18m²

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Coisas curiosas que acontecem: há precisamente um mês, nunca eu tinha feito um painel de azulejos de raiz, habituada como sempre estive a trabalhar em restauro e manufactura de réplicas.

Há menos de um mês tive uma encomenda para fazer um painel com 4m²; 200 azulejos que tive de pintar 1/4 de cada vez no taipal – que era o que cabia – e cozer em duas fornadas e que já falei aqui.

Há pouco mais de uma semana tive outra encomenda para fazer  outro painel de azulejos; desta vez um pouco maior do que o primeiro, apenas 18m² – cerca de 940 azulejos que irão revestir o fundo de um lago e que irei pintar metro quadrado a metro quadrado no meu taipal e enfornar 120 unidades de cada vez que é o que cabe no meu forno grande e que nunca conseguirei montar no chão aqui da oficina.

E é o que farei estas duas semanas, que o prazo de entrega é bastante curto.

 

 

CORTADOS

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Curiosamente tive há algum tempo uma outra pequena encomenda – a juntar ao painel da espiral – de algo totalmente novo e diferente daquilo que costumo fazer e que estou habituada.

Trata-se de uma moldura em azulejos para um espelho com 70x55cm, para um balneário de piscina e as indicações que tive foram apenas para que fosse a azul e branco, com motivos marinhos e com pontas assimétricas – assim como eu quisesse, que ficava ao meu critério, “a artista és tu”.

Isto de ser-se “artista” não é fácil – principalmente quando o grosso do nosso trabalho se trata de fazer restauro e réplicas –  de modo que me fartei de puxar pela cabeça. O facto do espelho ser rectangular estava-me a condicionar o raciocínio – fiz vários esboços e nada; compliquei bastante a coisa e ainda assim, nada. O raio das pontas assimétricas estavam a dar-me algum trabalho e andei mais de um mês a pensar e repensar este tema sem que a ideia brilhante aparecesse.

Depois, assim como quem não quer a coisa, ela surgiu. Não sei bem como nem porquê, resolvi usar umas chacotas indústriais para frisos que estavam cá na oficina há mais de dez anos e que se arriscavam a cá ficar mais outros tantos. E depois, com a máquina de corte, comecei a cortar rectângulos de vários tamanhos e a formar a composição que de repente apareceu clara na minha cabeça.

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1/4

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Comecei ontem a vidrar o painel com a espiral de sete cores que me encomendaram. Tive de trabalhar com um quarto de cada vez, que é quase o máximo que cabe no taipal, – na verdade o que me teria dado jeito era uma boa bancada de trabalho, grande e larga, que permitisse trabalhar sobre a horizontal, mas o espaço aqui na oficina começa a ser curto para estas dimensões.

Assim sendo, tive de ampliar o desenho e passá-lo directamente para as chacotas, quarto a quarto, com bastante atenção para que a numeração alfa numérica dos tardozes batesse toda certa de um quarto para o outro; montando, desenhando, marcando e desmontando 49 azulejos de cada vez, como se de pequenos painéis se tratassem – e era tão fácil poder-me enganar.

Depois comecei a aplicar os vidrados sobre o desenho; quarto a quarto e com atenção não só à ordem das cores, como também ao seu seguimento para o quarto seguinte, para que os quatro desenhos e as quatro manchas cromáticas batam todos certos no final – o que não consigo visualizar agora. E é tão fácil poder-me enganar.

Acabei de enfornar metade do painel. Fiz um pequeno lote de testes de cores de vidrados e nada mais, que o orçamento reduzido não permite mais custos com a electricidade, nem mais tempo com a mão-de-obra. Vai hoje a cozer e na segunda-feira vejo os resultados – quarto a quarto.

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SETE

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Há coisas que são boas e que já me tinha esquecido de como gosto de as fazer. Ficaram como uma memória boa dos meus tempos de infância, na casa dos meus avós e mais tarde, da escola e do liceu, das disciplinas de trabalhos manuais e desenho. E depois nunca mais as voltei a fazer – deixou de ser preciso e de eu sentir essa vontade.

Hoje peguei na minha caixa de aguarelas desencantada mesmo a tempo do baú e estive a pintar o meu projecto para o painel de azulejos com a espiral de sete cores – as sete cores dos chakras.

E foi bom.

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ESPIRAL

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Tive uma encomenda de um painel de azulejos; baixo orçamento – demasiado baixo, vejo agora; não sei bem o que me passou pela cabeça, acho que me deixei levar pela simpatia da senhora e também pela sua causa. De qualquer modo, vai estar num espaço público em Lisboa e acho piada a isso, apesar de já saber que à partida “vai ser alvo de vandalismo”.

Quando saí da reunião/almoço, simpática e saborosa, no próprio local onde tive de pensar em tudo com a barriga cheia, vinha decidida a executar a ideia que me tinha sido pedida – na verdade muito simples e morosa q.b. para o preço que apresentei -, mas claro que aqui na oficina, com  papeis e lápis e vidrados e cores à disposição, comecei a complicar.

De modo que o que iria ser um círculo enorme, vidrado aleatoriamente com sete cores diferentes, afinal – e depois de, em conversa com a Najma, ter sabido do seu gosto especial por esta forma-, vai ser um círculo enorme com uma espiral de sete cores diferentes lá dentro.

Isto já implicou desenhar uma espiral a partir de um heptágono, coisa que me levou algum tempo a fazer, pensando que já nem me lembrava como é que se construía um heptágono, quanto mais uma espiral a partir dele. E ainda vai implicar ampliar o desenho à mão para um painel de quatro metros quadrados, sendo que só me cabe um quarto de cada vez no taipal e ainda não estou bem a ver como é que o vou fazer.

Resumindo: fui EU que decidi complicar. É para aprender.

E é tããão bom!

PEQUENOS PAINÉIS DE AZULEJOS

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Baseada numa ideia que tive há algum tempo, acabei hoje de montar em suporte acrílico pequenos painéis de azulejos, todos com 14x21cm de dimensão – um tamanhinho simpático para pendurar em qualquer parede.

As chacotas são totalmente manuais e têm três tamanhos distintos, que se articulam entre si de modo a respeitar a dimensão final e os motivos, retirados de diferentes fases da azulejaria tradicional portuguesa e adaptados aos tamanhos pretendidos, são pintados à mão, conjugando-se uns com os outros sem respeitar a época em que foram criados.

Para já, seis painelinhos. À experiência e até ver o que faço com eles.

FECHOS DE ABÓBADA

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Já não me lembrava destes fechos de abóbada em barro refractário que fiz há bastante tempo para a loja do Mosteiro dos Jerónimos – na verdade,  foi de lá que me perguntaram por eles, que “até se vendiam bastante bem”. Acho estranho não me lembrar deste pormenor/maior – mas se eles o dizem, eu acredito e não perco nada em confirmar. Para já, vinte a aguardar secagem.

QUEIMADORES DE ÓLEOS ESSENCIAIS

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Aqui há uns tempos tive uma encomenda de um Spa para fazer uns queimadores de óleos essenciais. Confesso que a minha ignorância sobre o assunto era grande – para não dizer total – mas foram-me dadas algumas directrizes sobre o que era pretendido: a taça deveria ser relativamente grande, a fim de conter uma boa quantidade de óleo que não queimasse demasiado depressa; o vidrado deveria ser de tom branco e o logotipo deveria aparecer a vermelho. A forma ficaria ao meu critério.

Fiz quatro modelos e agora que finalmente tenho os meus dois fornos de volta, consegui por fim acabá-los. Estes são os protótipos que eu escolhi, 100% feitos e pintados à mão. E amanhã vou mostrá-los.

 

OSSOS DO OFÍCIO

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Tenho andado em maré de azar: para além do forno pequeno, companheiro de há quase vinte anos de andanças e fornadas estar avariado há cerca de seis meses e a máquina fotográfica dizer-me que tem o cartão cheio quando este está completamente vazio; agora também o forno grande se avariou. Para agravar a situação, metade da minha última produção de placas relevadas foi feita em barro refractário negro, cujo pacote estava há que tempos junto com os outros de barro normal – e que eu já nem me lembrava da sua existência -, cuja cor só se consegue diferenciar depois da cozedura. Como foi nesta fornada que o forno se avariou, as placas, para além de negras, ainda ficaram um bocado empenadas, devido à sobre-cozedura a que foram submetidas.

Resumindo: agora tenho várias placas relevadas negras e empenadas, mais uma série delas mescladas de tonalidades várias e também empenadas e apenas umas quantas que mais ou menos lá conseguiram escapar a estas misturas mas que também estão demasiado cozidas para eu poder dizer que estejam bem e poder entregá-las na loja do Mosteiro dos Jerónimos.

Concluíndo: lá terei de abrir os cordões à bolsa para mandar arranjar pelo menos um dos fornos e a máquina fotográfica; comprar mais uns 100Kg de barro e ainda mais uns comprimidos para a memória. E depois produzir tudo de novo e pensar sobre o que fazer com estas peças todas que agora só ocupam espaço aqui na oficina.

PLACAS RELEVADAS

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Retomei finalmente a minha produção de placas relevadas em barro refractário, que normalmente vendo na loja do Mosteiro dos Jerónimos e que me pediram há que tempos para entregar – há mais de seis meses – mas que ainda não tinha tido tempo para as fazer. Entretanto e como sempre, tenho ideias para novas, a ver quando consigo.

Estas ainda estão em fase de secagem, mas podem vê-las prontas aqui.