BERTINA LOPES

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Não sei o que é que se passa, mas este ano continuam a chegar-me às mãos alguns trabalhos engraçados e diferentes daqueles que estou habituada a fazer.

Comecei hoje a trabalhar na procura de cores para os vidrados que preciso de fazer para alguns azulejos que faltam em três pequenos painéis da autoria da Bertina Lopes, pintora e escultora Moçambicana que, confesso, até à data nunca tinha ouvido falar.

E fiquei agora mesmo a saber aqui que, nos anos 60, teve uma bolsa de estudo para estudar cerâmica com o grande mestre Querubim Lapa – que por acaso também foi meu professor.

MIRADOUROS

Monte Agudo

Senhora do Monte

São Pedro de Alcantra

No sábado passado fiz um périplo por alguns dos principais miradouros alfacinhas – Monte Agudo, Senhora do Monte e depois, na colina do outro lado, S. Pedro de Alcântara.

Um ano depois de fazer as réplicas dos azulejos para o miradouro de Sta Luzia, foi-me agora pedido novo orçamento; desta vez para a manufactura de cerca de 55 réplicas variadas para os painéis de azulejos informativos – alguns em avançado mau estado de conservação -, com a vista de cada um destes miradouros.

CHEQUIM CARAMELO

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Ultimamente tenho recebido algumas encomendas muito sui generis, como pintar azulejinhos pequeninos para marcadores de mesa e oferta em casamentos, reproduzir desenhos infantis em azulejos, ou fazer este pequeno painel de seis azulejos que representa um personagem típico do Montijo, conhecido como Chequim Caramelo – desaparecido talvez há uns 15 anos.

A tarefa não foi totalmente fácil; o painel deveria reproduzir a fotografia, “ampliada aí umas três vezes”; com o mesmo enquadramento, cores idênticas e o nome Chequim Caramelo escrito em baixo. O problema é que ele e o seu cavalo – parece que andavam sempre em parelha – mal se vêem na fotografia, e nem ampliados umas três vezes se vêem melhor. E depois a montagem; se os puxava para cima para ter espaço para o nome em baixo, desaparecia metade da palmeira e eles ficavam cortados ao meio pela junta dos azulejos; se os puxava para baixo, ficava sem espaço para o nome e com uma superfície imensa de céu azul em cima.

Hoje pintei o painel, ficou um pouco estranho; mas aguardemos por vê-lo depois de cozido.

VIDRADOS BAIXO-FOGO

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Tenho andado ocupada a fazer novas cores para vidrados de baixo-fogo – recebi uma encomenda para produzir uns azulejos para forrar a bancada de uma cozinha. A ideia é criar um padrão enxaquetado, com quatro cores diferentes,  que depois será colocado a meio-viés – vou usar azulejos de 11x11cm, para tirar maior partido do xadrez, uma vez que a superfície da bancada não é muito grande.

As chacotas serão manuais e irregulares e os vidrados também – estou muito curiosa para ver os resultados.

BACO

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Acabei de entregar o painel de azulejos manuais com um Baco sentado numa pipa de vinho, que pintei para uma pequena adega particular numa quinta em Pegões – e que já tinha mostrado o esboço aqui.

De acordo com a encomenda, o painel deveria medir cerca de 90x60cm; na pipa deveria estar escrito “Vinho do Javali” e o desenho deveria ter uvas, muitos cachos de uvas.

O painel foi entregue e o cliente está muito satisfeito – “tem mesmo ar de festa!”, que acho que era o que ele queria.

ESBOÇO

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Comecei a trabalhar no desenho para uma nova encomenda que tive aqui há umas duas ou três semanas – um painel de azulejos para a parede de um lagar, numa pequena adega privada.

O painel tem de ser feito com chacotas manuais e o motivo foi mais ou menos deixado ao meu critério, mas podia ser “qualquer coisa como um Baco e uvas, muitos cachos de uvas”, pintado a azul e branco.

Estive a pensar e acho que vou usar também manganés – fica bem nos cachos de uvas.

 

DESENHOS INFANTIS

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Estou a trabalhar na encomenda mais engraçada que já tive: uma cliente pediu-me para passar para azulejos industriais brancos oito desenhos feitos pela neta de três anos; queria dois exemplares de cada, dezasseis azulejos no  no total.

Mais tarde reconsiderou e afinal quer três azulejos de cada desenho – passam a ser vinte e quatro.

BRINDES DE CASAMENTO

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Estão acabados os 270 azulejos pequeninos que fiz para um casamento em Espanha – vão ser usados não só como marcadores de mesa e lugar, mas também como oferta de recordação aos convidados.

Com excepção das chacotas, que são industriais, os azulejos foram vidrados e pintados à mão a azul e vermelho, de acordo com o pedido da noiva e o tema do casamento – azulejos e picotas – um a um, 270 vezes (na verdade, 279, se contar com os nove que tive de repetir por ter escrito mal alguns nomes dos convidados, como por exemplo Augustim em vez de Augustin e que só descobri depois de todos já cozidos…).

Hoje estive a embrulhá-los em pacotinhos separados pelos nomes das mesas e a embalar tudo muito bem dentro de uma caixa de cartão com esferovite – amanhã seguem para Cáceres.

PINTURA EM SÉRIE

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Como pintar um a um, 270 azulejinhos com um motivo floral:

  • Encher um ganapo com 50 azulejinhos e colocá-lo em cima da bancada de trabalho;
  • Preparar o estregido, tintas, pincéis e tento;
  • Transferir o desenho com a boneca de carvão para 10 azulejinhos;
  • Arranjar uma cadeira confortável com rodas;
  • Dispor os azulejinhos em linha ao longo do taipal;
  • Pôr os óculos;
  • Pegar no pincel de contorno;
  • Começar pela ponta esquerda ou direita da linha, a gosto;
  • Começar por pintar a eito todos os caules da mesma cor até chegar ao fim da linha – neste caso,  com o azul forte;
  • Mudar para o pincel de enchimento;
  • Mudar o frasco de tinta e tirar o primeiro da vista, para não dar azo a enganos;
  • Começar a pintar todas as pétalas da mesma cor, até chegar ao fim da linha – neste caso, com a aguada;
  • Lavar o pincel de enchimento;
  • Trocar novamente para o primeiro frasco de tinta e tirar o segundo da vista, para não dar azo a enganos;
  • Pintar as bolinhas todas da mesma cor até chegar ao fim da linha – neste caso, com o azul forte novamente;
  • Tirar os óculos;
  • Retirar toda a linha de azulejos do taipal – com cuidado para não tropeçar no tento nem na cadeira que entretanto estão no meio do caminho – e colocá-los novamente no ganapo;
  • Respirar fundo;
  • Recomeçar tudo de novo com mais dez azulejinhos.

Dicas úteis:

  • Dar por encerrada a pintura quando terminar esse ganapo – mesmo que ainda tenha mais três ou quatro cheios com 50 azulejinhos cada;
  • Não tentar começar a pintar mais depressa;
  • Não olhar para o relógio;
  • Não ver quantos ainda tem para fazer.

Boa sorte e mãos à obra! 😉