EM STAND BY…

Temos os dois trabalhos parados, por motivos bastante diferentes.

No Museu Militar, os azulejos e as réplicas foram já todos reassentes e agora, com as paredes pintadas, o Pátio dos Canhões já parece outro, sem que se vejam grandes lacunas – aparentemente, o trabalho está terminado. Os painéis estão limpos, as superfícies de junta estão fechadas e os preenchimentos, exeptuando os da fachada Norte, estão todos feitos. Falta, no entanto, a integração cromática, a qual é muito complicada fazer-se com o frio que tem estado e o grau de humidade ali existente, principalmente de manhã – temos de nos lembrar que o rio é mesmo ali ao lado e chega a inundar uma das salas mais baixas do Museu. Estamos a pensar usar pigmentos aglutinados em cola; cola essa que reage muito mal com o frio e a humidade, facto pelo qual e de acordo com a fiscalização de obra, se decidiu parar até ao início da Primavera, quando o tempo começar a aquecer um pouco mais. De modo que… arrumámos o estaleiro, metemos tudo na carrinha e trouxemos as coisas todas de volta aqui para a oficina.

No 88… as réplicas estão feitas; os painéis estão todos de volta às paredes; as juntas todas betumadas; as escadas prontas com azulejos «inventados» dos que sobraram – visto que os dali tinham sido roubados quase na sua totalidade; os rodapés colocados e recolocados inúmeras vezes, os azulejos limpos e relimpos e relimpos e re…; os preenchimentos feitos e pintados, apesar de toda a poeirada e porcaria que já devem ter em cima. O que é que falta ainda? Na verdade, pouco; muito pouco, quatro ou cinco painéis do primeiro piso que ainda estão por preencher e pintar e uma tranche que supostamente teria de ser paga nesta altura – após o assentamento – e que teima em não vir, apesar de ter sido aceite nas minhas condições de pagamento.

TERMINADO

Dei hoje por terminada a primeira fase da intervenção de conservação e restauro do conjunto azulejar do 88. Cerca de 6300 azulejos, divididos por vários painéis em quatro andares, foram levantados das paredes, tratados e acondicionados provisoriamente em caixas de cartão devidamente identificadas; muito dentro do prazo previsto.  Agora, mais um dia ou dois para arrumar todo o estaleiro e levar tudo de volta para a oficina… e daqui a dois ou três meses tornar a trazer tudo de novo para dar início à segunda fase do trabalho e ao reassentamento dos azulejos na parede.

O QUE SOBRA

Fechámos ontem a última caixa dos painéis de azulejos retirados do 88. Estou satisfeita! 82 voltam, 54 permanecem no seu lugar, devidamente protegidos da brigada de destruição que arranca chão, paredes e madeiras e toda a restante memória daquele prédio pombalino – lembraram-se dos azulejos, vá lá! Dos restantes 46 painéis que ficam de fora reorganizámos todo o conjunto que irá voltar para as paredes: colmatámos lacunas; encontrámos cinco tipos de cercaduras onde outros as misturaram; retirámos inúmeras unidades que definitivamente não eram dali; substituímos azulejos em extremo mau estado de conservação devido principalmente às sucessivas empreitadas que foram acontecendo naquele prédio e que em nada os respeitaram –  antes muito pelo contrário. E agora trata-se de encaixotar todos aqueles que sobraram e que vão ser inventariados e acondicionados num armazém, ao pé de mais não sei quantos caixotes com azulejos, todos à espera de ver o que é que lhes acontece. Foi isso que começámos a fazer hoje e é o que vamos fazer amanhã.

03.02.14

Continua a saga de remoção de tintas sobre as superfícies vidradas dos azulejos dos painéis do terceiro piso lá do 88; felizmente só por mais dois ou três dias – espero! Mas o esforço compensa e os resultados são mais do que satisfatórios, como se pode ver por este painel que encaixotámos ontem com a referência «03.02.14, Completo».