CHACOTAS

Estou a tentar acabar e entregar até ao final do ano todas as encomendas que tenho em mãos e que aos poucos vou dando vazão.

O tempo tem estado húmido e é difícil secar as peças aqui na oficina, mas ainda dentro do prazo previsto, consegui enchacotar estas peças que fiz há cerca de um mês, para um painel do tipo alicatado, igual ao revestimento azulejar da Sala Árabe do Palácio Nacional de Sintra – que já tinha feito este ano e que agora me foi encomendado outra vez.

Hoje estive a preparar os vidrados azul, verde e branco; ficam a repousar para amanhã serem utilizados e na sexta conto fazer uma fornada. Com um pouco de sorte fica tudo bem à primeira, mas não acredito que não haja peças com pequenos defeitos de vidrado e portanto ainda tenho margem para fazer retoques na próxima segunda-feira, enfornar e cozer de novo durante o Natal e ter tudo pronto dia 27, quando tenciono fechar a loja e voltar no ano novo, com novos projectos fresquinhos e a estrear.

 

PARRAS EM RELEVO

Em arrumações ontem aqui na oficina, com vista a rentabilizar o espaço, dei-me conta de que neste momento já executei e possuo toda a colecção de réplicas e de moldes de todas as tipologias de azulejos históricos com parras em relevo: não só as mais antigas, do século XVI, realizadas para o Palácio Nacional de Sintra – existentes no Pátio de Diana, na Sala das Sereias e no Quarto do D. Sebastião -, mas também as mais recentes, do século XIX, executadas para o Palácio Nacional da Pena – existentes no Arco do Alhambra.

É engraçado porque executei primeiro réplicas das mais recentes, aqui há três ou quatro anos, e só agora, há pouco tempo, é que fiz as réplicas das mais antigas – as quais terão, certamente, inspirado as outras mais modernas. É engraçado também comparar as técnicas de manufactura das diferentes épocas de fabrico; nas mais antigas pode-se observar que a superfície relevada era trabalhada directamente com vidrados coloridos à base de óxidos metálicos, enquanto que nas mais recentes se utiliza já a técnica da Majólica, onde as cores são pintadas directamente sobre vidrado branco, estanífero, ainda em crú.