4º DIA DE TRABALHO

4º dia de trabalho na Estufa Fria.

Foram feitas as consolidações e as fixações dos vidrados em destacamento e as juntas estão todas rectificadas. O registo gráfico também já está feito – os tijolos apresentam zonas em muito mau estado de conservação, principalmente aquelas que se encontram mais expostas a oscilações térmicas; existem muitas falhas de vidrado e algumas lacunas volumétricas, com alguma profundidade, que já estão a ser preenchidas. A intervenção está a correr bem – excepto quando falta a água, o que tem acontecido – mas a este ritmo e com alguma calma vamos conseguir acabá-la antes do prazo previsto.

TIJOLOS VIDRADOS

Foi-me adjudicada a proposta de intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados existentes no pórtico de entrada da Estufa Fria – um projecto do Keil do Amaral. Como sempre, tratou-se de mais um orçamento feito há algum tempo, que caiu no esquecimento (no meu, pelo menos), sem resposta nem acuso de recepção. Até agora; que, de repente, a urgência é ter o trabalho terminado ontem. Começamos na próxima quinta-feira.

SALA CAMBOURNAC

Terminámos hoje a intervenção de conservação e restauro do painel de azulejos/placas cerâmicas com a assinatura Lino António 1958; na Sala Cambournac do Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa.

A intervenção foi realizada em duas fases: a primeira consistiu no faceamento,  levantamento de emergência das três primeiras fiadas verticais do painel – que estavam em risco de destacamento da parede, apresentando já fracturas múltiplas, pequenas lacunas volumétricas e algumas falhas de vidrado -, abertura de todas as superfícies de junta e restauro dos azulejos levantados. A segunda, após reparação das paredes e das suas causas de degradação, consistiu no reassentamento dos azulejos – com argamassas tradicionais à base de cal -, limpeza integral do painel, preenchimento de falhas de vidrado e reintegração cromática e pictórica.

As superfícies de junta irão continuar abertas até ao fim do verão e do tempo mais quente; com a quantidade de água que existia nas paredes e com as oscilações térmicas naquele local, é bem possível que ocorra a cristalização de sais solúveis que não queremos que saiam pelos vidrados.

PAINEL TOPONÍMICO

Fui contactada para fazer o restauro deste pequeno painel toponímico em azulejos, pertencente a uma casa particular em Cascais. É lindo! Foi-me entregue neste estado de conservação; nem está assim tão mau, tendo em conta que não faço ideia de quem é que o terá levantado e uma vez que as argamassas dos tardozes são de média dureza – muito provavelmente já se encontrava em destacamento da parede. Para além de três ou quatro azulejos fracturados, uma pequena lacuna, meia dúzia de falhas de vidrado e algumas fissuras para consolidar, o painel não apresenta mais patologias. Nada que não se vá fazendo em paralelo com as experiências de cor para o nº 11 de Sta. Catarina  e o relatório da intervenção no Museu Militar.

CONCLUÍDO!

                      

Está concluída a intervenção de conservação e restauro dos cerca de 12800 azulejos pertencentes ao conjunto azulejar do Pátio dos Canhões no Museu Militar, em Lisboa – fiz hoje a entrega oficial. Obrigada a todos os meus colegas que ao longo destes sete meses fizeram parte da equipa: o núcleo duro – a Inês e a Margarida -, e todos os outros que, nalguma fase, também meteram a mão na massa – o Diogo, o Joaquim, o Ivo, o Loubet, a Rafaela, a Sofia, o Nuno e a Paula. Sem eles eu ficaria por lá, provavelmente, até ao fim dos meus dias…

O SR. CASTRO

O Sr. Castro tem sido uma presença constante e atenta desde o início da intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões – o Sr. Castro é motorista de um dos carros pretos e sempre brilhantes que ali costumam estar estacionados e passa muito tempo à espera de ter de ir a algum lado. O Sr. Castro acompanhou todas as fases do trabalho ao longo destes seis meses: o levantamento dos azulejos; a montagem dos painéis no chão; as colagens; a dessalinização; o reassentamento nas paredes; os preenchimentos e agora, a integração cromática. O Sr. Castro é conversador e é também um amante e um curioso  destas coisas; ao que parece, percebe de materiais e gosta, ele próprio, de meter a mão na massa e assim sendo, vai falando das «epoxes» e da cal, vai tirando apontamentos e vai dando a sua opinião. O Sr. Castro é muito simpático e prestável; foi graças a ele que fomos visitar a Sala dos Gessos e foi ele que hoje já nos veio dizer que quer organizar um almoço de despedida para a semana que vem, agora que estamos a acabar a obra. O Sr. Castro é um castiço – obrigada por tudo, Sr. Castro, vamos ter saudades suas.

REASSENTAMENTO

Comecei hoje a segunda fase da intervenção de conservação e restauro dos azulejos/placas cerâmicas pertencentes ao painel da autoria de Lino António, no Instituto de Medicina Tropical.

Os azulejos das três primeiras fiadas encontravam-se bastante fracturados e fissurados  e estavam em risco de destacamento da parede – que, por sua vez, apresentava muitos vestígios de humidade.  Durante a primeira fase da intervenção procedeu-se ao levantamento dos azulejos, limpeza de argamassas dos tardozes, consolidações e fixações pontuais de vidrados em risco de destacamento e colagem de fragmentos. Hoje, depois de um tempo de espera para tratamento da parede e das infiltrações do telhado, reassentámos os azulejos com argamassa tradicional, à base de cal e areia e daqui a uns dias voltamos lá para fechar as juntas e dar seguimento ao restauro de pequenas lacunas e falhas de vidrado.

PROBLEMA OPOSTO

De volta ao Museu Militar, agora com o problema oposto: demasiado Sol, demasiada luz e demasiado calor. Tentamos trabalhar de acordo com a sombra; de manhã na fachada Este, à tarde na Oeste. E a partir da 15h, na Norte. A fachada Sul, excepto pequenos detalhes, está terminada. A cola, agora, endurece muito mais depressa e a acetona evapora mais rapidamente. Mas já falta pouco para dar o trabalho por concluído. Muito pouco.

ESCOLA ANTÓNIO ARROIO

Acabei de chegar da Escola António Arroio, onde hoje fui dar uma palestra. Uma palestra informal, organizada por alunos do 12º ano, dentro da disciplina de Gestão das Artes e para alunos do 12º ano que estão a acabar o ensino secundário e se vêem na iminência de escolher um rumo – muitos deles, se calhar, um bocado perdidos, tal como eu estava quando acabei o 12º ano. Fui convidada na qualidade de ex-aluna da escola e a ideia era falar sobre o meu percurso desde que de lá saí. Tive plateia cheia e a coisa correu bem; mostrei fotografias do meu trabalho e estava muita gente atenta e interessada, houve muitas perguntas e respostas sobre cerâmica e principalmente, sobre conservação e restauro de azulejos. E também sobre os prós e os contras de se ser trabalhador independente. Foram quase duas horas de conversa – que eu não me calo – e acabou com uma salva de palmas. Saí de lá satisfeita e, ao que parece, eles também. Obrigada pelo convite!