CHACOTAS

Estou a tentar acabar e entregar até ao final do ano todas as encomendas que tenho em mãos e que aos poucos vou dando vazão.

O tempo tem estado húmido e é difícil secar as peças aqui na oficina, mas ainda dentro do prazo previsto, consegui enchacotar estas peças que fiz há cerca de um mês, para um painel do tipo alicatado, igual ao revestimento azulejar da Sala Árabe do Palácio Nacional de Sintra – que já tinha feito este ano e que agora me foi encomendado outra vez.

Hoje estive a preparar os vidrados azul, verde e branco; ficam a repousar para amanhã serem utilizados e na sexta conto fazer uma fornada. Com um pouco de sorte fica tudo bem à primeira, mas não acredito que não haja peças com pequenos defeitos de vidrado e portanto ainda tenho margem para fazer retoques na próxima segunda-feira, enfornar e cozer de novo durante o Natal e ter tudo pronto dia 27, quando tenciono fechar a loja e voltar no ano novo, com novos projectos fresquinhos e a estrear.

 

ALICATADOS

Acabei finalmente a manufactura de todos os azulejos que me foram encomendados para a nova cafetaria do Palácio Nacional de Sintra.

Na sua maioria, foram azulejos manuais lisos, quadrados, de várias dimensões e também alguns frisos, uns mais curtos e outros mais longos, para forrar o balcão e as mesas altas, e ainda uma série de paralelogramos para compor um painel de tipo alicatado, baseado no revestimento azulejar da Sala Árabe, que apresenta uma composição geométrica de efeito tridimensional, e que irá decorar a parede de entrada.

ENCANASTRADO

 

Na recta final e ainda a verificar resultados das réplicas de azulejos quinhentistas que tenho andado a fazer para o Palácio Nacional de Sintra.

Aqui duas reproduções que apresentam, de forma simplificada numa peça só, um pequeno troço da moldura em azulejos da porta da Sala das Sereias, originalmente do tipo alicatado – técnica que consistia em cortar com um alicate pequenos fragmentos de placas de barro vidradas. Estes fragmentos tinham formas mais ou menos geométricas e, depois de recombinados, formavam pequenos painéis decorativos; neste caso, com um motivo encanastrado.

 

 

 

 

 

ROSA DOS VENTOS

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Saiu hoje do forno o pequeno painel cerâmico com uma Rosa dos Ventos que fiz em estilo alicatado e que já tinha falado antes aqui.

Cada peça foi cortada à medida, vidrada com uma cor diferente e pintada à mão com o nome de cada vento – de acordo com o projecto que me foi dado.

Está pronto a ser entregue e a seguir directamente para um terraço em Castelo de Vide.

ALICATADO

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Entre a manufactura de fragmentos cerâmicos, a elaboração de desenhos, a preparação de três ou quatro vidrados brancos com tonalidades diferentes e a pintura de réplicas para os painéis do Museu do Azulejo, tenho andado também a trabalhar – muuuuito devagarinho – neste projecto que me foi encomendado em pleno Agosto, o qual avisei desde logo que iria demorar até estar pronto.

Trata-se de um pequeno painel cerâmico com 30x30cm que propus fazer em alicatado; técnica que remonta aos séculos XVI e XVII e que consiste em agrupar pedaços de ceramica vidrada, cortados com diferentes tamanhos e formas, sendo que cada pedaço  é monocromático e faz parte de um conjunto de várias cores, mais ou menos complexo – neste caso, forma uma Rosa dos Ventos.

Neste momento tenho todas as peças cortadas e após algumas experiências, os vidrados também já estão escolhidos – foi-me dada inteira liberdade com os tons, desde que seguisse  as cores do desenho original. Agora falta vidrar peça a peça e depois pintar em cada uma o nome de cada vento. E depois cozer e esperar que corra tudo bem.

Estou contente; é giro este projecto – e finalmente entendi o significado de Tramontana.

BRANCO

Preciso de vidrar catorze chacotas manuais que fiz para integrarem um vão de janela com azulejos alicatados na capela do Palácio da Pena. Uma coisa simples; mais simples ainda,  aparentemente, quando se tratam de azulejos brancos. Pois é precisamente aqui que está o problema: o branco é uma das cores mais difíceis de se obter quando se trata de fazer réplicas. Há o branco azulado; o branco acinzentado; o branco rosado; o branco amarelado e uma séries de outros brancos; com mais grão ou com mais brilho ou mais acetinado. Comecei hoje a segunda leva de experiências de cor – tem de se começar por algum lado e só depois de se verem resultados é que se podem aperfeiçoar os tons – e, já que estou com a mão na massa, aproveito para que fiquem para mostruário, usando placas de experiências feitas para o efeito, em barro branco e em terracota, uma vez que a cor do barro interfere na cor do vidrado. 

ALICATADOS

Fui contactada pelo Palácio da Pena para executar algumas réplicas que colmatem uma pequena lacuna existente no vão da janela da capela. Tratam-se de azulejos alicatados, brancos. Fiz as chacotas a semana passada e agora estou à espera que sequem, o que não é fácil,  dada a humidade existente aqui na oficina…