GRÉS

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Andava há que tempos para experimentar um pacote de grés que comprei há uns meses e que ainda não tinha tido oportunidade de usar – na altura fiz um teste de retracção e cozi-o a alta temperatura; gostei da cor final e do aspecto de pedra com que fica, mas nada; fechei o pacote e ali ficou, até ver.

As ideias eram mais do que muitas – pequenas taças, vasos, porta velas; tudo ainda um pouco vago e sem projecto nenhum – e antes que o barro secasse completamente, resolvi fazer novos relógios de sol, mas agora mais pequeninos; ideais não só para um jardim, pátio ou quintal, mas também para uma varanda ou parapeito de janela.

E para já estou muito contente com os resultados!

QUASE PRONTOS

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Depois de mais de um mês (quase dois!) à espera que secassem, consegui finalmente fazer a primeira fornada com os meus novos relógios de sol – pode-se dizer que são objectos relativamente grandes e grossos e a secagem deve ser muuuito lenta (o que não é difícil com o frio e a húmidade que tem estado) de modo a que não empenem e principalmente, não se partam durante a primeira fase da cozedura.

Estou muito satisfeita. Andava há que tempos com vontade de fazer umas experiências com óxidos metálicos em alto fogo, para aplicar nos relógios de sol (e não só) e estes são os primeiros resultados, acabados de desenfornar – resultaram.

Amanhã tenho de cortar varetas de aço inoxidável  para aplicar como gnómons e depois estão prontos, mesmo a tempo de os levar para o Mercados no Museu, que vou fazer no sábado – e se tudo correr bem, estará um dia de sol.

ÓXIDOS METÁLICOS

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Tenho andado ocupada com mil e uma coisas – entre elas os meus novos relógios de sol, que finalmente parece que já estão secos e prontos a cozer a 1250º.

Entretanto e aproveitando esta maré do alto fogo, tirei hoje do forno uma série de experiências que entretanto fiz com barro refractário, porcelana, grês e óxidos metálicos – estou aqui com umas ideias novas, que acho que vão resultar bem.

JOSÉ MARIA DA FONSECA

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Ontem fui a Vila Nogueira de Azeitão, às caves dos vinhos produzidos pela José Maria da Fonseca – contactei-os aqui há uns tempos no sentido de lhes mostrar um baixo-relevo que fiz, em barro refractário, baseado na azulejaria relevada do séc. XVI.

Tenho tido estas peças guardadas, sem saber bem o que lhes fazer; quando fiz o protótipo original estava a pensar em lojas ligadas ao património, mas na altura, o então IGESPAR recusou-as, uma vez que elas não se referiam a nenhum dos monumentos sob a sua alçada – como as outras que lá tenho  – e elas ali ficaram, guardadas, à espera de qualquer coisa que fizesse sentido.

Ontem fui entregar 10 unidades à Loja de Vinhos da José Maria da Fonseca. Parece-me fazer todo o sentido que um apreciador de vinho ofereça ou receba uma boa garrafa de vinho juntamente com uma peça alusiva ao mesmo tema.

Mas isto digo eu, que não percebo nada do assunto.

ÚNICA

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Está pronta e prestes a ser entregue a peça única que fiz, em cerâmica. Trata-se de uma floreira, ou jarra – não sei bem; mas dá para meter flores – baseada numa primeira, dentro do mesmo género, que fiz já há algum tempo e que está na loja A Roda da Fortuna, em Évora. Tal como a outra, esta peça é feita em barro refractário, mas agora resolvi aplicar também alguns engobes, óxidos e vidrados de alto fogo.  E fiquei satisfeita com o resultado.

1260ºC

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Preparo-me para fazer uma fornada de vidrados de alto fogo, a 1260º. Aproveitando a deixa de ter de cozer a peça que me encomendaram, vão na mesma fornada algumas taças setecentistas – finalmente! – e também os vasos para ervas aromáticas, que tenho curiosidade em ver como ficam. Resultados depois de amanhã.

AZUL E BRANCO

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Estou muito satisfeita: depois de alguma leitura e experiências com pastas coradas de alto fogo, finalmente consegui ultrapassar umas questões técnicas que me estavam a dificultar o trabalho com as peças setecentistas que eu andava a fazer e que tinha abandonado provisoriamente. Agora posso recomeçar.

ALTO-FOGO/BAIXO-FOGO

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Continuo com a minha saga de fazer experiências de cor para obter vidrados – de baixo e de alto fogo; uns para um tipo de peças, outros para outro. Na verdade, os que mais me interessam são os de alto fogo, uma vez que se aplicam ao barro refractário com que quero trabalhar; mas, aproveitando que hoje vou fazer uma cozedura de vidrados de baixo fogo, vão também alguns testes junto, sempre se aproveita a mesma fornada. Basicamente são as mesmas receitas, mas aplicadas a dois tipos de vidrados base com composições diferentes. Sempre quero ver no que dá.

ENTUSIASMADA

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Já percebi que a minha relação com estas coisas da cerâmica é muito instável – tenho dias de grande entusiasmo e outros de desalento. E pronto, de uma vez por todas, não há dias «sem nada para fazer». Há sempre que fazer e os dias sem nada para fazer são para fazer aquilo tudo que não se faz nos dias com coisas para fazer – para evitar correrias e stresses  quando de repente acontece alguma coisa; porque nisto da cerâmica, como em tudo, aliás, depressa e bem, não há quem.

Ontem tive um dia desmoralizante: a fornada que tinha feito correu mal e os vidrados dos azulejos que lá estavam ficaram uma vergonha – ainda estou para saber porquê, nas amostras tinham ficado bem. A partir daí só fiz disparates – mais – e acabei por perder um tempo que neste momento não me convinha nada. Saí da oficina a pensar «por que raio é que me meti nisto» e «assim não vale a pena, caramba».

Hoje o dia rendeu bastante: preparei umas trinta receitas de vidrados de alto fogo – dentro em pouco vou cozer as minhas taças, a 1250º, e quero aproveitar a mesma fornada – e fiz dois vidrados novos, para as taças setecentistas, que depois vidrei. E claro, pensei nas imensas ideias novas de tudo o que tenho para fazer.

Estou entusiasmada.