ENTREGUE!

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Missão cumprida.

Apesar do prazo inicialmente previsto para a manufactura deste painel ter sido reduzido inesperadamente – de oito meses passámos a ter dois; apesar de estar muito frio e humidade e os 372 azulejos demorarem bastante mais a secar; apesar de se ter metido pelo meio do trabalho (na verdade não se meteu; já estava prevista e combinada muito antes), uma feira de Natal com produção para fazer; apesar de eu ter estado super-constipada com direito a febre e tudo; apesar do forno maior ter-se avariado e perder-se uma semana de cozedura de vidrados – só cabem oitenta azulejos de cada vez e sempre que se faz uma fornada só se consegue abrir o forno passados dois dias-, apesar de se ter metido – aqui sim – pelo meio, a conclusão de um trabalho de restauro que estava parado desde Setembro e agora de repente tinha de ser acabado até ao fim de 2012 (que mania!), sob ameaça de «abrir-se a carteira da Isabel Colher»; apesar do Natal e do fim de ano e das festas e da família; apesar disto tudo, conseguimos.

Fomos ontem, às 16,20h, entregar o painel de azulejos à Faculdade de Ciências de Lisboa, dentro do prazo estipulado – era até dia 31 de Dezembro, mas fomos logo avisadas que era possível não encontrarmos lá ninguém na segunda-feira e que o melhor seria ir dia 28, até às 16.30h. Saímos de lá com a declaração «Entregue» assinada.

E agora vou dormir um bocadinho.

FORNADAS!

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De volta à oficina, depois da super-constipação com direito a febre apanhada no Mercado de Natal que fiz a semana passada. Para piorar ainda mais o cenário, o forno grande, onde estávamos a cozer os azulejos para o painel da FCUL, estragou-se a semana passada, ao fim de dez anos a funcionar como deve ser – já estava no seu direito, claro; mas não foi na melhor altura, quando temos o trabalho para entregar até dia 31. Mas enfim; por sorte temos o forno mais pequeno, no qual estamos a adiantar e a enfornar as chacotas (no dobro do tempo…) para as conseguirmos deixar já vidradas e depois, quando o grande estiver arranjado (espero que ainda hoje…), é só vir cá à oficina fazer fornadas de vidrados, dia-sim, dia-não, quase de empreitada. Com um pouco de sorte e mesmo à justa, com Natal e tudo pelo meio, vamos conseguir fazer as quatro fornadas que faltam até ao prazo estabelecido. E talvez ainda mais uma de emergência, para as baixas que apareçam entretanto.

170

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Muito a medo, fizemos anteontem a primeira fornada de chacotas dos azulejos em faiança do painel da Faculdade de Ciências de Lisboa. Digo muito a medo porque não tínhamos a certeza se elas já estariam bem secas, apesar de terem passado mais de duas semanas (três?) desde que as primeiras a serem feitas foram postas ao ar aqui na oficina – mas tem estado muito frio e muita humidade e a secagem, nada. De qualquer modo o tempo está a contar; o painel tem de ser entregue até dia 31 de Dezembro e resolvemos arriscar. A fornada foi muuuuuito leeeeenta e correu bem: abrimos o forno hoje e já temos cerca de 170 chacotas, quase metade da totalidade do painel. E destas, uma boa parte foi vidrada esta tarde e metida novamente no forno para uma fornada de vidrados que irá arrancar hoje às dez da noite. Se tudo correr bem, na sexta-feira teremos os primeiros 80 azulejos do painel prontos.

SECAGEM

Terminámos a primeira etapa da manufactura dos 372 azulejos do painel em faiança que estamos a fazer para a Faculdade de Ciências de Lisboa. Hoje tirámos dos ganapos os últimos 90 que fizemos na sexta-feira e empilhámo-los, tal como os restantes, para a primeira fase da secagem – é que, apesar do frio que se faz sentir na oficina e da humidade que vem do rio, correm o risco de ainda assim, empenarem. E agora é esperar mais uns dias para lhes fazermos os acabamentos finais, depois passá-los para um outro suporte mais arejado e esperar que sequem definitivamente para os podermos enchacotar e passar à fase seguinte. O que era bom que acontecesse lá para o fim deste mês.

A-12

Terminámos hoje a manufactura das chacotas manuais para o painel de azulejos do calendário que estamos a fazer para a Faculdade de Ciências de Lisboa. No último, o A12, correspondente ao dia 31 de Dezembro, esgrafitámos no tardoz o nome da oficina que os produziu – a Tardoz – e os símbolos de quem os executou – Isabel Colher e Margarida Melo Fernandes. Uma gracinha que será encontrada se alguma vez o painel vier a ser levantado da parede.

NOVO PAINEL

Comecei anteontem a produzir aqui na oficina, mais a Margarida, um painel de azulejos para a Faculdade de Ciências de Lisboa e que servirá para assinalar o centenário da sua existência – será inaugurado em Abril de 2013, mas terá de ser entregue até ao fim deste ano. Trata-se de um projecto de uma designer gráfica e que nós iremos não só executar, como também coordenar a montagem e o seu assentamento na parede. O painel representa o calendário e é composto por doze fiadas verticais – os meses -, com trinta e um azulejos cada fiada – os dias; cada dia com um símbolo avulso impresso, ou um azulejo liso a colmatar os meses mais pequenos. No total, 372 azulejos.

Estou muito satisfeita com este trabalho e principalmente com a nova mesa de lastras, oportunamente comprada, que nos permite fazer as chacotas num tempo três vezes mais rápido: a nossa previsão inicial (sem a mesa) de manufacturar um mês por dia, de repente alterou-se para um trimestre diário, ou seja, amanhã acabamos de fazer as chacotas, em quatro dias apenas, em vez dos doze que esperávamos. E o melhor de tudo: sem esforço!

MESA DE LASTRAS

Comprei uma mesa de lastras – finalmente! Aos anos que sonhava com uma, mas ainda são carotas e nunca se proporcionou; de modo que lá fui estendendo as lastras de barro com o rolo da massa e dando cada vez mais cabo dos meus pulsos. Bem sei que não estamos em época de investimentos, mas descobriram-me esta em segunda mão (obrigada pela dica, Tiago) e, apesar de já cá a ter na oficina há algum tempo, só hoje é que a montei – e entretanto tenho andado a fazer as lastras com o rolo da massa e a dar cabo dos meus pulsos. Mas é linda! Toda em ferro, totalmente mecânica e manual, nos antípodas do digital – não se liga a nenhum programa, não tem porta USB nem é um I-Qualquer Coisa – mesmo como eu gosto!!!  Até leva massa consistente! Está aqui uma coisa mesmo a sério. Ainda não a experimentei, mas vai já começar a dar um jeitão a partir da semana que vem, quando começar uma produção de um painel cerâmico com cerca de 400 azulejos feitos à mão. E agora só fica a faltar a fieira.

SACRISTIA

Fui contactada para ir fazer uma intervenção de emergência nos azulejos da sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa – quer na zona da secretaria, quer na salinha dos paramentos.

Segundo consta, o culto a Nossa Senhora da Saúde começou em inícios do séc. XVI, época da grande peste. O povo, ao ver que todos os recursos humanos falhavam, recorreu a Nossa Senhora, organizando procissões de penitência em sua honra. Como o número de mortes foi diminuindo consideravelmente, passou a fazer-se uma grande procissão anual de agradecimento à Virgem Maria, a qual passou a ter o título de Nossa Senhora da Saúde.

Em meados dos anos 80, já no séc. XX, a Câmara Municipal de Lisboa mandou construir o Centro Comercial da Mouraria; o que estaria muito bem, não fosse a ideia brilhante de o colar, paredes meias, com esta igreja, mais precisamente com a zona da sacristia. Obviamente que essa construção colocou e continua a colocar em risco o estado de conservação do edifício, quer a nível estrutural quer a nível da incompatibilidade dos materiais. Neste momento, uma das paredes – a tal que precisa de intervenção de emergência – encontra-se escorada e em risco de colapso (e o tecto em madeira também não me parece que se safe) e é claro que os azulejos lá existentes, datados do séc. XVIII, precisam de ser levantados e, para já, acondicionados numa caixa.

Mais uma vez pude constatar o estado a que chegou o nosso património edificado, vítima de incúria, ignorância e asneirada consecutiva ao longo de vários anos, por parte de quem deveria ter conhecimentos, bom senso e capacidade de bater o pé e dizer não! – mesmo que outros interesses mais altos se levantem.

Neste caso, nem a Nossa Senhora lhes valeu.

CINCO

Tenho já cinco provas para as réplicas dos frisos Arte Nova que estou a fazer – preciso apenas de três, mas pelo sim, pelo não, é sempre melhor fazer umas a mais. E acho que ainda vou tirar mais algumas, não me vá o vidrado sair mal.

MOTIVOS RELEVADOS

Acabei de gravar o molde para as réplicas dos frisos de azulejos Arte Nova que tenho de fazer – ainda não tirei nenhuma prova para rectificar o que for preciso (já se vai notando a humidade aqui na oficina e a placa de gesso, que fiz na sexta-feira, ainda não está bem seca). Tive alguma dificuldade a fazer os motivos relevados: o vidrado do azulejo original que aqui tenho a servir de modelo, apesar de transparente, é tão espesso que acaba por cobri-los e custa-me a ver o que é que está ali representado. Mas parece-me que é isto.