A MIL…

Hoje vou fazer uma fornada de vidrados, quero ver se estas peças ficam prontas para as levar à loja na próxima semana. Com tanta coisa que ando a fazer ao mesmo tempo, começo a ficar baralhada com isto tudo; tenho peças a secar para enchacotar a 970º e outras a 1040º; por outro lado, tenho vidrados para cozer a 1020º e outros a 1240º. Isto para não falar nas experiências de barro pigmentado com diferentes percentagens de óxidos, nem nas tacinhas que estou a modelar. E mais os orçamentos que tenho para fazer pelo meio disto tudo, sem me enganar e que me roubam algum tempo. Os frasquinhos com experiências de vidrados desmultiplicaram-se rapidamente e uns servem para uma coisa e outros para outra, mas como estão bem identificados, não há margem para confusões – espero eu. Tenho pressa em ver resultados; ando entusiasmada, mas estes processos demoram o seu tempo e as semanas passam demasiado rápido. E o forno demora um dia até eu poder ver o que se passou lá dentro. Ufa!… Estou cansada…

PASSADO / PRESENTE

Tenho pena de não ter conhecido melhor o meu avô Henrique; morreu no dia em que eu fiz cinco anos. Sendo carpinteiro, foi dele que o meu pai herdou uma série de ferramentas lindas, entre as quais este compasso e este esquadro, que eu trouxe ontem emprestados e que muito jeito me vão dar para eu fazer uma peça grande que já tenho aqui na ideia. Fico contente por lhes dar uso e assim, continuidade à memória do meu avô. É engraçado ver como estas ferramentas tão antigas se complementam com a minha nova balança digital, todas com igual importância na elaboração do mesmo trabalho e cumprindo cada uma com o mesmo rigor a função para a qual foi feita.

COLORIDO

Acabei de vidrar as minhas placas de cerâmica relevadas da colecção «Pólen». Demorou mais do que imaginava, é um trabalho moroso e delicado que não dá para fazer à pressa e eu gosto de ser perfeitinha a trabalhar (olhó restauro…). Acabei de enforná-las,  mais uma série de tacinhas pequenas, coloridas. Espero esta semana conseguir levar tudo à Original, o bom tempo vem aí e os turistas também.  Lá na loja disseram-me que as cores chamam pessoas lá para dentro; eu cá não sei, não tenho experiência nenhuma, mas querem colorido? Então cá vai!

INEVITÁVEL

Estou a acabar os protótipos das minhas duas placas relevadas novas, para a série «É o mar que nos chama», baseadas em azulejos de figuras-avulso. Por mais que eu queira, é inevitável; a minha criatividade está demasiado formatada por 20 anos de azulejaria e às vezes libertar-me não é fácil – já ter feito algumas peças tridimensionais foi um princípio. Mas confesso que gosto de revestimentos murais, placas cerâmicas, de preferência de grandes dimensões e grossas, pesadas e a azulejaria tradicional portuguesa ainda continua a ser das poucas coisas que nos define como entidade, portanto, só tenho é de aproveitar toda a sua riqueza para a recriar e dar-lhe continuidade.

950º – 1300ºC

Preparo-me para fazer receitas de vidrados, para experiências. Como isto da cerâmica tem pano para mangas e é um percurso moroso e paciente, só agora há pouco tempo é que me caiu a ficha. Passo a explicar o problema: Se eu cozer o barro refractário à temperatura dos vidrados – 1020ºC-, não fica com o tom que eu quero e, os vidrados fervem se eu os cozer à temperatura do barro -1250ºC ou mais. Portanto,… tenho aqui um problema de incompatibilidades. Que tenciono começar a resolver; vou  fazer experiências, com vidrados de alta temperatura, mais óxidos e corantes e tintas, sobre peças chacotadas a baixa temperatura, muito mais porosas e receptivas à calda de vidrado. E assim, no final, coze tudo à mesma temperatura. Tudo o que eu sei destes vidrados é teoria e sei que a obtenção de cores é mais limitada. Mas como tenho bastantes placas de experiências, é dar largas à imaginação e vai já tudo hoje direitinho para o forno. E com os resultados começo a aprender alguma coisa.

PLACAS DE EXPERIÊNCIAS

É sempre assim: há temporadas que ando para aqui a pensar o que é que hei-de fazer e os dias vão-se passando até que eu finalmente consigo encarrilar com algum processo produtivo. Quando isto acontece e eu meto a mão na massa, aparecem sempre inúmeras coisas para tratar, que me interrompem o trabalho e parece que não tenho tempo para nada. Retomei a minha produção cerâmica e quero fazer umas experiências com vidrados de alta temperatura, que nunca experimentei. Desta vez, para variar, fiz uma série de placas de experiências, com o barro refractário que costumo usar, para fazer receitas de vidrados. Normalmente experimento coisas novas logo com peças modeladas, sempre a pensar que se não correrem bem, «não há problema, é só uma experiência…», mas a verdade é que se correrem mal, fico sempre um pouco desapontada, pois uma peça cria sempre mais alguma expectativa do que uma mera placa de experiência. Para além de que poupo tempo. E material.

MOLDES

Decidi retomar a minha produção cerâmica que já estava parada há algum tempo. Estou a fazer mais placas relevadas, agora com a colecção completa das sete da Série Horto e as do costume que tenho à venda no Mosteiro dos Jerónimos. E ainda mais taças novas, da Série Fragmentos, que já tinha feito à laia de experiência e à pressa para ir à Feira Setecentista de Queluz em Julho do ano passado, mas agora com o barro refractário que eu costumo usar. Quero ainda modelar mais três novas placas relevadas, para uma nova série que tenho em vista, mas tudo a seu tempo; primeiro tenho de pôr estas todas novamente a mexer…

RECICLAGEM

Ando a puxar pela cabeça para ver como é que hei-de ganhar alguns €€€. De há uns dias para cá tenho andado a pensar numas peças novas em cerâmica, pequenas, totalmente diferentes do que tenho feito até agora. Ainda nada de concreto, só ideias que têm andado aqui a deambular pela minha cabeça e que quero pôr em prática, pelo menos experimentar. Como já não tenho dinheiro para investir em mais material, muito menos para experiências, resolvi reciclar uma série de barro branco que estava parado há anos ali no contentor da reciclagem de barro branco. Parti tudo em pedaços pequenos e juntei água até cobrir e agora vou ter de esperar até que amoleça de novo. E depois é ter bracinhos para amassar aquilo tudo…

BARRO REFRACTÁRIO

A semana passada fui comprar barro. Como sou organizadinha, tinha de parte algum dinheiro que me ficou da última feira que fiz, em Julho do ano passado, já a pensar em investi-lo na compra de mais material cerâmico. Não deu para muito; o IVA aumentou entretanto, mas ainda assim consegui comprar oito pacotes, sempre são 100Kg de barro refractário que já dão para qualquer coisa. Vou voltar à minha produção cerâmica, quero fazer mais peças das que já tinha feito e tenho umas ideias novas. E a ver se, de uma vez por todas, me meto nas minhas tamanquinhas e vou bater a umas portas de lojas que tenho em vista…

31 DE DEZEMBRO DE 2010

31 de Dezembro de 2010.  Não posso dizer que este ano tenha sido dos mais famosos: três ou quatro trabalhitos pequenos no primeiro trimestre e mais dois ou três agora no final, o que deu mais ou menos uma média de seis meses de trabalho efectivo e outros seis a puxar pela cabeça a ver como é que me arranjava para ir pagando as despesas correntes lá de casa e aqui da oficina também. Mas nem tudo foi mau: a um tal de Jorge Inácio, dono da Mdf-Cr, uma empresa de restauro que não recomendo a ninguém, para quem trabalhei em Março, numa igreja em Cascais e cujo pagamento ainda continuo à espera, devo o facto de ter iniciado a minha produção cerâmica antes de optar por ir trabalhar para o Pingo Doce, já em desespero de causa e fartinha de certo tipo de restauradores, supostamente sérios, que para aí andam. Obrigada, Jorge! E quando puderes paga-me lá o que me deves, caramba; já lá vão nove meses e o dinheiro faz-me falta. Ainda não vivo da cerâmica, claro, mas gosto do processo criativo e tenho tido alguns elogios, o que me deixa sempre um bocado babada. E enfim, tive experiências novas; fui às feiras medievais; criei este blog (que tão bem me faz à sanidade mental durante as muitas horas que trabalho sózinha) e através dele, conheci pessoas novas e até vou entrar num documentário europeu.

Não posso dizer que este ano tenha sido propriamente bom. Mas também não foi mau de todo… Enfim, não foi bom, nem mau; antes pelo contrário.