Estamos finalmente a terminar a intervenção do nº 31, no Chiado, em Lisboa. O trabalho começou no verão passado e foi dividido por três fases: inventariação e separação de cerca de sete mil azulejos armazenados aleatoriamente na cave do edifício; selecção e montagem de paineis e posterior tratamento de conservação e restauro na oficina e, por fim, assentamento dos azulejos, preenchimentos e integração cromática in situ – o que estamos a fazer agora. Amanhã damos o trabalho por concluído, depois da aplicação da cera microcristalina.
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MOROSO
Comecei a fazer a parte chata da minha nova produção de azulejos; ou seja, a produção, propriamente dita. Fazer as lastras em barro, encher os moldes um a um – cuidadosamente, para que os relevos saiam perfeitos – tirar os azulejos dos moldes, metê-los a secar e controlar a secagem diariamente. Um trabalho moroso, que tem de ser caro, claro está e ninguém nesta altura dos acontecimentos tem dinheiro para gastar nestas coisas – não sei por que raio é que me meti nisto.
De qualquer modo não preciso de muitos, talvez uns doze de cada um; a ideia para já é começar a fazer um pequeno catálogo que sirva para trabalhar apenas sob encomenda – está fora de questão ter um stock aqui na oficina.
1900
Aproveitando a deixa das réplicas de azulejos Arte Nova que tive de fazer para a Rua Garret em Outubro passado – e das quais ainda não recebi – resolvi fazer também estes dois moldes que seguem para juntar à minha nova produção deste ano. São bastante diferentes de todos os que tenho andado a fazer entretanto; mas, por isso mesmo, são também os únicos que já têm nome de série: 1900. I e II.
OITAVO
Terminei hoje mais um protótipo desta nova produção – o oitavo e último, para já. Bem sei que estou sempre a afirmar o mesmo, mas chegou a altura de começar a tirar provas e fazer as composições – uma chatice; o que eu gosto mesmo é de estar a modelar, mas pronto, não posso ficar assim ad eternum. E as outras ideias vou fazendo depois, calmamente e em paralelo.
NA PAREDE!
Está na parede o painel de azulejos que produzimos, da autoria da designer Ana Baliza e que assinala o centenário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O painel é baseado no logotipo da faculdade e representa um ano, com os doze meses e os respectivos dias de cada mês – a leitura é feita de cima para baixo. Estou muito satisfeita com o resultado; aqui na oficina ainda não o tínhamos visto todo montado – tem cerca de quatro metros de altura por um metro e meio de largura. Agora é fazer uma pintura em toda a parede e está pronto para a inauguração.
POEIRADA E ENTULHO
Preparamo-nos para começar o assentamento do painel de azulejos que fizemos no fim do ano passado e que assinala o centenário da Faculdade de Ciências de Universidade de Lisboa. Para já, foi preciso abrir uma caixa em profundidade na parede, com cerca de quatro metros de altura por um metro e meio de largura, uma vez que a autora do painel quer que os azulejos fiquem à face desta – o que também me parece melhor. E depois de muita poeirada e algum entulho, está pronta.
SEXTO? SÉTIMO?
Hoje acabei mais um protótipo de um azulejo desta minha nova produção de 2013. Agora que percebi como é que a coisa funciona, estou a ficar boa nisto; este não demorou mais do que algumas horas a fazer – o que é bom, porque deste género, tenho ideias que nunca mais acabam. Enfim, tem um ou dois defeitos; mas só eu é que sei.
ESCACILHADO
Hoje resolvi fazer uma pausa na minha nova produção azulejar e pegar numas chacotas manuais, que fiz há algum tempo – há mais de dois anos, para ser precisa. Tratava-se de manufacturar umas réplicas, de 14x14cm e com cerca de 1,3cm de espessura, que viessem a colmatar as lacunas existentes no revestimento azulejar do séc. XVII, da Igreja da Ota; tarefa integrada na intervenção de conservação e restauro dos azulejos, que começámos nessa altura e que entretanto ficou parada. E as chacotas ali ficaram, empilhadas, a secar e a ocupar espaço na prateleira. Até hoje. Estive agora mesmo a escacilhá-las – tal como as originais – e finalmente estão prontas para enfornar. Sim, porque secas, já estavam.
POLIEDRO
Após duas tentativas falhadas e uma dor na mão, que se estende por todo o braço até chegar à omoplata, consegui finalmente fazer este azulejo relevado – é que apesar de parecer simples, não consegui perceber logo à primeira (nem à segunda…) como é que a coisa funcionava. Mas agora já percebi, e os próximos desta linha vão correr muito melhor!









