UMA SARDINHA NO INVERNO

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Há dois anos concorri ao concurso «A sardinha é minha!», da EGEAC, com dois desenhos de duas sardinhas, pintados à mão e ambos baseados na azulejaria tradicional portuguesa. Nenhuma delas ganhou nenhum dos três primeiros lugares – serem a cara dos cartazes das Festas de Lisboa desse ano -; uma nem sequer foi seleccionada, mas a outra acabou por ficar dentro das 150 finalistas e integrar a exposição que foi feita nessa altura. Fiquei satisfeita.

Nunca mais liguei nenhuma a estas sardinhas. Na verdade, nem a estas nem a outras; não tenciono concorrer de novo e para mim este tema estava encerrado. Isso até aqui há uns dias, quando sou contactada de novo pela EGEAC que me comunica que eu – ou melhor, a minha sardinha – tinha sido seleccionada pela Fábrica de Cerâmica Rafael Bordallo Pinheiro para ser integrada numa colecção de 20 sardinhas em porcelana que eles pretendem fazer. Isto, se eu estivesse interessada, claro e se o meu desenho for adaptável à sardinha protótipo deles.

É o que estou a fazer agora; a adaptar o desenho. Com as mãos geladas e o pingo no nariz; a pensar no calor de Junho, com bailarico e cheiro a sardinha assada.

PRODUÇÃO NATALÍCIA – PARTE II

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Faz agora um ano que andei em grande produção de peças para vender numa feirinha de Natal; fiz essencialmente pequenas decorações alusivas à época, baratinhas; que pensei terem saída como decoração para uso próprio ou como lembranças simbólicas numa altura em que é suposto as pessoas alargarem os cordões à bolsa e gastarem, gastarem – mesmo não se estando em época de vacas gordas.

Faz agora um ano que não sei o que é que me deu e desatei a fazer estrelas, sinos, bolas e árvores de Natal como se não houvesse amanhã; todos feitos à mão, um a um; seriam quantos, aí uns trezentos? Sei lá; todos únicos; safa!, de tal maneira que apesar de até ter vendido bem, ainda me sobraram uma data deles que agora estão ali guardados dentro de uma caixa, à espera de terem uma nova oportunidade este ano ou outro qualquer – que isto do Natal, até ver, é uma coisa que se repete por esta altura.

O que não me sobrou do ano passado foi nenhum alce – sem dúvida, o sucesso da minha produção natalícia 2013. Apesar de não me apanharem mais em nenhuma feirinha deste género este ano, estou a fazê-los de novo; pelo sim, pelo não. Mas com calma, apenas uma pequena manada de vinte.

LENA

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Há cerca de duas semanas tivemos o gosto de ter aqui na oficina, por três dias, a presença da Lena Kuhn, uma menina alemã de 17 anos, muito simpática e interessada, que curiosamente – e escolhido por ela – está a fazer um trabalho escolar sobre a azulejaria portuguesa no âmbito do seu 12º ano.

Há uns meses fui contactada pelo pai da Lena no sentido de se poder preparar esta sua vinda a Lisboa, não só para falar comigo, como também para conhecer a oficina e principalmente para meter a mão na massa e experimentar pintar alguns azulejos – perceber o que é isso do vidrado crú, do estregido e das tintas de alto fogo. Para além de toda a parte escrita do trabalho, claro está; sobre os diferentes períodos e tipologias dos azulejos tradicionais portugueses.

Ficaram a faltar-lhe fazer várias coisas; chacotas manuais, por exemplo. Mas talvez a tenhamos por cá na próxima primavera.

JOSÉ MARIA DA FONSECA

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Ontem fui a Vila Nogueira de Azeitão, às caves dos vinhos produzidos pela José Maria da Fonseca – contactei-os aqui há uns tempos no sentido de lhes mostrar um baixo-relevo que fiz, em barro refractário, baseado na azulejaria relevada do séc. XVI.

Tenho tido estas peças guardadas, sem saber bem o que lhes fazer; quando fiz o protótipo original estava a pensar em lojas ligadas ao património, mas na altura, o então IGESPAR recusou-as, uma vez que elas não se referiam a nenhum dos monumentos sob a sua alçada – como as outras que lá tenho  – e elas ali ficaram, guardadas, à espera de qualquer coisa que fizesse sentido.

Ontem fui entregar 10 unidades à Loja de Vinhos da José Maria da Fonseca. Parece-me fazer todo o sentido que um apreciador de vinho ofereça ou receba uma boa garrafa de vinho juntamente com uma peça alusiva ao mesmo tema.

Mas isto digo eu, que não percebo nada do assunto.

BAIXO FOGO

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Novamente às voltas com mais experiências de cor; desta vez quero conseguir fazer vidrados opacos, de baixo fogo, e que resultam por sobreposição de tons – ando aqui com umas ideias para fazer azulejos. A questão, para já, é descobrir se tenho de trabalhar com mais ou menos transparências ou se os vidrados, em crú, se aplicam mais espessos ou mais finos. Muito para trabalhar e muito para aprender ainda. Mas vou no bom caminho.

PARRAS E UVAS

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Estive a tirar algumas provas desta placa relevada que fiz, há uns bons anos, em barro refractário – a primeira de todas, aquela que me fez começar a dedicar-me mais à cerâmica, como complemento aos trabalhos (ou à falta deles) de conservação e restauro de azulejos. Na altura a ideia era tentar vendê-la na loja do Mosteiro dos Jerónimos, o que veio a acontecer com outras peças que tenho dentro do mesmo género, baseadas nos seus claustros e que dão a ideia de baixos-relevos em pedra; mas esta nunca foi aceite pelo então IGESPAR, por não ser baseada em nenhum dos monumentos sob a sua égide.

De modo que cá ficaram guardadas uma série delas, em stock, à espera de eu me decidir sobre o que faria com elas.

Decidi-me agora, assim de repente. Há uma ou duas semanas – fez-se-me luz. E 10 unidades estão já encaminhadas para uma loja muito especial, que as aceitou ter à venda, à experiência e com a qual têm tudo a ver. Estou muito satisfeita!

ÚNICA

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Está pronta e prestes a ser entregue a peça única que fiz, em cerâmica. Trata-se de uma floreira, ou jarra – não sei bem; mas dá para meter flores – baseada numa primeira, dentro do mesmo género, que fiz já há algum tempo e que está na loja A Roda da Fortuna, em Évora. Tal como a outra, esta peça é feita em barro refractário, mas agora resolvi aplicar também alguns engobes, óxidos e vidrados de alto fogo.  E fiquei satisfeita com o resultado.

1260ºC

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Preparo-me para fazer uma fornada de vidrados de alto fogo, a 1260º. Aproveitando a deixa de ter de cozer a peça que me encomendaram, vão na mesma fornada algumas taças setecentistas – finalmente! – e também os vasos para ervas aromáticas, que tenho curiosidade em ver como ficam. Resultados depois de amanhã.

ERVAS-DE-CHEIRO

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Finalmente decidi-me a fazer alguma coisa com as peças cilíndricas em barro refractário que fiz quase há três meses e que ali ficaram a secar – literalmente – desde então, enquanto fui pensando que volta lhes havia de dar. Se já tinha chegado à conclusão que seriam uns vasos para plantas – até lhes fiz um furo -, estava muito indecisa quanto à sua decoração e confesso que esta solução estava longe de ser a prevista inicialmente. Acontece que o meu método de trabalho é bastante particular e depois de andar este tempo todo a pensar numa coisa – que não me convencia – acabei por fazer outra totalmente diferente – que ainda não sei se me convence; mas pronto, agora já está. Se resultar, serão uns vasinhos de interior para meter ervas-de-cheiro.

FLOREIRA

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Tenho estado a trabalhar numa encomenda que me fizeram ainda antes do verão e que só agora é que tive disponibilidade para começar. É uma floreira; ou uma jarra – não sei bem como lhe chamar – em barro refractário, baseada numa outra que fiz há dois ou três anos, numa altura em que isto do alto fogo ainda era um mistério muito maior do que é agora. Como é uma peça única, acho que me entusiasmei e saiu-me um pouco maior do que estava a pensar – espero que não haja problema. Amanhã estará no ponto perfeito para aperfeiçoar os últimos detalhes e depois é esperar que seque.