Chegou ontem o nosso novo forno, próprio para fazer experiências de cor. Vai dar um jeitão para adiantar os trabalhos de manufactura de réplicas – coze rapidamente e consome pouco. Leva três azulejos de cada vez; com jeitinho, quatro. E já fez a sua primeira fornada: portou-se muito bem.
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AZUL E BRANCO
Comecei finalmente a produzir as réplicas para o nº 11 a Sta. Catarina – para já, os frisos; 160 unidades, que tiveram de ser todos rectificados, uma vez que as medidas dos azulejos originais já não se fabricam. Depois de algumas experiências de cores – de vidrados e tintas de alto fogo – e aprovação por parte do dono da obra, comecei ontem a pintá-los. São muito simples, em azul e branco. Que é como estes irão ficar depois de cozidos.
BOUGANVILLAS
SALA CAMBOURNAC
Terminámos hoje a intervenção de conservação e restauro do painel de azulejos/placas cerâmicas com a assinatura Lino António 1958; na Sala Cambournac do Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa.
A intervenção foi realizada em duas fases: a primeira consistiu no faceamento, levantamento de emergência das três primeiras fiadas verticais do painel – que estavam em risco de destacamento da parede, apresentando já fracturas múltiplas, pequenas lacunas volumétricas e algumas falhas de vidrado -, abertura de todas as superfícies de junta e restauro dos azulejos levantados. A segunda, após reparação das paredes e das suas causas de degradação, consistiu no reassentamento dos azulejos – com argamassas tradicionais à base de cal -, limpeza integral do painel, preenchimento de falhas de vidrado e reintegração cromática e pictórica.
As superfícies de junta irão continuar abertas até ao fim do verão e do tempo mais quente; com a quantidade de água que existia nas paredes e com as oscilações térmicas naquele local, é bem possível que ocorra a cristalização de sais solúveis que não queremos que saiam pelos vidrados.
MUFLAS CERÂMICAS
Estou mais do que decidida a comprar um forno para experiências – e vai ser em breve. Tenho andado às voltas com as cores para as réplicas do nº 11 a Sta. Catarina e já vou para a terceira fornada (e espero que última) no nosso forno pequeno – que assim é chamado apenas porque temos um maior, se não, seria simplesmente «o forno» – e, lá por ser pequeno, sempre tem capacidade para cozer sessenta azulejos de cada vez e tem andado a fazê-lo apenas com quatro ou cinco; ou seja, quase vazio. Um desperdício de energia, que me faz impressão, para além de me sair do bolso. É verdade que aqui na oficina temos contador bi-horário e que aproveito sempre para fazer as fornadas durante a noite, mas aí levanta-se o problema de não conseguir ver os resultados logo na manhã seguinte, o que vai atrasando o trabalho. Portanto; ao fim de alguns anos a pensar nisto, agora é que é: vou comprar uma pequena mufla de experiências e de preferência, que atinja os 1300º. Já que se investe, há que ter alguma visão.
PAINEL TOPONÍMICO
Fui contactada para fazer o restauro deste pequeno painel toponímico em azulejos, pertencente a uma casa particular em Cascais. É lindo! Foi-me entregue neste estado de conservação; nem está assim tão mau, tendo em conta que não faço ideia de quem é que o terá levantado e uma vez que as argamassas dos tardozes são de média dureza – muito provavelmente já se encontrava em destacamento da parede. Para além de três ou quatro azulejos fracturados, uma pequena lacuna, meia dúzia de falhas de vidrado e algumas fissuras para consolidar, o painel não apresenta mais patologias. Nada que não se vá fazendo em paralelo com as experiências de cor para o nº 11 de Sta. Catarina e o relatório da intervenção no Museu Militar.
CONCLUÍDO!
Está concluída a intervenção de conservação e restauro dos cerca de 12800 azulejos pertencentes ao conjunto azulejar do Pátio dos Canhões no Museu Militar, em Lisboa – fiz hoje a entrega oficial. Obrigada a todos os meus colegas que ao longo destes sete meses fizeram parte da equipa: o núcleo duro – a Inês e a Margarida -, e todos os outros que, nalguma fase, também meteram a mão na massa – o Diogo, o Joaquim, o Ivo, o Loubet, a Rafaela, a Sofia, o Nuno e a Paula. Sem eles eu ficaria por lá, provavelmente, até ao fim dos meus dias…
TÉCNICA DA ESTAMPILHA
A técnica da estampilha foi, de longe, a mais utilizada pela maioria das fábricas de produção de azulejaria de fachada do início do século passado, por permitir a produção de azulejos polícromos, de grande efeito decorativo, de uma maneira fácil e rápida. Utilizava-se, para o efeito, uma matriz de papel encerado – a estampilha – onde se recortavam os motivos a reproduzir nos azulejos, previamente vidrados, sobre os quais se colocava. Era com a passagem duma trincha sobre este papel que neles se aplicava a decoração pretendida. Para cada azulejo eram necessárias tantas estampilhas quanto o número de cores ou a própria complexidade do desenho.
Hoje estive a abrir as estampilhas para fazer as réplicas dos azulejos do nº11 a Sta. Catarina. Depois de algumas experiências falhadas com outros materiais mais modernos e resistentes (e de uma bolha no dedo), acabei por utilizar aquele que, no fim de contas, sempre resultou – o papel encerado.
O SR. CASTRO
O Sr. Castro tem sido uma presença constante e atenta desde o início da intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões – o Sr. Castro é motorista de um dos carros pretos e sempre brilhantes que ali costumam estar estacionados e passa muito tempo à espera de ter de ir a algum lado. O Sr. Castro acompanhou todas as fases do trabalho ao longo destes seis meses: o levantamento dos azulejos; a montagem dos painéis no chão; as colagens; a dessalinização; o reassentamento nas paredes; os preenchimentos e agora, a integração cromática. O Sr. Castro é conversador e é também um amante e um curioso destas coisas; ao que parece, percebe de materiais e gosta, ele próprio, de meter a mão na massa e assim sendo, vai falando das «epoxes» e da cal, vai tirando apontamentos e vai dando a sua opinião. O Sr. Castro é muito simpático e prestável; foi graças a ele que fomos visitar a Sala dos Gessos e foi ele que hoje já nos veio dizer que quer organizar um almoço de despedida para a semana que vem, agora que estamos a acabar a obra. O Sr. Castro é um castiço – obrigada por tudo, Sr. Castro, vamos ter saudades suas.
TINTAS DE ALTO FOGO
Comecei hoje a tratar de fazer experiências com tintas de alto fogo para pintar as réplicas dos azulejos de estampilha para a fachada do nº11, ali em Sta. Catarina. Pelas minhas contas não hão-de ser assim tantas – cerca de 65 azulejos de padrão e cerca de 140 frisos – e o mais trabalhoso será rectificar as chacotas com as medidas certas, que entretanto deixaram de se fabricar. Quantos às cores, quer-me cá parecer que, com um pouco de sorte, já tenho preparado um vidrado base, branco, muito idêntico ao dos originais e a tinta azul, se não me engano, também já está feita. Portanto, experiências, propriamente ditas, com receitas e tudo, só para o amarelo e para o verde. De qualquer modo ensaio tudo; assim como assim, enquanto não tiver dinheiro para comprar uma pequena mufla de experiências, esta que aqui está terá mesmo de fazer uma fornada meio vazia.






















