DE VOLTA, SEM NUNCA TER SAÍDO DAQUI.

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Terminei finalmente um trabalho grande de manufactura de réplicas que me manteve ocupada desde o início deste ano até agora e sobre o qual falarei a seu tempo. Entre ser operada à mão esquerda – que afinal faz muito mais falta do que aquilo que eu imaginava – e a discrição que me foi pedida, andei um pouco arredada destas escritas, o que, de certa forma me chateou.

Comecei finalmente o restauro destes azulejos que me foram entregues há cerca de um mês e que ainda mal tinha tido tempo de olhar para eles. E são lindos – é pena só ter quatro, apetecia-me fazer réplicas para ver o efeito que o conjunto dava.

IMPERFEITOS

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Terminei já há algum tempo as réplicas dos azulejos da Fábrica das Devesas que me pediram para fazer de modo a colmatar as lacunas de dez frisos de um prédio na Rua da Saudade, em Lisboa. Não fiquei propriamente satisfeita com os resultados: devido a situações várias, não tinha todo o tempo do mundo para me dedicar a este trabalho e tive de geri-lo entre inúmeras outras coisas para fazer, com a agravante de haver uma certa urgência na sua entrega, para assentamento – felizmente o mau tempo deu-me alguma margem de manobra, atrasando a obra.

O primeiro problema com que me deparei foram as estampilhas – demasiado pequenas e delicadas, tive de abrir mais do que as que estava à espera; enganei-me várias vezes, perdi tempo e material e cheguei a irritar-me com aquilo. Pergunto-me como é que eles as fariam na época, mas com certeza que seria da mesma maneira – muita paciência, uma tesourinha e boa vista. Depois, o azul. Os azulejos originais apresentavam um tom liso, sem marcas de trincha; parecia-me um decalque, ou qualquer coisa do género. Fiz algumas experiências de cor e tentei criar o mesmo efeito, com uma pequena esponja – o azul,  aplicado um pouco mais espesso e mesmo com fundente, acabava por borbulhar e aplicado com a trincha, não tão forte, apresentava um efeito mais aguado e translúcido.

Depois o meu forno avariou, a meio de uma cozedura – podia acontecer em qualquer altura, mas não.

Soube que os azulejos originais, datados de 1910, não constam do catálogo de então, com a mesma data. Ao que parece, terão sido uma encomenda especial para este prédio e porquê aqui para esta zona – coração de Lisboa – é ainda mais intrigante, uma vez que as Devesas forneciam, não só, mas principalmente o norte do país. Segundo fui informada, os azulejos que ainda estão nas paredes, tais como os meus, também não pautam pela perfeição: apresentam chacotas de má qualidade, defeitos de fabrico no vidrado e defeitos de pintura, sobretudo nos azuis – “não há dois iguais”.

O que, apesar de não me alegrar, lá me tranquilizou.

TARDOZ.PT

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Entre outras coisas, andei estes últimos tempos bastante ocupada com o site da Tardoz – seleccionar e carregar conteúdos, pensar em formatos, redimensionar fotografias, escrever textos em português e inglês, pensar, pensar, pensar. Apagar e fazer tudo de novo, de outra maneira.

Finalmente foi lançado; agora a Tardoz já tem um site. Pode ser visto aqui.

Para já, está assim – senão nunca mais. Com o tempo tenciono ir carregando mais informação, escrevendo novos textos e legendas mais inspiradas.

Obrigada à Cris e ao Pedro Sol.

1ª PROVA

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Fiz a primeira prova das réplicas dos azulejos das Devesas.

O que tenho de aperfeiçoar: as estampilhas – afinal, em vez de pintar à mão livre,  resolvi abrir estampilhas, o que também não foi fácil, são mínimas e não ficaram bem, vou ter de repetir; o azul – não está mal de todo, mas não fundiu, tenho de juntar um pouco de fundente na tinta, para ganhar algum brilho e abrir o tom.

TRANSPARÊNCIAS

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Tenho andado às voltas com as réplicas dos azulejos das Devesas que me pediram para fazer. Já abri as estampilhas das zonas maiores, mas estou aflita com as mais pequenas; são demasiado finas e delicadas e não consigo abrir os motivos – isto já nem com óculos vai lá – por isso acho que os vou pintar à mão, um a um; o que aumenta o trabalho, claro.

Já fiz algumas experiências de cor, do vidrado base e das tintas. Descobri agora que a produção da Fábrica das Devesas se caracteriza por pintar os motivos directamente sobre a chacota e depois aplicar um vidrado transparente por cima – o que tem todo o ar de acontecer neste caso -, mas eu irei pintar normalmente com tinta de alto fogo sobre o vidrado base estanífero; as chacotas industriais que uso são demasiado rosadas para se assemelharem ao tom branco de fundo dado pelas chacotas originais destes azulejos e fazer chacotas manuais agora implicaria muito mais tempo do que aquele que tenho até ter de entregar a encomenda, que é já para a próxima semana. E provavelmente nem se vai dar pela diferença.

ANO NOVO

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Tenho andado ocupada com papeladas, assuntos pendentes e organização de ideias e projectos para este ano (fica sempre bem dizer isto nesta altura.)

Fazendo o balanço do ano passado, não posso dizer que 2013 tenha sido um ano brilhante, mas, apesar de ter facturado muito pouco ou quase nada, foi um ano em que produzi, investi  e trabalhei imenso; portanto, considero que até foi um ano bom.

Vamos ver como corre 2014. Continuo com algumas ideias que quero concretizar, mas tem de começar a acontecer alguma coisa rapidamente; preciso de ganhar dinheiro, dava-me algum jeito. Para já, já tive um pedido de orçamento, logo a dia 6 de Janeiro – fazer 150 réplicas destes azulejos. Pode nunca acontecer, mas é um bom sinal. Digo eu; que nem sequer sou supersticiosa, nem nada.

II ENCONTRO DE PATRIMÓNIO AZULEJAR

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Na semana passada estive presente no II Encontro de Património Azulejar, sob o tema Azulejo:HOJE, realizado pela Câmara Municipal de Lisboa no âmbito do PISAL – Programa de Investigação e Salvaguarda do Azulejo de Lisboa.

Na sexta-feira, 6 de Dezembro, integrada no Painel Conservação, apresentei uma pequena palestra cujo resumo aqui deixo:

«Conservação de fachadas azulejadas – Questões a colocar:Hoje.

Tomando como ponto de partida o tema do II Encontro de Património Azulejar – Lisboa,
azulejo: Hoje –, coincidente com o pedido que me foi efectuado recentemente para a
intervenção de conservação e restauro da fachada azulejada de um edifício em Alcântara,
o objectivo desta comunicação é, mais do que apresentar patologias existentes e factores
de degradação naturais comuns na azulejaria de exterior e respectiva sistematização de
tratamento, chamar a atenção para o caso dos elementos apostos às fachadas em geral e
as suas consequências sobre os azulejos nas fachadas azulejadas em particular,
colocando e deixando em aberto questões relativas a metodologias de actuação – até
onde e de que forma o técnico pode actuar, intervir e sensibilizar -, principalmente nos
edifícios particulares em que esses mesmos elementos não sejam removidos, colocando
em causa o sentido da própria intervenção de conservação e restauro onde a integridade
original do conjunto azulejar não é devolvida totalmente.»

Como elementos apostos quero dizer aparelhos de ar condicionado, toldos, cablagem diversa, cartazes e uma infinidade de outros objectos que se podem ver colocados sobre os azulejos das fachadas e que subvertem não só a lógica construtiva dos próprios edifícios como também – para além de colocar em causa a sua conservação – a lógica própria dos conjuntos azulejares semi-indústriais de fins do séc XIX inícios de séc XX, efectuados especificamente para revestimento de fachadas dessa época e que têm grande responsabilidade no que diz respeito à beleza da cidade de Lisboa.

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UMA SARDINHA NO INVERNO

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Há dois anos concorri ao concurso «A sardinha é minha!», da EGEAC, com dois desenhos de duas sardinhas, pintados à mão e ambos baseados na azulejaria tradicional portuguesa. Nenhuma delas ganhou nenhum dos três primeiros lugares – serem a cara dos cartazes das Festas de Lisboa desse ano -; uma nem sequer foi seleccionada, mas a outra acabou por ficar dentro das 150 finalistas e integrar a exposição que foi feita nessa altura. Fiquei satisfeita.

Nunca mais liguei nenhuma a estas sardinhas. Na verdade, nem a estas nem a outras; não tenciono concorrer de novo e para mim este tema estava encerrado. Isso até aqui há uns dias, quando sou contactada de novo pela EGEAC que me comunica que eu – ou melhor, a minha sardinha – tinha sido seleccionada pela Fábrica de Cerâmica Rafael Bordallo Pinheiro para ser integrada numa colecção de 20 sardinhas em porcelana que eles pretendem fazer. Isto, se eu estivesse interessada, claro e se o meu desenho for adaptável à sardinha protótipo deles.

É o que estou a fazer agora; a adaptar o desenho. Com as mãos geladas e o pingo no nariz; a pensar no calor de Junho, com bailarico e cheiro a sardinha assada.

FACHADA AZULEJADA

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Mais um pedido de orçamento para fazer, desta vez para a manufactura de cerca de 260 unidades, entre padronagem e cercadura, de réplicas destes azulejos de estampilha – lindos! – que infelizmente já faltam e continuam a desaparecer numa fachada de um edifício no centro de Lisboa.

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LENA

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Há cerca de duas semanas tivemos o gosto de ter aqui na oficina, por três dias, a presença da Lena Kuhn, uma menina alemã de 17 anos, muito simpática e interessada, que curiosamente – e escolhido por ela – está a fazer um trabalho escolar sobre a azulejaria portuguesa no âmbito do seu 12º ano.

Há uns meses fui contactada pelo pai da Lena no sentido de se poder preparar esta sua vinda a Lisboa, não só para falar comigo, como também para conhecer a oficina e principalmente para meter a mão na massa e experimentar pintar alguns azulejos – perceber o que é isso do vidrado crú, do estregido e das tintas de alto fogo. Para além de toda a parte escrita do trabalho, claro está; sobre os diferentes períodos e tipologias dos azulejos tradicionais portugueses.

Ficaram a faltar-lhe fazer várias coisas; chacotas manuais, por exemplo. Mas talvez a tenhamos por cá na próxima primavera.