C1

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Quando o B1 encontra o D1 e fecha a volta. E assim está terminada a pintura do painel de azulejos que tenho andado a fazer estes últimos dias. Agora só faltam ainda mais três fornadas.

Para a semana, assentamento na parede. Isto é, no chão – no fundo do lago.

A BOM RITMO

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Faz hoje uma semana que comecei a pintar o painel de azulejos para revestir o fundo de um lago. O prazo é bastante curto – no dia 27 deste mês tem de estar aplicado no chão – e o maior problema prende-se com o ritmo das fornadas; por mais que eu consiga pintar 3m² por dia, ainda assim um a mais do que aquilo que eu tinha previsto, levo sempre azulejos em avanço, uma vez que o forno grande leva apenas 120 azulejos de cada vez, que demoram dois dias entre entrarem e poderem sair já cozidos. Felizmente tenho também o forno pequeno, que leva metade da capacidade, mas que lá vai dando uma ajuda, intercalado com o maior e avança assim com a cozedura de mais sessenta, dia sim, dia não.

De modo que, de há uma semana para cá, não tenho feito outra coisa senão marcar tardozes, montar pequenos painéis de azulejos no taipal, aplicar vidrados de diferentes cores, desmontar pequenos painéis do taipal, limpar vidrados, enfornar azulejos num dos fornos à vez, desenfornar do outro que entretanto cozeu há dois dias e já pode ser desenfornado e recomeçar tudo de novo, consecutivamente e sempre mais ou menos por esta ordem, tendo em atenção que nos entretantos convém ir montando os pequenos painéis já cozidos no chão para confirmar as marcações dos tardozes e também a continuidade das manchas cromáticas.

E a este ritmo tenho neste momento 640 azulejos já cozidos, 120 azulejos no forno e que irão cozer esta noite e ainda cerca de 70 azulejos vidrados e arrumados ordeiramente em ganapos à espera de serem cozidos amanhã. Assim sendo faltam-me apenas dois dias para acabar de vidrar o painel – mas ainda devo ficar a fazer fornadas até ao próximo fim-de-semana.

18m²

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Coisas curiosas que acontecem: há precisamente um mês, nunca eu tinha feito um painel de azulejos de raiz, habituada como sempre estive a trabalhar em restauro e manufactura de réplicas.

Há menos de um mês tive uma encomenda para fazer um painel com 4m²; 200 azulejos que tive de pintar 1/4 de cada vez no taipal – que era o que cabia – e cozer em duas fornadas e que já falei aqui.

Há pouco mais de uma semana tive outra encomenda para fazer  outro painel de azulejos; desta vez um pouco maior do que o primeiro, apenas 18m² – cerca de 940 azulejos que irão revestir o fundo de um lago e que irei pintar metro quadrado a metro quadrado no meu taipal e enfornar 120 unidades de cada vez que é o que cabe no meu forno grande e que nunca conseguirei montar no chão aqui da oficina.

E é o que farei estas duas semanas, que o prazo de entrega é bastante curto.

 

 

1/4

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Comecei ontem a vidrar o painel com a espiral de sete cores que me encomendaram. Tive de trabalhar com um quarto de cada vez, que é quase o máximo que cabe no taipal, – na verdade o que me teria dado jeito era uma boa bancada de trabalho, grande e larga, que permitisse trabalhar sobre a horizontal, mas o espaço aqui na oficina começa a ser curto para estas dimensões.

Assim sendo, tive de ampliar o desenho e passá-lo directamente para as chacotas, quarto a quarto, com bastante atenção para que a numeração alfa numérica dos tardozes batesse toda certa de um quarto para o outro; montando, desenhando, marcando e desmontando 49 azulejos de cada vez, como se de pequenos painéis se tratassem – e era tão fácil poder-me enganar.

Depois comecei a aplicar os vidrados sobre o desenho; quarto a quarto e com atenção não só à ordem das cores, como também ao seu seguimento para o quarto seguinte, para que os quatro desenhos e as quatro manchas cromáticas batam todos certos no final – o que não consigo visualizar agora. E é tão fácil poder-me enganar.

Acabei de enfornar metade do painel. Fiz um pequeno lote de testes de cores de vidrados e nada mais, que o orçamento reduzido não permite mais custos com a electricidade, nem mais tempo com a mão-de-obra. Vai hoje a cozer e na segunda-feira vejo os resultados – quarto a quarto.

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SETE

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Há coisas que são boas e que já me tinha esquecido de como gosto de as fazer. Ficaram como uma memória boa dos meus tempos de infância, na casa dos meus avós e mais tarde, da escola e do liceu, das disciplinas de trabalhos manuais e desenho. E depois nunca mais as voltei a fazer – deixou de ser preciso e de eu sentir essa vontade.

Hoje peguei na minha caixa de aguarelas desencantada mesmo a tempo do baú e estive a pintar o meu projecto para o painel de azulejos com a espiral de sete cores – as sete cores dos chakras.

E foi bom.

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ESPIRAL

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Tive uma encomenda de um painel de azulejos; baixo orçamento – demasiado baixo, vejo agora; não sei bem o que me passou pela cabeça, acho que me deixei levar pela simpatia da senhora e também pela sua causa. De qualquer modo, vai estar num espaço público em Lisboa e acho piada a isso, apesar de já saber que à partida “vai ser alvo de vandalismo”.

Quando saí da reunião/almoço, simpática e saborosa, no próprio local onde tive de pensar em tudo com a barriga cheia, vinha decidida a executar a ideia que me tinha sido pedida – na verdade muito simples e morosa q.b. para o preço que apresentei -, mas claro que aqui na oficina, com  papeis e lápis e vidrados e cores à disposição, comecei a complicar.

De modo que o que iria ser um círculo enorme, vidrado aleatoriamente com sete cores diferentes, afinal – e depois de, em conversa com a Najma, ter sabido do seu gosto especial por esta forma-, vai ser um círculo enorme com uma espiral de sete cores diferentes lá dentro.

Isto já implicou desenhar uma espiral a partir de um heptágono, coisa que me levou algum tempo a fazer, pensando que já nem me lembrava como é que se construía um heptágono, quanto mais uma espiral a partir dele. E ainda vai implicar ampliar o desenho à mão para um painel de quatro metros quadrados, sendo que só me cabe um quarto de cada vez no taipal e ainda não estou bem a ver como é que o vou fazer.

Resumindo: fui EU que decidi complicar. É para aprender.

E é tããão bom!

GEOMETRIA

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Decidi retomar o meu antigo projecto de construção de Relógios de Sol em barro refractário, começado talvez há uns três anos e abandonado pouco tempo depois – umas e outras coisas que se foram metendo pelo meio e também algumas dificuldades técnicas não só com o gnómon, mas também com o facto de na altura ter criado dois tipos de mostradores horizontais quando queria era mostradores verticais. Baralhei-me, pronto e na altura aquilo chateou-me.

Bom, retomei então o projecto; decidi ver as coisas pelo lado positivo: pelo menos já tenho dois modelos horizontais. E mais algumas ideias para os verticais. Continuo ainda a ter de resolver a questão do gnómon e a de compreender geometria.

LATITUDE, LONGITUDE

Há já algum tempo que ando a matutar em relógios solares. As minhas noções de astronomia ficaram quase pelo que aprendi na primária e também pela ultima visita que fiz ao Planetário, tinha eu, já nem sei; aí uns sete ou oito anos. A trigonometria, mais tarde, ainda me deu alguma água pela barba, apesar de eu lá me ter safado menos mal e o trânsito do Sol não me dizia nada até há bem pouco tempo. Acho que nunca tinha pensado muito sobre isto; até agora limitei-me em ser só uma curiosa que assiste aos eclipses solares, espreita por telescópios alheios, sabe quando são os solstícios e os equinócios e gosta especialmente de cromeleques.

Aproveitei o mês de Agosto em plena natureza para ler quase todo o livro sobre Relógios de Sol, supostamente esgotado nos CTT e que afinal o meu pai tinha em casa. Ainda abordei um outro, Sundials, que o meu tio Raul, um apaixonado por estas coisas, mandou vir de propósito para mim, mas é super-técnico e ainda por cima está em inglês, de modo que a coisa é mais difícil… Felizmente também existe a net e depois de uma quanta pesquisa e leitura para complementar o que entretanto aprendi, desenhei hoje o meu primeiro mostrador de um relógio solar, rigoroso qb para ser usado na região de Lisboa. Latitude 38.709º, Longitude 9.168º.