AZULEJARIA CONTEMPORÂNEA

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Começo a ver os primeiros resultados dos azulejos da nova produção que tenho andado a fazer desde Janeiro – com algumas pausas, claro. O percurso feito até agora já serviu para tirar algumas conclusões; alguns moldes têm de ser aperfeiçoados e muito provavelmente irei abandonar a faiança. Chateia-me ligeiramente só aos poucos ter dado por isto, mas por outro lado, mais uma vez percebo que é preciso seguir por um caminho para vermos que nos enganámos – o que de outra forma não seria possível. Para já estou satisfeita q.b. com os resultados, mas a coisa pode ainda melhorar.  E ainda vou mais do que a tempo.

AVISO

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Ontem veio cá um rapaz da vizinhança bater à porta da oficina, a perguntar se pintávamos azulejos. Queria um azulejo com 10x10cm, ou talvez 20x20cm, ou o melhor, se calhar, seria até 15x15cm, a dizer «cuidado com o cão perigoso e depois, em baixo, raça pit bull; tenho que dizer a raça, é obrigatório» para meter lá no jardim, ou à porta de casa – não percebi bem. Eu disse-lhe que sim, com certeza, é o meu trabalho.

– E quando é que está pronto?

-Penso que na quinta já deve estar pronto, eu hoje vou fazer uma fornada de vidrados e aproveito para meter o seu azulejo. Bom, o melhor é apontar para sexta.

-Ok, então passo por cá na sexta. Adeus.

– Adeus.

Hoje pintei-lhe o azulejo; nem lhe perguntei se queria alguma cor em especial, portanto ficou a azul e branco, o clássico. Na verdade não aproveitei a tal fornada, que cozia a uma temperatura um pouco mais alta e depois a tinta de alto fogo desapareceria – e eu quero que a coisa fique bem, sempre é uma encomenda, praticamente o primeiro trabalho deste ano. E na sexta vai estar pronto.

ENCOMENDA

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Aqui há uns dias pediram-me um orçamento para executar um painel cerâmico segundo um projecto específico. Trata-se de um painel com características diferentes das habituais: a superfície será curva e por isso as peças cerâmicas – azulejos? – num total de 48, estão divididas por 4 tipologias de tamanhos diferentes, todas de grandes dimensões.  Para fazer o orçamento  e conseguir visualizar a coisa, optei por simular uma das peças – a da série maior, com 22x20x23cm – uma vez que tudo isto é novo para mim e tenho de quantificar bem todos os pormenores referentes à execução: tempos necessários para a manufactura, controles de secagem, coeficientes de retracção, nº de fornadas, vidrados, quantidades de materiais, impressão dos desenhos e embalagem. Trata-se de um desafio que tenho todo o gosto em aceitar; são este tipo de trabalhos que me permitem pôr à prova os conhecimentos que já tenho  e também aprender coisas novas – assim a encomenda vá para a frente.

CAMINHO

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Finalmente estão secas as primeiras provas da nova produção azulejar que comecei a fazer este ano. O tempo passa mais depressa do que eu gostaria e às vezes queria que o trabalho aqui da oficina andasse ao mesmo ritmo que ele, embora repita constantemente para mim mesma – e a experiência faz-mo sempre ver – que depressa e bem não há quem. Fazendo o balanço deste ano, agora que estamos em Junho e tendo em conta que ainda não fui contratada para prestar nenhum serviço desde Janeiro e também que tenho trabalhado imenso em duas produções cerâmicas distintas e lido imenso e feito imensas experiências e aprendido bastante; posso dizer que estou satisfeita.

Já consigo ver alguns caminhos; ideias não me faltam, assim vá a coisa devagar.

SECOS

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Voltei à minha produção de azulejaria contemporânea , que entretanto ficou parada há uns tempos – antes de eu ir duas semanas para Marrocos e ainda antes de ter começado a fazer novas peças em barro refractário para a loja «A roda da fortuna», em Évora e ainda as experiências de vidrados de alta e baixa temperatura e de pastas coradas e engobes e também os azulejos para a mãe da minha amiga Júlia.

Ia no 8º ou 9º protótipo, não me lembro bem; mas sei que estava muito entusiasmada com a produção – a qual estava a ser chamada de 2013, à falta de nome melhor -, quando decidi fazer uma pausa na criação artística e começar a tirar várias provas de cada exemplar. Neste momento tenho ainda pouca coisa e nada acabada: uns três ou quatro de uns quantos, nenhuns de outros e alguns empenados, que vão já fora, resultado de uma secagem desatenta – para não dizer sem atenção nenhuma; para ali ficaram a secar como queriam enquanto eu estive fora.

Vou tirar pelo menos 16 exemplares de cada um, quero formar pequenos conjuntos para fotografar para o catálogo – e acho que chegam; não me apetece ficar com a oficina cheia de material armazenado. E depois recomeço a fazer os protótipos novos.

À MEDIDA

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Acabei de desenfornar os azulejos que me encomendaram para alternarem com estes industriais, de figura avulsa. As chacotas foram feitas à medida e os vidrados, um de cada cor, são a condizer com os tons existentes no resto do conjunto – tal como me foi pedido.

TAÇAS SETECENTISTAS

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Estou a terminar as peças para a loja A roda da fortuna, em Évora e que ficaram a meio quando fui para Marrocos. Voltei a pegar na minha ideia antiga que fiz há dois, três anos?, para a feira setecentista de Queluz: criar peças únicas, baseadas na azulejaria portuguesa do séc. XVIII, mas que não sejam azulejos.

Na altura tive algumas questões técnicas que não consegui ultrapassar e agora também tenho; na verdade são ainda as mesmas – de lá para cá meteram-se uma série de trabalhos de conservação e restauro e toda a minha produção e experimentação cerâmica, que ia tão lançada, ficou parada. Agora, aos poucos, tudo recomeça e tenho várias frentes para acudir ao mesmo tempo, o que lá vou conseguindo.

2011 – CENTENÁRIO DA FCUL

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Hoje fui à inauguração do painel de azulejos que nos encomendaram para assinalar o centenário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e que se encontra no edifício do C8, na parede em frente à biblioteca. A cerimónia teve pompa e circunstância – foi descerrada uma placa alusiva ao painel e houve ramos de flores para a Ana Baliza, a autora e para as executantes do trabalho, eu e a Margarida. Estou bastante satisfeita com o resultado e parece-me que eles também.

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URGENTE

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Estive a pintar uns azulejos marmoreados, a manganês, que me pediram para colmatar umas lacunas num rodapé da escada do Grémio Literário, ali no Chiado. Queria ter feito em chacotas manuais, mas como a urgência era muita – como sempre – acabei por utilizar chacotas indústriais, com cerca de 7mm de espessura.  O desenho foi baseado no que já lá existe; apesar de haver uma grande variedade, esta pareceu-me ser a tipologia predominante. E depois de aplicados não se vai dar por nada.

31

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Como previsto, terminámos hoje a intervenção de conservação e restauro dos azulejos da escadaria principal do nº 31 da Rua Ivens, em Lisboa. Com a aprovação dos engenheiros e dos arquitectos responsáveis pela obra. Mais uma vez pude confirmar que a preservação dos azulejos antigos e originais é uma mais valia na reabilitação de um edifício – em muitos casos, talvez seja o único vestígio de autenticidade que se mantém.