gnómon, mas também com o facto de na altura ter criado dois tipos de mostradores horizontais quando queria era mostradores verticais. Baralhei-me, pronto e na altura aquilo chateou-me.

Bom, retomei então o projecto; decidi ver as coisas pelo lado positivo: pelo menos já tenho dois modelos horizontais. E mais algumas ideias para os verticais. Continuo ainda a ter de resolver a questão do gnómon e a de compreender geometria.

SETEMBRO

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Estive mais uma vez em mudanças aqui na oficina, mas agora grandes e mais elaboradas. A ideia, que já vinha de há muito tempo, era rentabilizar a zona de trabalho mantendo aproximadamente a mesma área de ocupação. A coisa não era fácil, pois para além de arrumação junto às paredes, precisava ainda de uma zona central onde estivessem as bancadas, a mesa de lastras e ainda um armário óptimo, com tampo de pedra e que nem sequer aqui estava antes, mas do qual não quero abrir mão. Enfim, basicamente tratava-se de meter o Rossio na Rua da Betesga e se ficasse funcional – convinha que -, seria ainda melhor.

Durante cerca de três dias fartei-me de fazer esboços, tirar medidas, riscar o chão, pensar, pensar, tirar novas medidas e as mesmas outra vez; pensar dia e noite (que neste tipo de coisas não consigo desligar); até que finalmente encontrei a solução – e foi a mais óbvia, a mais simples e a mais brilhante, a melhor de todas, apesar de não ter sido simples chegar a ela.

Fiquei tão entusiasmada que, apesar de ser tudo pesadíssimo, resolvi tentar ver se conseguia mudar sózinha as coisas de um lado para o outro – impossível estar à espera da ajuda de alguém! Primeiro: a bancada em L. Ok, não era assim tãão pesada, só comprida e mal jeitosa e tinha mesmo de ser desencostada da parede e ir para o meio da sala, portanto puxa deste lado, arrasta daquele; empurra daqui outra vez, repete tudo de novo. Boa. Segundo: o forno grande; aí umas quatro vezes o meu peso – mas com rodas, o que sempre facilita. Puxei com toda a força uma das pernas, mas não se mexeu. Depois empurrei-o directamente com as costas, mas pouco adiantou. A seguir fiquei a olhar para ele durante algum tempo e a suar em bica. E depois, nem sei bem como, lá o fui puxando e empurrando aos poucos, esquerda, direita, esquerda, direita, sempre aos ésses pequeninos até o meter no canto da janela. Boa! O mais difícil já estava. Terceiro: o taipal, de madeira maciça; depois do forno grande parecia uma pena e arrastá-lo para a parede oposta foi facílimo. E depois tudo o resto; estantes, material de enforna, caixas com barro e com isto e com aquilo, pacotes de vidrado, tudo arrumadinho.

Finalmente veio a minha amiga Paula Hespanha mais a sua maquinaria e grande técnica de serralheira mecânica e muito prontamente transformou-me a bancada em L; cortando o ferro aqui, soldando esta perna ali e já agora mais esta ainda ali – para ficar mais resistente.

A oficina parece outra. Ainda falta mudar o tal armário preto, com tampo em pedra, mas não há pressa. De repente fiquei cheia de vontade de começar a trabalhar.

QUEIMADORES DE ÓLEOS ESSENCIAIS

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Aqui há uns tempos tive uma encomenda de um Spa para fazer uns queimadores de óleos essenciais. Confesso que a minha ignorância sobre o assunto era grande – para não dizer total – mas foram-me dadas algumas directrizes sobre o que era pretendido: a taça deveria ser relativamente grande, a fim de conter uma boa quantidade de óleo que não queimasse demasiado depressa; o vidrado deveria ser de tom branco e o logotipo deveria aparecer a vermelho. A forma ficaria ao meu critério.

Fiz quatro modelos e agora que finalmente tenho os meus dois fornos de volta, consegui por fim acabá-los. Estes são os protótipos que eu escolhi, 100% feitos e pintados à mão. E amanhã vou mostrá-los.

 

PLACAS RELEVADAS

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Retomei finalmente a minha produção de placas relevadas em barro refractário, que normalmente vendo na loja do Mosteiro dos Jerónimos e que me pediram há que tempos para entregar – há mais de seis meses – mas que ainda não tinha tido tempo para as fazer. Entretanto e como sempre, tenho ideias para novas, a ver quando consigo.

Estas ainda estão em fase de secagem, mas podem vê-las prontas aqui.

OLARTE

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Entreguei hoje os azulejos relevados que me tinham pedido para restaurar, “se possível, para dia 5, por favor”.

Descobri há pouco tempo que estes e muitos outros igualmente bonitos foram feitos na Olarte, uma oficina que funcionava em Aveiro durante os anos 70 e 80 e que até à data eu nunca tinha ouvido falar; mas que desde já é alvo da minha inveja – um dia também quero vir a ter uma oficina assim.

Obrigada pela dica, Cerâmica Modernista de Portugal.

TARDOZ.PT

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Entre outras coisas, andei estes últimos tempos bastante ocupada com o site da Tardoz – seleccionar e carregar conteúdos, pensar em formatos, redimensionar fotografias, escrever textos em português e inglês, pensar, pensar, pensar. Apagar e fazer tudo de novo, de outra maneira.

Finalmente foi lançado; agora a Tardoz já tem um site. Pode ser visto aqui.

Para já, está assim – senão nunca mais. Com o tempo tenciono ir carregando mais informação, escrevendo novos textos e legendas mais inspiradas.

Obrigada à Cris e ao Pedro Sol.

ANO NOVO

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Tenho andado ocupada com papeladas, assuntos pendentes e organização de ideias e projectos para este ano (fica sempre bem dizer isto nesta altura.)

Fazendo o balanço do ano passado, não posso dizer que 2013 tenha sido um ano brilhante, mas, apesar de ter facturado muito pouco ou quase nada, foi um ano em que produzi, investi  e trabalhei imenso; portanto, considero que até foi um ano bom.

Vamos ver como corre 2014. Continuo com algumas ideias que quero concretizar, mas tem de começar a acontecer alguma coisa rapidamente; preciso de ganhar dinheiro, dava-me algum jeito. Para já, já tive um pedido de orçamento, logo a dia 6 de Janeiro – fazer 150 réplicas destes azulejos. Pode nunca acontecer, mas é um bom sinal. Digo eu; que nem sequer sou supersticiosa, nem nada.

CONDE DE ESPICHEL

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Aristocrata lisboeta do séc XVIII.

Apreciador da vida mundana e de gostos requintados, tem tiques de linguagem como «Oh la la!», «Et voilá!» e «Précieux», que está sempre a aplicar.

O famoso Salon Musical et Littéraire, do qual é anfitrião regular, recebendo músicos, poetas e artistas na Chambre Bleu da sua residência de Belém, recostado num leito,ao estilo do século anterior, serve-lhe de refúgio às maneiras rudes da corte portuguesa – uns brutos! – e às intrigas políticas com as quais não se quer envolver.

18 ALCES

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A semana passada fui visitada por um grupo de 18 alces bem-dispostos, apenas de passagem aqui na oficina para um cumprimento e um copo de água, antes de seguirem caminho para as suas casas. Estavam com pressa, o que até me deu bastante jeito – não tinha muito tempo para eles.