PARRAS E UVAS

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Estive a tirar algumas provas desta placa relevada que fiz, há uns bons anos, em barro refractário – a primeira de todas, aquela que me fez começar a dedicar-me mais à cerâmica, como complemento aos trabalhos (ou à falta deles) de conservação e restauro de azulejos. Na altura a ideia era tentar vendê-la na loja do Mosteiro dos Jerónimos, o que veio a acontecer com outras peças que tenho dentro do mesmo género, baseadas nos seus claustros e que dão a ideia de baixos-relevos em pedra; mas esta nunca foi aceite pelo então IGESPAR, por não ser baseada em nenhum dos monumentos sob a sua égide.

De modo que cá ficaram guardadas uma série delas, em stock, à espera de eu me decidir sobre o que faria com elas.

Decidi-me agora, assim de repente. Há uma ou duas semanas – fez-se-me luz. E 10 unidades estão já encaminhadas para uma loja muito especial, que as aceitou ter à venda, à experiência e com a qual têm tudo a ver. Estou muito satisfeita!

ÚNICA

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Está pronta e prestes a ser entregue a peça única que fiz, em cerâmica. Trata-se de uma floreira, ou jarra – não sei bem; mas dá para meter flores – baseada numa primeira, dentro do mesmo género, que fiz já há algum tempo e que está na loja A Roda da Fortuna, em Évora. Tal como a outra, esta peça é feita em barro refractário, mas agora resolvi aplicar também alguns engobes, óxidos e vidrados de alto fogo.  E fiquei satisfeita com o resultado.

1260ºC

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Preparo-me para fazer uma fornada de vidrados de alto fogo, a 1260º. Aproveitando a deixa de ter de cozer a peça que me encomendaram, vão na mesma fornada algumas taças setecentistas – finalmente! – e também os vasos para ervas aromáticas, que tenho curiosidade em ver como ficam. Resultados depois de amanhã.

ERVAS-DE-CHEIRO

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Finalmente decidi-me a fazer alguma coisa com as peças cilíndricas em barro refractário que fiz quase há três meses e que ali ficaram a secar – literalmente – desde então, enquanto fui pensando que volta lhes havia de dar. Se já tinha chegado à conclusão que seriam uns vasos para plantas – até lhes fiz um furo -, estava muito indecisa quanto à sua decoração e confesso que esta solução estava longe de ser a prevista inicialmente. Acontece que o meu método de trabalho é bastante particular e depois de andar este tempo todo a pensar numa coisa – que não me convencia – acabei por fazer outra totalmente diferente – que ainda não sei se me convence; mas pronto, agora já está. Se resultar, serão uns vasinhos de interior para meter ervas-de-cheiro.

FLOREIRA

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Tenho estado a trabalhar numa encomenda que me fizeram ainda antes do verão e que só agora é que tive disponibilidade para começar. É uma floreira; ou uma jarra – não sei bem como lhe chamar – em barro refractário, baseada numa outra que fiz há dois ou três anos, numa altura em que isto do alto fogo ainda era um mistério muito maior do que é agora. Como é uma peça única, acho que me entusiasmei e saiu-me um pouco maior do que estava a pensar – espero que não haja problema. Amanhã estará no ponto perfeito para aperfeiçoar os últimos detalhes e depois é esperar que seque.

CILINDROS

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Hoje resolvi fazer umas peças cilíndricas.

Ainda não sei para o que é que servem, nem como é que as vou decorar, nem se as dimensões estão bem – o meu método de trabalho é sui géneris. Ando com vontade de começar uma série para jardim e parece-me que estas formas vão ser os meus primeiros vasos.

Está decidido; vou-lhes fazer um furo.

EXPERIÊNCIA

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Aproveitando algum barro que ali tenho e ainda antes de ir comprar mais, hoje fiz, à experiência, esta nova peça que já tinha pensado há algum tempo – no seguimento dos solitários que já tinha feito e depois abandonei. Uma jarra – que eu gosto de dar funções às minhas peças. Não me parece mal de todo. Mas talvez um pouco maior.

CRIAÇÃO

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Ando entusiasmada com a criação de peças novas. Por mais que tente reproduzir modelos anteriores, apesar de cada um ser único, não resisto a experimentar ideias novas – que demoram muito mais tempo a fazer e nem sempre resultam. No fundo servem de protótipos para novas peças  – que eu tenho o péssimo hábito de não fazer projectos – e, mesmo não resultando, servem também para eu perceber o que é que falhou e o que é que eu tenho de aperfeiçoar. E servem também para eu começar a ter a noção do processo de fabrico e complexidade de cada peça, para poder rentabilizar o trabalho mais em série – que o tempo anda mais depressa do que eu.

PARALELO

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Tenho andado a tentar conciliar em paralelo toda a produção cerâmica que quero fazer – a azulejaria contemporânea e as peças tridimensionais. O objectivo é avançar com tudo ao mesmo tempo, lenta e calmamente, de modo a que nenhuma das tarefas se torne cansativa ou repetitiva – mas não está a ser fácil.

Primeiro, como sempre, quero ver tudo pronto em três tempos – como se tivesse algum tipo de encomenda de alguma coisa!; segundo, estou a trabalhar com dois materiais totalmente diferentes e incompatíveis – faiança e barro refractário; que é como quem diz, barro branco e barro refractário, no mesmo espaço e ao mesmo tempo: algum deles acaba por ser contaminado pelo outro e, claro, é o branco o mais afectado. Ainda não consegui perceber qual é a melhor metodologia, se trabalhar um dia numa coisa e outro na outra; se fazer de manhã  os azulejos e à tarde as taças e trocar no dia seguinte; se fazer dois dias seguidos cada uma delas. De qualquer modo, e para já, parece-me já ter conseguido arranjar um método de trabalho que funciona e também separar as áreas tanto de produção como de secagem – todo este processo tem sido uma aprendizagem bastante útil no que toca ao dia a dia de uma produção cerâmica oficinal e de todas as tarefas que lhe são inerentes e que vão muito além da simples criação artística. E todas têm de ser contabilizadas.

PASTAS CORADAS

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Como se já não bastasse a saga que tenho tido com as experiências de vidrados, para efeitos e fins muito diferentes, lembrei-me agora de começar a fazer também testes para pastas coradas e engobes vítreos de alto fogo, que é o que me interessa. Mais receitas, quer isto dizer. Tenho em vista um objectivo muito específico; uma pequena/grande questãozinha técnica que me tem atrapalhado bastante desde que comecei a fazer as peças setecentistas  e cuja resolução faz toda a diferença – pelo menos, a diferença entre continuar a fazer essas peças ou a abandoná-las de uma vez por todas; o que seria uma pena pois aposto mesmo nelas e tenho mais uma série de ideias para umas outras que teriam de ser feitas da mesma maneira. Portanto e, nesse sentido, ando agora a ler uns três livros técnicos em inglês e um outro em espanhol, os quais comprei há mais de vinte anos e que pouco foram folheados – pronto, sempre foi um investimento de futuro. O pior é que não consigo desligar; quanto mais informação tenho, mais penso nisto; sonho com isto. Milhares de receitas na cabeça, alto fogo, alto fogo;  matérias primas, faiança, azulejos, fragmentos de azulejos, vidrados, engobes e fundentes. Já lá vai o tempo em que comecei a fazer umas placas relevadas simples, em barro refractário, cozidas a alta temperatura e baseadas nos baixos-relevos dos monumentos românicos e góticos. Imitavam pedra; eram tão simples. Foi assim que tudo começou.