TIPOS DE BARRO

Aqui há uns tempos fui contactada por um arquitecto que me descobriu na net e pelos vistos gostou do meu trabalho, no sentido de me encomendar a manufactura de uma série de peças cerâmicas para uma obra que ele tem em mãos. Trata-se de executar o revestimento para um chão e parte das paredes de uma casa-de-banho, segundo um projecto dele próprio, baseado nos azulejos enxaquetados e com variantes quer a nível das dimensões de cada peça, quer a nível da coloração própria de cada tipo de barro. Eu estou interessada, claro; para além de ser uma encomenda de trabalho, parece-me um projecto bem giro para participar. Vou agora fazer umas pequenas amostras com barro vermelho, terracota, barro branco e barro preto, para já ter um ponto de partida para lhe mostrar.

BENEFÍCIOS DE AMASSAR BARRO

Hoje, enquanto fazia mais não sei quantos azulejos manuais em barro, ocorreu-me esta bela ideia: por que não criar um protocolo com uma academia de ginástica para que faça uma sucursal aqui na oficina? Seria uma óptima maneira de eu ter o barro todo amassado, sem ter de investir em nenhuma fieira, que só ocupa espaço e  gasta electricidade e ainda ganhava dinheiro, claro; porque essas coisas pagam-se! Na brochura publicitária do ginásio, ou, como se diz agora, flyer, poder-se-ia ler «Método inovador, com resultados visíveis ao fim de apenas três dias!», o que não seria mentira nenhuma, não senhor, que eu posso comprovar por mim própria! Vejamos os benefícios de amassar o barro: trabalham-se os braços, os quais adquirem uma nova musculatura; trabalham-se os abdominais, ficando com a barriga mais rija e ainda se trabalham as pernas, que ficam mais tonificadas de tanto flectir para cima e para baixo ao pegar nos pacotes de 12 quilinhos de barro e levá-los de um lado para o outro! Acreditem, em três dias apenas, já tudo isso me dói, é melhor do que fazer remo! Nem água falta, porque se sua as estopinhas… E já nem falo do lado terapêutico de amassar barro! Para que se evitem bolhas de ar, é fundamental bater o barro com muita força e aqui, convém pensar no chefe, ou no governo, ou nalguma coisa que nos esteja a chatear mesmo a sério, com a vantagem de à noite se cair na cama a dormir sem pensar em problema nenhum. Até se poupa na farmácia.

Vou já à net ver contactos de ginásios. Tenho a certeza que não vai faltar gente interessada, tudo aqui a amassar barro e eu sempre a fazer azulejos manuais. Em pouco tempo devo ter mais do que suficientes para revestir a Baixa Pombalina, não? Olha… vou aproveitar e vejo já também se descubro o telefone do António Costa…

CALOS NAS MÃOS

Comecei a fazer as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da igreja da Ota. Ufa! Já há algum tempo que não amassava barro e estou a suar em bica, apesar de nem estar assim tanto calor! Este processo é do mais artesanal que existe, o que tem a sua piada e confere aos azulejos um aspecto mais semelhante aos originais; no entanto, a idade já não o vai permitindo! Tenho de ganhar algum dinheirinho e ver se invisto numa fieira e, já agora, numa máquina de fazer lastras (como é que vão caber aqui na oficina é que não sei, mas depois se verá). Os meus calinhos de estimação, que estavam tão quietinhos, é que já se começam a manifestar da pressão que eu faço no rolo da massa. E ainda só vou nas 30 chacotas…