Estive a modelar e a moldar um protótipo para executar apenas 22 réplicas deste azulejo maravilhoso do séc. XVI, com uma estrela relevada e 8,6×8,6cm e 2cm de espessura – tão simples e tão lindo! Tenho muita sorte por peças destas me passarem pelas mãos e mais ainda por alguém estar disposto a pagar-me para eu ter este privilégio e fazer o que gosto. Foram-me pedidas apenas as chacotas, uma vez que os originais se encontram com inúmeras falhas de vidrado, as quais possivelmente irão apenas ser consolidadas, mas não sei se resisto a não vidrar e pintar uma delas.
Categoria: CONSTRUÇÃO
FECHOS DE ABÓBADA
Já não me lembrava destes fechos de abóbada em barro refractário que fiz há bastante tempo para a loja do Mosteiro dos Jerónimos – na verdade, foi de lá que me perguntaram por eles, que “até se vendiam bastante bem”. Acho estranho não me lembrar deste pormenor/maior – mas se eles o dizem, eu acredito e não perco nada em confirmar. Para já, vinte a aguardar secagem.
ARESTA-VIVA
Em Julho passado tive uma pequena encomenda de trinta réplicas de azulejos brancos para colmatarem algumas lacunas existentes numa parede de uma casa linda nas arribas frente a Lisboa. Aparentemente os azulejos são banais e para quem conheça a azularia portuguesa, esta patronagem mourisca em aresta-viva até é bastante vulgar; a questão é que parece já não se encontrar à venda no mercado chacotas industriais com 3mm de espessura e que meçam 14x14cm como as dos azulejos originais.
Tive de fazê-las à mão e depois de algumas experiências de cor, vidrei-as de branco.
GEOMETRIA
Decidi retomar o meu antigo projecto de construção de Relógios de Sol em barro refractário, começado talvez há uns três anos e abandonado pouco tempo depois – umas e outras coisas que se foram metendo pelo meio e também algumas dificuldades técnicas não só com o gnómon, mas também com o facto de na altura ter criado dois tipos de mostradores horizontais quando queria era mostradores verticais. Baralhei-me, pronto e na altura aquilo chateou-me.
Bom, retomei então o projecto; decidi ver as coisas pelo lado positivo: pelo menos já tenho dois modelos horizontais. E mais algumas ideias para os verticais. Continuo ainda a ter de resolver a questão do gnómon e a de compreender geometria.
TARDOZ.PT
Entre outras coisas, andei estes últimos tempos bastante ocupada com o site da Tardoz – seleccionar e carregar conteúdos, pensar em formatos, redimensionar fotografias, escrever textos em português e inglês, pensar, pensar, pensar. Apagar e fazer tudo de novo, de outra maneira.
Finalmente foi lançado; agora a Tardoz já tem um site. Pode ser visto aqui.
Para já, está assim – senão nunca mais. Com o tempo tenciono ir carregando mais informação, escrevendo novos textos e legendas mais inspiradas.
Obrigada à Cris e ao Pedro Sol.
D. MARIA
Fui contactada para ir ver uns painéis de azulejos que estão em risco de destacamento da parede, na Academia Militar, em Lisboa – na verdade, se não fosse a fita cola que lhes puseram de emergência, à laia de faceamento e muitos deles já teriam mesmo caído no chão. Trata-se de uma pequena sala interior, forrada com silhares de azulejos neoclássicos, também conhecidos por D. Maria. Estão em bastante bom estado de conservação, mas todos os que estão soltos têm de ser removidos e convém verificar-se o estado de adesão à parede de todos os outros.
Não sei o que é que se passa, mas de repente chovem-me pedidos de orçamentos – o que já é alguma diferença comparativamente com o ano passado.
1ª PROVA
Fiz a primeira prova das réplicas dos azulejos das Devesas.
O que tenho de aperfeiçoar: as estampilhas – afinal, em vez de pintar à mão livre, resolvi abrir estampilhas, o que também não foi fácil, são mínimas e não ficaram bem, vou ter de repetir; o azul – não está mal de todo, mas não fundiu, tenho de juntar um pouco de fundente na tinta, para ganhar algum brilho e abrir o tom.
II ENCONTRO DE PATRIMÓNIO AZULEJAR
Na semana passada estive presente no II Encontro de Património Azulejar, sob o tema Azulejo:HOJE, realizado pela Câmara Municipal de Lisboa no âmbito do PISAL – Programa de Investigação e Salvaguarda do Azulejo de Lisboa.
Na sexta-feira, 6 de Dezembro, integrada no Painel Conservação, apresentei uma pequena palestra cujo resumo aqui deixo:
«Conservação de fachadas azulejadas – Questões a colocar:Hoje.
Tomando como ponto de partida o tema do II Encontro de Património Azulejar – Lisboa,
azulejo: Hoje –, coincidente com o pedido que me foi efectuado recentemente para a
intervenção de conservação e restauro da fachada azulejada de um edifício em Alcântara,
o objectivo desta comunicação é, mais do que apresentar patologias existentes e factores
de degradação naturais comuns na azulejaria de exterior e respectiva sistematização de
tratamento, chamar a atenção para o caso dos elementos apostos às fachadas em geral e
as suas consequências sobre os azulejos nas fachadas azulejadas em particular,
colocando e deixando em aberto questões relativas a metodologias de actuação – até
onde e de que forma o técnico pode actuar, intervir e sensibilizar -, principalmente nos
edifícios particulares em que esses mesmos elementos não sejam removidos, colocando
em causa o sentido da própria intervenção de conservação e restauro onde a integridade
original do conjunto azulejar não é devolvida totalmente.»
Como elementos apostos quero dizer aparelhos de ar condicionado, toldos, cablagem diversa, cartazes e uma infinidade de outros objectos que se podem ver colocados sobre os azulejos das fachadas e que subvertem não só a lógica construtiva dos próprios edifícios como também – para além de colocar em causa a sua conservação – a lógica própria dos conjuntos azulejares semi-indústriais de fins do séc XIX inícios de séc XX, efectuados especificamente para revestimento de fachadas dessa época e que têm grande responsabilidade no que diz respeito à beleza da cidade de Lisboa.
FACHADA AZULEJADA
CERÂMICA MURAL
Sexta-feira passada chegou-me mais um pedido para fazer um orçamento; desta vez tratam-se de dois painéis cerâmicos compostos por lajes em tijoleira, com o interior vidrado e pintado e que ladeiam a entrada de um edifício dos anos 50/60, em Lisboa. O autor é desconhecido – pelo menos para mim, que não encontrei nenhum vestígio da sua assinatura, nem nenhuma data de execução.












