Não há fome que não dê em fartura: mais um orçamento que me foi solicitado; agora para os painéis de azulejos da fachada lateral da Igreja de Sta. Luzia, aqui em Lisboa, para entregar até dia 2 de Setembro. Ontem enviei finalmente o do Sr. Roubado e agora ando aqui às voltas para perceber em quanto é que este vai ficar. Tudo isto, claro, entre coordenar os trabalhos do Museu Militar e os do 88, que arrancam amanhã. E mais reuniões e telefonemas e contas e mais contas e facturas para entregar e recibos para receber, com Iva e sem Iva… Ufa, estou uma verdadeira mulher de negócios; eu, que sempre fui medíocre a matemática.
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ORGANIZAÇÃO
Está tudo preparado para se recomeçarem os trabalhos no 88. Ontem fui com as minhas colegas Inês e Margarida (excelente equipa!) ao armazém da Tranquilidade, onde estão guardadas todas as caixas com os azulejos que saíram das paredes e, em cerca de duas horas e pouco conseguimos separar todos os painéis pela ordem dos pisos onde agora irão entrar: para o quinto, todos do quinto, mais uns do terceiro e outros do segundo; para o quarto, alguns do quarto, mais alguns do terceiro; para o terceiro, alguns do terceiro, mais uns quantos do segundo; para o segundo, muitos que já eram do segundo e para o primeiro, que não tinha azulejos, vários do segundo e um ou outro do terceiro. Sem esquecer aqueles que de início não estavam contemplados serem levantados das paredes, mas que afinal sempre saíram. E pondo à parte aqueles que não vão voltar para lado nenhum e que irão ficar em armazém à espera de melhores dias. Enfim, no total, cerca de 1750 azulejos, encaixotados e que nós as três andámos a separar e a transportar de um lado para o outro e que deixámos organizados com etiquetas para não haver confusão quando os trolhas os forem lá buscar, piso por piso.
AOS TRÊS, É DE VEZ!
De volta à oficina e aos trabalhos que tenho entre mãos, depois de duas semanas a banhos fora de Lisboa, numa tentativa falhada de relaxar e não pensar em assunto nenhum. Graças à minha equipa, a intervenção no conjunto azulejar do Pátio dos Canhões continua a bom ritmo e tenho tudo preparado para recomeçar os trabalhos de reassentamento dos azulejos no 88. De resto, ainda não parei; com reuniões e trabalhos futuros – não percebo o que é que está a acontecer, mas têm-me sido pedidos vários orçamentos, os quais tenho de despachar com alguma rapidez, alguns dos quais bastante complexos. Ontem fui ver o conjunto azulejar do Sr. Roubado, para o qual vou fazer um orçamento pela terceira vez, esperando que seja desta que o trabalho vá para a frente e confiando na sabedoria popular que diz que aos três, é de vez.
OBSESSIVO/COMPULSIVO
Entrámos na terceira semana de trabalho no Museu Militar. O mapeamento dos painéis inferiores com o registo do estado de conservação dos azulejos está todo feito; os preenchimentos de falhas de vidrado e pequenas lacunas com argamassas inadequadas foram todos removidos – excepto os do painel Ei -2, que eram tantos e tão rijos, que a tarefa é mais morosa e só se faz com a ajuda do vibroincisor -; o biocida está aplicado em todas as fachadas e as juntas estão a ser rectificadas a bom ritmo. Enfim, entre sombra e sol (e chuva ontem!), a minha equipa demonstra mais uma vez ter boa capacidade de trabalho e de organização, e as fachadas Este, Sul e Oeste avançam todas em paralelo, mais depressa do que eu previa. A fachada Norte, a mais problemática, está à espera do Loubet e do Ivo, que vêm directamente do Pinhão, sem passar pela casa da partida, nem receber os dois contos, para levantar integralmente todos os azulejos existentes, que se encontram em péssimo estado de conservação e muitos em risco de destacamento. Graças a esta parede, a minha função nos últimos dias tem sido a de agrupar e organizar fragmentos, numa tentativa obsessiva de encontrar, identificar e aproveitar o máximo de azulejos originais, antes de apurar o número de réplicas exacto que será necessário fazer-se. A coisa não é fácil e muito menos óbvia, os fragmentos são separados por uma lógica qualquer, que passado um bocado é substituída por outra que parece melhor e depois mais outra ainda; mas a verdade é que aos poucos, aos poucos… está quase tudo encontrado!
AZULEJOS SOLTOS
Faz hoje uma semana que começámos a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões, no Museu Militar. Apesar de ainda ser cedo para balanços, o trabalho corre a bom ritmo: as quatro fachadas foram identificadas por Norte, Sul, Este, Oeste e os registos gráficos dos painéis inferiores estão já todos prontos – cerca de 15 por cada uma. Eu tenho andado entretida a fazer quebra-cabeças com os azulejos soltos que caíram ou foram retirados in-extremis e que me foram entregues em caixas com pouca ou nenhuma marcação; numa tentativa de montar as zonas que faltam nos painéis da fachada Norte, a que apresenta mais problemas de conservação e consequentemente também grandes lacunas azulejares. A coisa não é fácil, mas aos poucos lá vai e neste momento já estão montadas três grandes zonas. E amanhã passo àquilo que eu chamo de cacaria…
CARREGAR / DESCARREGAR
Começou a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões, no Museu Militar, em Lisboa. Há três dias que não faço outra coisa senão ir comprar materiais – carregar o carro; ir à oficina – carregar o carro; ir ao Museu militar – descarregar o carro; ir comprar mais materiais – carregar o carro; voltar ao Museu Militar – descarregar o carro; voltar à oficina. Se tudo correr bem, daqui a cinco meses terei de fazer tudo de novo, mas em sentido inverso; ou seja, ir ao Museu Militar – carregar o carro; ir à oficina – descarregar o carro; voltar ao Museu Militar…
MUSEU MILITAR
Parece que é desta que vai começar a intervenção de Conservação e Restauro no conjunto azulejar existente no Pátio dos Canhões, no Museu Militar, em Lisboa. Hoje à tarde vou a uma reunião para definição de local de estaleiro e agendamento do início do trabalho. Gostaria de começar na próxima semana, com cerca de um mês de atraso em relação ao que estava previsto – nestas coisas é sempre assim e muito rápido foi este processo, até estou espantada! As intervenções no exterior são sempre complicadas – ou é o calor e o sol de chapa a reflectir nos azulejos, ou é a chuva que não deixa trabalhar – mas ainda assim, quero aproveitar ao máximo o bom tempo e também o mês de Julho para comprar materiais, porque depois, em Agosto, já se sabe que vai estar tudo fechado. Conto com a equipa do 88, que está há um mês em pulgas para começar… e eu também.
ORÇAMENTO
Mais um orçamento para fazer! Desta vez, este pequeno painel de azulejos, que se encontra no Entroncamento. Não gosto de fazer orçamentos por fotografia; a experiência diz-me que é arriscar muito, mas depois de ter falado com o Ivo, chegámos à conclusão que não há necessidade de eu lá ir – sempre é um dinheiro que se poupa. Os azulejos já foram levantados da parede e agora o que se pretende é uma intervenção de conservação e restauro museulógica e montagem do painel em suporte móvel de acrílico, o que, segundo as nossas contas, será trabalho para um mês. E pronto, agora vai ser o costume: pensar, fazer o orçamento e ficar à espera, à espera…
REUNIÃO NO 88
Ontem fui a uma reunião no 88, para preparação e previsão do início da segunda fase do trabalho, a do assentamento dos azulejos. Cheguei à hora marcada, – que eu gosto de ser pontual – e fui recebida pelo engenheiro sub-chefe, que me abriu a porta a falar ao telemóvel e me fez sinal para eu entrar. Ali fiquei, sentada à espera que ele tratasse dos seus assuntos e também do engenheiro chefe, que era quem queria falar comigo. Passado um bocado entrou o encarregado da obra, que vinha a falar ao telemóvel e que, depois de espreitar para a sala e me cumprimentar com um aceno de mão, tornou a sair, fechando a porta. Eu lá continuei sentadinha no mesmo lugar, a fingir que não estava a ouvir a conversa, até que algum tempo depois aparece finalmente o engenheiro-chefe, muito atarefado a tratar de imensas questões pelo telemóvel. A reunião foi decorrendo entre telefonemas para aqui e telefonemas para ali e a dada altura senti-me um bocado parva por insistir em manter-me na área do restauro e não na das telecomunicações. Finalmente fomos dar uma volta pelo prédio, que está caótico, com imensas equipas a trabalharem ao mesmo tempo e o engenheiro-chefe disse-me para eu estar preparada para arrancar a meio da semana que vem, apesar de eu não perceber bem por onde e acho que ele também não. Depois disto fui dispensada da reunião e saí de lá com muito mais questões do que quando entrei… Acho que lhes vou ligar.
AGORA SIM
Conforme o previsto, está concluída a primeira fase de levantamento e tratamento dos painéis de azulejos do 88, incluíndo a série de trabalhos extra, que se fizeram nos sete dias estipulados. Mais uma vez tenho a agradecer à minha equipa de colaboradores, que vestiu a camisola e se empenhou na obra como se se tratasse de um trabalho de todos e não apenas meu – graças a eles os prazos foram cumpridos. O estaleiro está arrumado, o material e a ferramenta estão guardados e hoje à tarde vamos fazer uma campanha de cargas e descargas aqui para a oficina. Agora é esperar pelo arranque da segunda fase, para reassentamento dos azulejos nas paredes e posterior restauro; a qual, segundo me foi dito, deverá começar lá para finais de Agosto.










