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Painel de azulejos apresentado no âmbito da exposição RE7 By the Nest, baseado na malha urbana de um dado lugar, feita pela conjugação de edifícios e infra-estruturas existentes e de espaços vazios, não edificados.
140cmx140cm
Sexta-feira passada recebi um telefonema a convidar-me para participar numa exposição que irá inaugurar hoje e que estará em exibição durante sete dias; que tinham visto o meu trabalho no meu site e que tinham gostado muito e que gostariam muito que eu participasse com as peças que quisesse, bastando apenas enviar o nome das mesmas e uma pequena sinopse para cada uma.
Explicaram-me depois que se trata de um evento cultural organizado e promovido por uma agência imobiliária, a Louvre Properties, cujo objectivo é representar a simbologia do renascimento de um edifício no centro de Lisboa. O evento chama-se RE7 By The Nest e conta com 7 expressões artísticas, distribuídas por 7 pisos, durante 7 dias – ao fim dos quais o edifício entra em obras e terá uma nova vida.
Expliquei que não, que agradecia muito o convite, mas que eu não era nenhuma artista; que o meu trabalho é essencialmente realizado no âmbito de intervenções de conservação e restauro de azulejos e que basicamente o que faço vai para as paredes anonimamente e que não tenho praticamente criação própria nem nenhum espólio guardado para expor.
Mas depois de abrir todos os armários aqui da oficina encontrei os azulejos baseados no Movimento Moderno da arquitectura portuguesa, que criei há alguns anos e que por sorte tinha uns quantos já vidrados e outros apenas enchacotados, à espera de algum vidrado que lhes ficasse bem, de acordo com a encomenda de quem os quisesse levar – o que nunca aconteceu.
De modo que, algumas insónias e algum trabalho mais tarde, consegui criar um painel de azulejos cujo nome e sinopse explicativa têm a ver com este evento em concreto, e que desta forma conferem a este conjunto de azulejos antes soltos, o estatuto de “peça”, onde agora cada um deles tem uma posição própria dentro do todo, com a devida marcação alfa-numérica no tardoz.
E que neste momento já está montado no local, à espera da inauguração da exposição, que ocorrerá daqui a três horas e de ser visto nos próximos sete dias.
A questão agora é – vou de saltos altos ou quê?
Hoje estive a gravar o protótipo de um azulejo em meio relevo, o mais parecido possível com este original que me entregaram para eu fazer a produção de cerca de cem réplicas – e que estava parado há já algum tempo ali na prateleira, à espera de ordem para avançar.
Confesso que esta tarefa de modelar e gravar é de todas a que mais me agrada fazer; fico obcecada e não consigo parar para a pausa do chichi ou a do lanchinho a meio da manhã ou até mesmo para o almoço – hoje fui safa pelo carteiro, que felizmente apareceu com uma carta registada para eu assinar, já passava das duas da tarde e foi quando aproveitei para comer, em pé e a olhar para o trabalho, quase a intercalar as garfadas com os acabamentos com o teque de corte.
Sou uma privilegiada, eu sei.
Terminei a manufactura do painel de azulejos que fiz para a ALMA Portuguesa, uma loja com projecto da arquitecta Sofia Torres Pereira que, se tudo correr tão bem como esta produção, abrirá ainda este mês em Bordéus.
O painel é grande – vi-me aflita para o montar aqui no chão da oficina e mais ainda para o fotografar -; tem 221 azulejos, feitos e pintados à mão um a um, de acordo com o desenho que me foi entregue. O próximo passo será acondicionar os azulejos em caixas devidamente marcadas e entregá-las à transportadora que as levará para França.
Estou muito satisfeita com o resultado deste trabalho; fico ansiosa para ver fotografias dos azulejos na parede!
Tenho andado atarefada com a manufactura do painel para a loja ALMA, em Bordéus. As cores que ensaiei já foram escolhidas e aprovadas e os primeiros azulejos já se podem ver. A pintura da padronagem não é difícil, mas requer algum cuidado e organização da minha parte, para tudo bater certo com o projecto que me foi entregue. De qualquer modo e, para já, tudo anda a bom ritmo e a par de outros trabalhos que tenho em mãos.
Não sei bem como, mas de repente – e aproveitando a deixa de começar a criar os meus próprios azulejos para decoração de cozinha, que já falei aqui -, desatei a fazer pequenos azulejos manuais baseados em pictogramas, símbolos e abreviaturas conhecidos e usados comumente um pouco por todo o lado.
A ideia, para já, é fazer uma série de pequenos conjuntos de 4 azulejos que relatem algo, que transmitam alguma ideia; que contem uma história – um pouco à laia de banda desenhada; neste caso e literalmente, à laia de histórias aos quadradinhos.
E agora confesso que ando obcecada com isto e não consigo deixar de ter ideias e de as produzir e quanto mais as produzo, mais ideias tenho e quanto mais ideias tenho, mais quero produzi-las.
Conclusão: muitos anos a pintar anjinhos, folhas de acanto e volutas dão nisto.
Aqui há uns tempos fui desafiada para criar pequenos conjuntos de 4 azulejinhos manuais, pintados, com 7x7cm cada, para servirem de decoração de cozinha. Lembrei-me imediatamente daqueles pequeninos que faço, baseados na azulejaria tradicional portuguesa – que são tããão giros! – e quando os mencionei, disseram-me que sim, que “podiam ser esses e também outros, quaisquer outros que eu quisesse criar”.
Neste ponto confesso que bloqueei – mais de vinte anos a trabalhar em conservação e restauro de azulejos, dentre os quais os últimos seis ou sete foram dedicados a pintar réplicas para monumentos e edifícios, dão nisto. “Outros quaisquer, que eu quisesse criar… ” Como assim? Mas que mais é que se pode pintar em azulejo que não seja baseado na azulejaria tradicional portuguesa? Impossível, NÃO HÁ NADA!!! Ok, ok, bem sei que já criei uma série de azulejos diferentes – que se podem espreitar aqui – mas enfim, era outra coisa; eram azulejos relevados, não eram azulejos pintados.
Depois, aos poucos, lá fui raciocinando, claro; cozinha… cozinha…; o que é que tem a ver com cozinha?, o que é que pode ter a ver com cozinha?; e as ideias começaram a surgir; primeiro devagar, depois mais depressa e depois em catadupa; sempre com a cabeça a mil e o entusiasmo de produzir, produzir!, de modo a quase ter de ser arrancada aqui da oficina.
E pronto; aqui estão eles; os primeiros resultados – azulejos manuais, pequeninos, pintados com estampilha.
E agora já tenho mais ideias novas.
Finalmente consegui acabar – e entregar e montar – o projecto da moldura em azulejos que me encomendaram aqui há uns tempos para o espelho de um balneário de piscina e que entretanto tive de interromper, mas que já tinha falado aqui antes.
Depois de dar muitas voltas à cabeça, acabei por utilizar chacotas indústriais, cortadas de diferentes tamanhos, de modo a perfazer as dimensões pretendidas – 70x55cm – e vidrar umas com azul cobalto transparente de modo a contrastarem com as outras, pintadas com tintas de alto fogo sobre vidrado branco.
O clássico azul e branco – mas um pouco diferente.
Mais fotos na minha página da Tardoz, no facebook.
Está terminado o assentamento do painel de azulejos que fiz sob encomenda para o lago do jardim do Goethe-Institut, em Lisboa.
O pedido foi-me feito há cerca de um mês e fui logo avisada de que havia alguma pressa, convinha que tudo – leia-se manufactura e assentamento – estivesse pronto dia 27 de Maio. E pretendia-se movimento, algo com movimento.
Em tempo record e apesar da pouca experiência que tenho em fazer painéis de raiz e muito menos tão livres como este, consegui fazer o projecto, organizar, pintar e cozer 920 azulejos. E ainda coordenar o assentamento. E acabar dois dias antes do fim do prazo.
Estou muito satisfeita! Agora só falta juntar a água.
(Já agora aproveito para agradecer o contacto à Julinha, a ajuda ao Adrian e a estereotomia ao Pedro!)
Curiosamente tive há algum tempo uma outra pequena encomenda – a juntar ao painel da espiral – de algo totalmente novo e diferente daquilo que costumo fazer e que estou habituada.
Trata-se de uma moldura em azulejos para um espelho com 70x55cm, para um balneário de piscina e as indicações que tive foram apenas para que fosse a azul e branco, com motivos marinhos e com pontas assimétricas – assim como eu quisesse, que ficava ao meu critério, “a artista és tu”.
Isto de ser-se “artista” não é fácil – principalmente quando o grosso do nosso trabalho se trata de fazer restauro e réplicas – de modo que me fartei de puxar pela cabeça. O facto do espelho ser rectangular estava-me a condicionar o raciocínio – fiz vários esboços e nada; compliquei bastante a coisa e ainda assim, nada. O raio das pontas assimétricas estavam a dar-me algum trabalho e andei mais de um mês a pensar e repensar este tema sem que a ideia brilhante aparecesse.
Depois, assim como quem não quer a coisa, ela surgiu. Não sei bem como nem porquê, resolvi usar umas chacotas indústriais para frisos que estavam cá na oficina há mais de dez anos e que se arriscavam a cá ficar mais outros tantos. E depois, com a máquina de corte, comecei a cortar rectângulos de vários tamanhos e a formar a composição que de repente apareceu clara na minha cabeça.
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