CHAOS UND ORDNUNG

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Entre outros projectos que tenho agora em mãos, ando há cerca de duas semanas a trabalhar no restauro de 4 placas cerâmicas que caíram deste mural – Chaos und Ordenung; Caos e Ordem – existente no jardim do Goethe-Institut de Lisboa.

As placas medem cerca de 35x35cm cada e têm pelo menos 2cm de espessura – não contando com os relevos -; são muito pesadas e destacaram-se da superfície de suporte, partindo-se em inúmeros fragmentos de todas as formas e tamanhos possíveis.

Este mural é lindo – sempre gostei de grandes murais cerâmicos, com placas assim, maciças) e foi executado em 2008, no âmbito de um projecto internacional do Goethe-Institut em colaboração com o Museu do Azulejo, a Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e o Ar.Co.

Confesso que tenho alguma inveja por não ter participado na manufactura disto.

PLACA 4PLACA 3PLACA 2PLACA 1

 

DESMULTIPLICAR

2016-07-12 09.10.40 2016-06-16 09.59.15 2016-07-08 11.07.29 2016-07-18 09.55.09 2016-07-19 13.53.01 2016-07-20 10.12.23 2016-06-15 12.28.22 2016-07-15 09.35.08 2016-04-21 09.48.57 2016-06-29 16.37.22

De repente ando sem mãos a medir.

Se até inícios de Junho este ano se revelou bastante fracote, obrigando-me a recorrer aos planos B e C para ir ganhando pelo menos o suficiente para pagar a segurança social e as despesas mensais aqui da oficina, de há um mês a esta parte foram-me aparecendo vários projectos para executar, os quais  gostaria de deixar terminados até ao fim de Julho – antes de ir uns dias a banhos e limpar totalmente a cabeça antes da rentrée.

Gosto de trabalhos pequenos, – começa-se um projecto, organizam-se materiais e tarefas, executa-se e quinze dias ou um mês depois, está entregue. Só não entendo é porque é que uma pessoa tem de fazer das tripas coração para cumprir prazos, (nem pensar em contratar ninguém para ajudar, claro; estes trabalhinhos vieram mesmo a calhar!) quando podia realizar com calma um projecto de cada vez.

Vá lá, dois.

8 JUNHO DE 1663

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De regresso ao Pátio dos Canhões, no Museu Militar.

5 anos depois da nossa intervenção, uma ruptura num cano danificou uma parte significativa da parede do alçado Norte e com ela, cerca de metade dos azulejos do painel da Batalha do Ameixial – já na altura, o que se encontrava em pior estado de conservação – destacaram-se da superfície de suporte e partiram-se em inúmeros fragmentos.

E assim, mais uma vez, estive a montar este painel no chão, a colar novamente fracturas simples e múltiplas, e agora a fazer novos preenchimentos para depois reintegrar cromaticamente.

 

 

BERTINA LOPES

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Não sei o que é que se passa, mas este ano continuam a chegar-me às mãos alguns trabalhos engraçados e diferentes daqueles que estou habituada a fazer.

Comecei hoje a trabalhar na procura de cores para os vidrados que preciso de fazer para alguns azulejos que faltam em três pequenos painéis da autoria da Bertina Lopes, pintora e escultora Moçambicana que, confesso, até à data nunca tinha ouvido falar.

E fiquei agora mesmo a saber aqui que, nos anos 60, teve uma bolsa de estudo para estudar cerâmica com o grande mestre Querubim Lapa – que por acaso também foi meu professor.

MIRADOUROS

Monte Agudo

Senhora do Monte

São Pedro de Alcantra

No sábado passado fiz um périplo por alguns dos principais miradouros alfacinhas – Monte Agudo, Senhora do Monte e depois, na colina do outro lado, S. Pedro de Alcântara.

Um ano depois de fazer as réplicas dos azulejos para o miradouro de Sta Luzia, foi-me agora pedido novo orçamento; desta vez para a manufactura de cerca de 55 réplicas variadas para os painéis de azulejos informativos – alguns em avançado mau estado de conservação -, com a vista de cada um destes miradouros.

ORÇAMENTOS

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Mais uma vez fui contactada por causa do conjunto azulejar do Padrão do Sr. Roubado, existente aqui mesmo às portas de Lisboa,  a caminho de Odivelas.

Pelas minhas contas esta será a terceira vez que faço um orçamento para intervir nestes azulejos – se não me engano, a primeira foi há uns bons dez anos e na altura a câmara municipal pediu-me um orçamento para uma intervenção de conservação e restauro in situ de todo o conjunto azulejar, que já então se encontrava em mau estado de conservação. Depois, nada; – nem sequer uma única resposta de “obrigado” – e a coisa caiu no esquecimento, pelo menos no meu. Anos mais tarde, volta a câmara municipal a pedir-me outro orçamento; desta vez para a manufactura integral de réplicas de todo o conjunto azulejar, que continuava em muito mau estado de conservação e a piorar dia após dia. Depois, nada; – nem sequer uma palavrinha a agradecer – e a coisa ficou esquecida, pelo menos, na minha cabeça. Anos mais tarde, há cerca de um mês, recebo um novo pedido de orçamento; desta vez através de uma empresa de conservação e restauro a quem é pedido um preço para levantar todo o conjunto azulejar da parede, que se encontra em péssimo estado de conservação e também para a manufactura e substituição integral por réplicas de todos os azulejos.

O orçamento foi entregue a semana passada, espero que aos três seja de vez – para mim ou para qualquer outra pessoa; para já o importante é preservar aquele conjunto único de 12 painéis de azulejos do séc XVIII, que contam a história do furto do Santíssimo Sacramento do Mosteiro de Odivelas, em 1671 e que se encontra em tão mau estado de conservação.

PADRONAGEM AZUL E AMARELA.

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Acabei ontem de pintar as 150 réplicas de azulejos de padronagem 4×4 do séc. XVII que fiz para colmatarem as lacunas existentes no tanque grande dos jardins do Palácio de Monserrate, em Sintra – os últimos 40 cozeram esta noite e estão ainda no forno.

Para atalhar o processo de manufactura – foi-me pedida urgência na entrega, os trabalhos de restauro estão já a decorrer -, utilizei chacotas manuais de compra e depois cada azulejo foi vidrado e pintado à mão, utilizando diferentes tonalidades de vidrado branco e de pigmentos azul e amarelo. Como os originais.

SÉC. XVII

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Comecei agora a trabalhar numa nova encomenda: desta vez trata-se de cerca de 150 réplicas de azulejos de padrão 4×4 do séc. XVII  – o meu preferido  -, que irão colmatar as lacunas existentes no Tanque Grande do Parque de Monserrate, em Sintra.

VISTA DE LISBOA, 1940

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Fui hoje entregar os azulejos que me faltavam ainda fazer para o Miradouro de Santa Luzia, desta vez dez réplicas figurativas para o painel da Vista de Lisboa, da autoria de Joaquim Martins Barata, datado de 1940.

Se fazer réplicas para integrarem lacunas em painéis figurativos nunca é muito simples, neste caso a coisa foi ainda um pouco mais complicada uma vez que todos os entornos dos azulejos em falta que eu precisava se encontravam na parede, demasiado difíceis para serem levantados sem colocar em causa o seu estado de conservação. E assim, para além do acerto de cores e tonalidades de vidrados e tintas, tive de completar desenhos, linhas e manchas cromáticas e pintar as réplicas em falta de acordo com o traço, marcação e tipo de pincelada original através das fotografias que tirei no local – um pouco por aproximação e erro, à distância.

Hoje fui ao miradouro entregar e comparar os azulejos que fiz com os restantes na parede. Assim de repente parecem-me bastante bem integrados; talvez tenha de repetir um ou dois que ficaram um pouco mais claros do que os originais – espero eu, mas aguardo o parecer da fiscalização da obra.

Vim de lá bastante tranquila, mais do que esperava.

AZUL E BRANCO

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A par dos azulejos de aresta-viva com as esferas armilares, tenho andado também a tratar das experiências de cores para as réplicas dos de figura avulso existentes nos bancos do Miradouro de Sta. Luzia, em Lisboa – baseada em pequenos fragmentos que me foram entregues e que variam de tonalidades entre eles. Quer-me parecer que o mais sensato seja usar dois vidrados brancos diferentes, para as réplicas se diluírem no meio dos originais… Enfim, resultados, agora só amanhã.