
Continuo a fazer a minha peça em contra-relógio; falta praticamente um mês para entregar toda a documentação para ver se sou seleccionada para a Exposição Nacional de Cerâmica Contemporânea. Tenho de acabá-la o mais rapidamente possível se quero que a secagem se faça como deve ser – uns quinze dias pelo menos e depois faltam ainda as duas cozeduras previstas. De acordo com o tema, «A estética da paixão, a paixão pela estética» e com a minha memória conceptual e justificativa, comecei hoje a modelar a figura que vai estar lá dentro, espero terminá-la amanhã para a poder colar no fundo do remoinho. Começo a entrar ligeiramente na fase do nervoso miudinho, em que quero despachar tudo depressa mas para as coisas saírem bem, tudo tem de ser feito com calma e muito lentamente. Enfim, paciência, muita paciência…
Etiqueta: Cerâmica
PORCELANA
Nem ontem nem hoje fui para o 88, tenho de estar aqui na oficina para ir fazendo a minha peça que está num ponto crítico. Ontem resolvi construir uma cofragem em cartão duro para a conseguir virar ao contrário; as pernas são demasiado altas e estreitas e foi a melhor solução se não quero que haja azares – que ainda podem acontecer. Tenho de me apressar a trabalhar o interior, que na verdade é o que vai ser o exterior. Estive a fazer uma incrustação com porcelana, que segundo os testes que fiz anteriormente, irá cozer à mesma temperatura que o barro refractário, a cerca de 1250ºC. Provavelmente irá estalar nalguns pontos, os coeficientes de retracção das duas pastas são diferentes, mas tudo bem, vai ser assumido assim.
MUITO PELA FRENTE
Lá segue a construção da minha peça em cerâmica para a exposição no Mosteiro de Alcobaça; já se vê qualquer coisa. A peça é um bocado complexa e tenho de estar atenta à secagem do barro: se por um lado tem de estar suficientemente seco para se poder trabalhar; por outro, tem de estar suficientemente húmido para se poder trabalhar… Tenho diferentes espessuras de paredes e todas têm de estar no mesmo ponto, para que não empenem nem partam. Enfim, um processo moroso; o que eu aliás já sabia, mas que nesta altura do campeonato não dá jeito nenhum. Se quero ser seleccionada, tenho de entregar até ao fim de Junho toda a documentação relativa à peça, incluindo 3 imagens: título e dimensões da obra; peso; materiais e técnica de realização; autor e memória conceptual e justificativa. Posso dizer que nesta altura já tenho um terço de todo o trabalho feito, mas ainda tenho muito pela frente!
EM ANDAMENTO!
Em Março inscrevi-me para uma Exposição Nacional de Cerâmica Contemporânea que se irá realizar em Setembro no Mosteiro de Alcobaça, a propósito das comemorações do episódio histórico de D. Pedro e D. Inês de Castro. A exposição está subordinada ao tema «A estética da paixão / A paixão pela estética» e à primeira vista foi coisa que não me interessou. No entanto o meu subconsciente, que é tramado, ficou a pensar no assunto e umas horas depois as primeiras ideias para uma peça começavam a ganhar forma. Nessa noite quase não dormi, a minha cabeça estava a mil e na seguinte também não. Resultado: dois dias depois já sabia o que é que ía fazer e mentalmente só me faltava contornar algumas questões técnicas de execução. Na altura estava eu cheia de tempo e até ao final de Junho, o prazo para a entrega da documentação aos promotores do evento, faltavam ainda três meses. Depois apareceu o 88 e a intervenção nos 6300 azulejos, ao fim de mais de dois anos à espera. Agora, para Junho faltam só duas semanas, o que quer dizer que tenho de me despachar com o projecto, com a memória conceptual e claro, com a manufactura da dita peça. Que já está em andamento!
SEARCHERS
Hoje de manhã vim para a oficina, o que já não acontecia há quase dois meses. Há várias coisas que foram interrompidas quando comecei o trabalho do 88, confesso que naquela altura até pensei «Oh não!… um trabalho de restauro agora? Então e as minhas ricas peças em cerâmica, das quais eu não tiro um tusto e que eu ía tão entusiasmada?», mas rapidamente tive de fazer a agulha para ali, que ganhar dinheirinho é que tem de ser, principalmente depois do marasmo do ano passado. Bom, agora tenho de pegar no trabalho onde o deixei ficar, já nem sei bem onde era; esta adaptação, assim de repente, dá-me um bocado de jet lag. E assim, ao som de Searchers, do Amon Tobin – o que até tem a ver com o tema -, tento meter as ideias em ordem.
LER EM TODO LADO
ÚLTIMOS PREPARATIVOS
No próximo sábado vou participar no Mercado de Texturas e Cores, promovido pela Biblioteca Camões no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Poesia. Como a obra lá no 88 está a decorrer sem grandes percalços – se exceptuarmos o facto de ontem ter havido uma inundação pela escadaria abaixo -, hoje vou ficar a fazer serão aqui na oficina para ultimar as coisas que quero levar: preparar os meus cartões pessoais, vidrar e enfornar mais algumas tacinhas e placas relevadas e colar alfinetes nas pregadeiras. A sorte é que vou ter uma banquinha mínima, pois tenho pouco material e assim ela fica cheia facilmente. Estou animada, o evento é giro e o lugar não podia ser melhor; mesmo que venda pouco sempre divulgo o meu trabalho. E esperemos que não chova.
DUAS MÃOZINHAS
Não tem sido fácil conjugar o início do trabalho de restauro dos azulejos do prédio nº 88 com as minhas peças; o tempo aqui na oficina tem sido pouco e sempre a ser interrompido. No dia 26 vou participar numa feirinha na Biblioteca Camões e quero levar algum material, claro; não que conte vender muito, mas pelo menos para mostrar o trabalho e dar cartões. Hoje fiz duas mãozinhas, para o pequeno conjunto das pregadeiras em faiança – acho-lhes uma certa piada. São duas mãozinhas direitas, o que me dava imenso jeito aqui para trabalhar, mas estas, por enquanto ainda não fazem nada, estão só à espera de irem para o forno.
ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE!
Alguma vez tinha de me acontecer: fazer aquilo que eu tinha dito para mim mesma que nunca iria fazer! – e estou a falar estritamente da minha produção cerâmica. Quando há uns tempos reciclei um bocado de barro branco, era já no sentido de fazer estas peças em faiança, completamente diferentes do meu trabalho até agora e que tenciono adaptar a alfinetes de peito, também conhecidos por pregadeiras ou, como diria a minha avó, broches. Confesso que não me apetecia muito cair nesta onda do berloque, mas a verdade é que os berloques vão-se sempre vendendo e portanto decidi também tentar a minha sorte. Tal como nas peças que fiz para a feira setecentista, das Séries «Fragmentos», mais uma vez a azulejaria tradicional portuguesa foi a minha fonte de inspiração e é visível que o meu lado de restauradora de azulejos se manifesta fortemente. Estas são as primeiras que pintei, ainda a título experimental, sempre quero ver se resultam…
TEMPO LIVRE
Esta semana não vou para o 88. Isto é, não vou trabalhar para lá, apesar de ainda não ter parado de tratar de assuntos que têm a ver com a obra de restauro dos azulejos e que ainda vão continuar: comprar e descarregar materiais, encomendar caixas de cartão, fazer seguros e marcar consultas de medicina do trabalho para toda a equipa (esta não estava à espera!), ir à segurança social, mandar mails, receber mails e telefonemas, telefonemas e mais telefonemas. No meio disto tudo, o mais engraçado foi ter pensado que iria ter este tempo livre aqui na oficina para fazer mais umas peças da minha pequena produção cerâmica e que estava tão lançada. Hoje lá consegui vidrar e pintar as novas placas relevadas que fiz para a série «É o mar que nos chama», que ainda estão em fase experimental, mas que estou ansiosa para ver como ficam.





