ASSENTAMENTO

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Acabámos hoje o assentamento dos azulejos neo-clássicos na Academia Militar – eu e o Sr Zé Diogo.  As juntas já estão fechadas e os vidrados limpos. Agora já não falta muito; preenchimentos de falhas de vidrado – poucos – e integração cromática.

LEVANTAMENTO DE AZULEJOS

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Na semana passada estive ocupada com um pequeno trabalho de levantamento dos silhares de azulejos das paredes Norte, Este e Sul da sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa. Os silhares encontravam-se em mau estado de conservação, com muitos vestígios de intervenções anteriores: inúmeros azulejos não pertencentes nem àquele conjunto nem àquela época; superfícies de junta fechadas com cimento, azulejos assentes em cimento, claro está e ainda inúmeras falhas de vidrado e fracturas simples e múltiplas. Para agravar a situação, a forte presença de humidade nas paredes, que se faz sentir em toda a sala (não nos podemos esquecer que a antiga Ribeira de Arroios passa ali por baixo, a poucos metros de profundidade) e visível nas argamassas de assentamento principalmente da parede Este, que se encontravam encharcadas, tal como o corpo cerâmico dos azulejos aí existentes.

De qualquer modo, a intervenção pedida – o levantamento dos azulejos, originais do séc. XVIII – está concluída.

Os azulejos foram retirados da parede, os seus tardozes foram limpos superficialmente, na medida do possível – muitos apresentavam argamassas demasiado carbonatadas ou argamassas à base de cimento, o que em ambos os casos significa quase o mesmo; ou seja, um elevado grau de dureza -, as fracturas foram coladas provisoriamente, apenas para que os fragmentos não se percam e por fim os azulejos foram acondicionados em caixas de plástico até que a sacristia sofra todas as obras que precisa e se decida o que fazer com eles. Mas para já, estão a salvo.

ABÓBADA NÚBIA

Neste fim-de-semana que passou – sábado e domingo – participei no módulo prático «Adobo, arcos e abóbadas» da Oficina da Primavera, promovido pela Associação Centro da Terra. Como objectivo (atingido!) tinha-se a construção de uma abóbada núbia, técnica arquitectónica ancestral, proveniente do alto Nilo. Aprendi a fazer adobos e a amassar a argamassa de terra com os pés. E que 80% dos solos são bons para construir com a própria terra. E também o que é um arco de catenária e expressões como «arquitectura monolítica» e «arquitectura de compressão». E no fim pude confirmar uma das vantagens da construção em terra crua: apesar do caloraço que se fazia sentir, lá dentro estava muito mais fresco – sem ar condicionado, nem qualquer consumo de energia.

Mais fotografias em Tardoz, no facebook.

SALA CAMBOURNAC

Terminámos hoje a intervenção de conservação e restauro do painel de azulejos/placas cerâmicas com a assinatura Lino António 1958; na Sala Cambournac do Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa.

A intervenção foi realizada em duas fases: a primeira consistiu no faceamento,  levantamento de emergência das três primeiras fiadas verticais do painel – que estavam em risco de destacamento da parede, apresentando já fracturas múltiplas, pequenas lacunas volumétricas e algumas falhas de vidrado -, abertura de todas as superfícies de junta e restauro dos azulejos levantados. A segunda, após reparação das paredes e das suas causas de degradação, consistiu no reassentamento dos azulejos – com argamassas tradicionais à base de cal -, limpeza integral do painel, preenchimento de falhas de vidrado e reintegração cromática e pictórica.

As superfícies de junta irão continuar abertas até ao fim do verão e do tempo mais quente; com a quantidade de água que existia nas paredes e com as oscilações térmicas naquele local, é bem possível que ocorra a cristalização de sais solúveis que não queremos que saiam pelos vidrados.

REASSENTAMENTO

Comecei hoje a segunda fase da intervenção de conservação e restauro dos azulejos/placas cerâmicas pertencentes ao painel da autoria de Lino António, no Instituto de Medicina Tropical.

Os azulejos das três primeiras fiadas encontravam-se bastante fracturados e fissurados  e estavam em risco de destacamento da parede – que, por sua vez, apresentava muitos vestígios de humidade.  Durante a primeira fase da intervenção procedeu-se ao levantamento dos azulejos, limpeza de argamassas dos tardozes, consolidações e fixações pontuais de vidrados em risco de destacamento e colagem de fragmentos. Hoje, depois de um tempo de espera para tratamento da parede e das infiltrações do telhado, reassentámos os azulejos com argamassa tradicional, à base de cal e areia e daqui a uns dias voltamos lá para fechar as juntas e dar seguimento ao restauro de pequenas lacunas e falhas de vidrado.

WORKSHOP

Lusitânia, Teatro romano, Mettelinium, Afrescos, Conímbriga, Domus Aurea, Dolomite, Agregados, Areias siliciosas, Calcite, CaCo3, Ammaia, Pozolanas, Carbonatação, Aglutinante, Pirolusite, Óxidos, Cinábrio, Arsenikon, Massicote, Mínio, Branco de chumbo, Lápis-lazuli, 480º, Jazidas, Cré, Minas de S. Domingos, Negro de osso, Vitrúvio, Opus Caementicium, Casca de arroz, Calcário, Reboco, Pedreira, Leite de cal, Estuque, Verdigris.

CONDUTIVÍMETRO

5º dia de dessalinização do painel Ni-2, no Museu Militar. Tal como se esperava, os azulejos estavam cheios de sais e o condutivímetro tem apresentado valores muito elevados – mais de 4000 micro Siemens; o que, para já, obriga a mudanças diárias de banhos. Curiosamente, as filas superiores apresentam valores muitíssimo mais elevados – chegaram aos 8000 micro Siemens – o que corrobora a ideia deste problema, aqui, ser causado principalmente pela infiltração de água vinda da caleira superior em mau estado e também pelo tubo interno dentro da parede, com a manilha partida, que descarregava água constantemente no tardoz dos azulejos; não ascendendo os sais por capilaridade, como tantas vezes acontece. A parede, entretanto, já foi picada até à sua estrutura; a manilha foi substituída; a caleira está arranjada e o novo reboco, à base de cal e areia lavada, já está feito. Agora é esperar que os valores da condutividade dos banhos baixem até serem considerados irrelevantes e os azulejos estão prontos para serem reassentes. O que vai demorar, seguramente, mais umas duas semanas.

SAIS CRISTALIZADOS

Depois de vários anos assente numa parede com infiltrações de água vindas de uma caleira superior em muito mau estado e também de um tubo interno, cuja manilha em grés, se encontrava partida sabe-se lá há quanto tempo, era natural que o painel Ni-2 se encontrasse em muito mau estado de conservação. O facto dessa parede estar, ainda por cima, rebocada com argamassas à base de cimento e revestida a tinta plástica também não ajudou e claro que as juntas fechadas e os preenchimentos feitos com massas de elevado grau de dureza também não. Os sais solúveis existentes no corpo cerâmico cristalizaram aos primeiros raios de sol e não tiveram outro remédio senão sair pelas falhas e fissuras dos vidrados dos azulejos ainda na parede; por incrível que pareça, o elo mais fraco para eles saírem, uma vez que todo o painel se encontrava hermeticamente fechado, dando origem a novas falhas e destacamento de mais vidrados. Agora, depois de levantado todo o painel, é vê-los a aparecer nos tardozes e nas superfícies laterais dos azulejos – sempre se evitam danos nas superfícies vidradas. Para a semana, o painel entra integralmente em dessalinização e a partir daí podemos contar com umas três ou quatro com os azulejos dentro de água, medições de condutividade e mudança regular de banhos. Assim mais ou menos como pôr o bacalhau de molho.

EXTRA, EXTRA!

Após conversações várias e alguma choraminguice para eu baixar o meu orçamento – o que me irrita ligeiramente -, começámos hoje os trabalhos extra lá no 88. Trata-se de cerca de mais 1300 azulejos para levantar, distribuídos por pequenos painéis e que supostamente seriam para tratar in situ e proteger, uma vez que irão voltar exactamente para os mesmos lugares. A coisa teria lógica, não fossem alguns azulejos encontrarem-se em risco de destacamento, com as argamassas em desagregação, facto que se agrava ainda mais com as intervenções que a brigada da destruição já está a fazer no resto do edifício. Segundo as minhas contas, serão mais sete dias de trabalho, não contando com o Loubet nem com o Ivo, que continuam no Pinhão. Para já, pode-se dizer que as coisas estão a correr bem, hoje conseguimos tirar cerca de 750 azulejos das paredes; ou seja, metade do previsto…