REVIVALISMO

Estou satisfeita com as chacotas que fiz desta réplica de um dos inúmeros azulejos em relevo executados pela extinta Fábrica de Massarelos, em meados do séc. XIX e que, por razões óbvias, podem ser encontrados a cobrir tantas fachadas de edifícios do Porto e do norte do país em geral.

Em laia de curiosidade, descobri agora que estes azulejos em relevo são designados como sendo de produção semi-industrial, uma vez que a tecnologia empregada no seu fabrico era ainda muito próxima à da manufactura e os motivos decorativos tinham um cariz revivalista, inspirado em padronagens e paletas cromáticas utilizadas em períodos anteriores. A repetição de um elemento para formar um módulo de padrão simples e o uso das linhas diagonais foram soluções estilísticas recorrentes nas padronagens pombalinas e o emprego do amarelo e branco provém dos tons característicos da paleta cromática do séc. XVII. É engraçado como nunca tinha pensado nisto antes, mas agora faz-me todo o sentido.

Voltando a estas réplicas e como já disse antes, estou satisfeita com os resultados. Ao contrário dos azulejos originais, os meus foram produzidos totalmente à mão. Estão enchacotados e prontos a entregar, tal como me pediram, para depois serem vidrados como bem o entenderem. Não houve nenhuma baixa, mas alguns deles estão um pouco mais tortos e empenados do que aquilo que eu gostaria; fruto da secagem, com certeza e talvez também do tipo de barro que utilizei. Para a próxima tenho de usar uma pasta com chamote, para evitar este tipo de problemas.

2/3

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Estou aproximadamente a 1/3 do fim da pintura do painel de azulejos que me encomendaram para decorar uma parede exterior com um bebedouro para cavalos.

Habituada – e formatada- como estou a fazer réplicas para obras de restauro de azulejos, confesso que este desenho livre me está a dar um pouco de água pela barba e a demorar mais tempo do que aquilo que eu previa: custa-me descolar da azulejaria tradicional portuguesa; não costumo desenhar; não sou uma pintora de painéis de azulejos; não tenho por onde me basear e não sei fazer paisagens nem cavalos, muito menos a azul e branco.

Como há sempre uma primeira vez para tudo, recorro às noções de desenho que me ficaram da escola e de um ou outro curso que fiz depois dela e ainda da leitura assídua de banda desenhada e também à teoria que o meu avô Ernesto me ensinou sobre pintura com aguarelas, que se pode assemelhar à pintura de azulejos a azul e branco – pintar sempre dos tons mais claros para os mais escuros.

E assim avanço lentamente, a pouco e pouco. Apesar de me terem dito que o painel poderia ser rústico, não me apetece que fique nenhum mamarracho.

HÁ SARDINHAS

Em tempo record, talvez umas dezasseis horas mal contadas a partir de sexta-feira passada, consegui desenhar duas propostas de sardinhas para o Concurso Sardinhas Festas de Lisboa’12, baseadas na azulejaria portuguesa (claro…). Na verdade, diga-se de passagem, a primeira proposta demorou-me aproximadamente o triplo do tempo a desenhar do que a segunda – um fim-de-semana intenso e muito bem passado, às portas de Lisboa, felizmente com muito sol e boa luz! – mas, in-extremis, resolvi arriscar também e fazer a segunda, que, no fim de contas, até tinha sido a minha ideia inicial. Mas estou satisfeita, gosto delas; acho que ficaram muito bem! E ainda consegui entregar as duas dentro do prazo, no último dia; ou não fosse eu como a sardinha, tipicamente portuguesa. Quanto ao prémio – prémios! – não sei quais são os critérios, mas dar-me-ei por satisfeita se conseguir ser seleccionada para integrar a exposição dentro do cardume das 150 seleccionadas. É claro que uns €€€ extra me dariam muito jeito, mas, se não acontecer nada, levanto os desenhos e já tenho rumo para eles. Aguardemos.