SÓ UM

Continuamos a encaixotar painéis de azulejos lá no 88; limpos de argamassas e vidrados, colados e reorganizados, prontos para mais tarde voltarem para a parede. Dos 82 painéis que vão voltar, amanhã fechamos mais três e fica só a faltar um! Estou muito satisfeita com este trabalho e principalmente com a minha equipa, que se tem revelado com bom espírito de entreajuda, para além de ser responsável e trabalhar bem. Hoje recebemos todos bastantes elogios (e não é a primeira vez!) tanto da empresa que nos contratou como dos donos do prédio – acho que eles não estão habituados a que se cumpram os prazos…

AZULEJOS DE RODAPÉ

Continuamos a encaixotar painéis de azulejos prontos para saírem lá do 88. O trabalho segue a bom ritmo e os levantamentos estão terminados; agora é só uma questão de tratar dos azulejos – limpar as argamassas, limpar os vidrados e colar fracturas. Optámos por deixar para o fim os azulejos de rodapé, que na maior parte dos casos e em todos os pisos se encontravam metidos cerca de dois centímetros dentro do soalho, o que dificultou a sua remoção da parede, para além de muitos já estarem fracturados. Curiosamente, neste prédio as cores dos azulejos de rodapé variam bastante do que é normal, sendo as mais comuns o azul e o manganês e não parece ter havido nenhuma lógica para a sua utilização, pois estão um pouco misturadas pelas várias salas de cada andar. Vamos encaixotá-los todos juntos, à parte e por cores.

BALANÇO

Apesar de ser domingo, só hoje tive tempo para fazer o balanço da semana de trabalho que passou lá no 88. Aproveitando o facto de o Loubet e o Ivo estarem no Pinhão, esta semana serviu sobretudo para tratar e organizar tudo o que já estava levantado, antes de   começarem a chegar mais azulejos e instalar-se a confusão total: limpeza de argamassas, limpeza de vidrados, limpeza de fracturas, colagens de fragmentos e montagem final de painéis no chão, com reorganização dos azulejos em falta, reorganização de azulejos de cercadura e rodapé e substituição de casos em muito mau estado de conservação por outros idênticos retirados dos painéis que não vão voltar para a parede. Para não falar na tarefa mais morosa da semana, que nesta fase já vai também bastante adiantada – remoção de tintas sobre as superfícies vidradas, tanto em painéis ainda nas paredes do 3º piso, como em azulejos soltos; com aplicação de duas ou mais camadas de decapante de forte cheiro.

Resumindo: neste momento temos cerca de 15 painéis completamente prontos e fechados para serem encaixotados e todas as tarefas mais complexas e morosas praticamente terminadas. Fazendo o balanço ao fim de dez dias de trabalho, não me posso queixar; a obra está a correr bem e as tarefas mais complicadas estão quase despachadas. Há espírito de equipa e toda a gente faz o seu melhor. Mais uma vez, estão todos de parabéns!

LIMPEZA POR VIA HÚMIDA

Esta semana não vamos levantar azulejos das paredes lá do 88; temos muitas outras tarefas para adiantar e às tantas o espaço  livre começa a ficar bastante condicionado – felizmente na próxima quinta-feira chegam os caixotes e a partir daí os primeiros painéis podem começar a ser despachados dali para fora. Hoje começámos a limpeza de vidrados por via húmida e temos ainda muita tinta para remover com decapante, tanto de alguns painéis do 3º piso como de uma série de azulejos soltos. Para não falar nas inúmeras colagens de fragmentos, na maioria de azulejos que já se encontravam fracturados na parede, nem na limpeza das argamassas dos tardozes, essa tarefa sempre tão criativa e estimulante…

TODOS DE PARABÉNS!

Rendeu bem esta primeira semana de trabalho lá no 88: cerca de 2800 azulejos tirados da parede – 5º e 4º piso despachados e 3º quase, quase!-, aproximadamente 1000 limpos de argamassas e vários silhares do 3º piso limpos da tinta que os cobria integralmente. A minha equipa está de parabéns! Neste momento já temos armazenados todos os painéis que não vão voltar para a parede, o que nos vai permitir a substituição de muitos azulejos que estavam em mau estado de conservação, com fracturas múltiplas e algumas lacunas e ganhar algum tempo com tarefas posteriores, que assim já não fazem sentido: colagem de fragmentos, preenchimento e nivelamento de pequenas lacunas e falhas de vidrado e integração cromática.

E agora, fim-de-semana, para toda a gente arejar a cabeça!

CARNAVAL?

Não, não estou mascarada de trolha, hoje iniciei o trabalho de conservação e restauro do conjunto azulejar do prédio nº 88! Lá fui sózinha e correu tudo muito bem! Comecei pelo quinto piso e a ideia é vir de cima para baixo e desimpedindo cada andar para se fazerem as obras de construção civil que estão previstas já sem os azulejos na parede. Hoje estive a verificar as plantas do prédio todo e também as referências dos paineis,  piso a piso, sala a sala e ainda a posição de cada painel dentro de cada sala. Tem de bater tudo certo e ser tudo muito organizadinho, para depois não haver confusão quando os azulejos tiverem de voltar para a parede. Depois de etiquetar todos os azulejos  do 5º andar, segundo a marcação pré-definida, ainda consegui tirar da parede uns noventa, o que está muito bem para trabalho de uma tarde. As argamassas são brandas, o que é um alívio e as juntas também não são complicadas. Portanto, nesta fase, só faltam levantar cerca de 6200 azulejos, ou seja, praticamente  nada…

ARGAMASSA TRADICIONAL

Acabei de chegar do Palácio Centeno, onde fui substituir dois azulejos em muito mau estado de conservação por duas réplicas. Estive a fazer de trolha, o que, de vez em quando me sabe bem: picar rebocos, fazer argamassa, chapar massa na parede. Mas como não sou trolha mesmo a sério, não consigo ter a noção de quanta argamassa precisava e então fiz imensa quantidade. Bom, o que vale é que como é à base de cal aérea e areia lavada, se a cobrir com água, já aqui fica para um próximo trabalho…

CAPELA DO SENHOR DOS AFLITOS

Em 2002 eu e o Loubet fomos contactados pela delegação do IGESPAR de Évora para irmos fazer um trabalho na Capela do Senhor dos Aflitos, dentro do castelo de Campo Maior. Tratava-se de levantar da parede sete ou oito silhares de azulejos, de origem desconhecida e completamente trocados. Depois do levantamento, trouxemos os azulejos aqui para a oficina, removemos as argamassas dos tardozes, consolidámos falhas de vidrado e colámos fracturas e depois, com grande paciência, organizámos os puzzles, ainda conseguindo formar uma série de desenhos, apesar de terem ficado soltos uma série de azulejos com caras de anjos, concheados e bases de colunas, que não entravam em lado nenhum. O que nos tinha sido proposto, nessa fase, estava terminado e guardámos os azulejos em caixas devidamente identificadas por painéis e motivos soltos.

Entretanto, a pessoa que nos tinha contactado saiu do IGESPAR e na altura de entregar os azulejos, ninguém sabia bem com quem se deveria tratar do assunto e depois foi havendo várias mudanças no IGESPAR e nas Delegações Regionais, pelo que os azulejos aqui foram ficando, encaixotados e bem guardados num cantinho. Até que hoje, finalmente, veio alguém de Évora cá buscá-los. Ao que parece e, se tudo correr bem, porque não há dinheiro para nada e muito menos na cultura, a ideia é montá-los em suporte móvel de acrílico e talvez voltem para a capela de onde saíram. Espero bem que sim; a ver vamos.