Ando à procura de motivos para pintar nas minhas novas peças. A ideia é que elas fiquem com um ar de que foram arrancadas e esculpidas de pedaços de uma parede onde existiram azulejos. Vou utilizar partes de desenhos que sejam facilmente reconhecíveis como pertencentes à azulejaria do séc. XVIII. O azul e branco ajuda, claro. Livros não faltam aqui na oficina e desenhos já picotados, que usei nas réplicas para intervenções de restauro, também não. E cacaria, nem se fala; temos pilhas de fragmentos que vão ficando de trabalhos e que guardamos religiosamente, nem sei bem para quê.
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TEMPO CONTADO
Fiz cinco pratinhos e cinco taças altas novas. E ainda mais seis solitários. Este barro é novo, tem chamote mais fina, não sei bem como vai resultar, mas não havia o que eu costumo trabalhar. Por um lado, talvez até seja melhor, pois quero pintar os motivos como se fossem fragmentos de azulejos ou faiança e o grão mais fino facilita. Já tenho esta ideia há muito tempo, para possíveis peças para pôr à venda no Museu do Azulejo. Tenho o tempo contado, se as quiser levar à Feira Setecentista, no fim da próxima semana e ainda falta quase tudo: secar, lixar, cozer, vidrar e pintar, cozer novamente. Acho que vou ter de acelerar o processo nalguma fase…
PEÇAS NOVAS
Resolvi ir à Feira Setecentista de Queluz, no fim deste mês. É verdade que eu tinha dito que não ía, quando a Câmara Municipal de Sintra me convidou para participar; aleguei que as minhas peças tinham sido idealizadas para as feiras medievais e que eu achava que não se adaptavam a este novo tema. Também é verdade que ainda lhes disse que, embora tivesse já umas ideias, não tinha tempo suficiente para fazer peças novas, mas que para o ano contassem comigo. Só que pensei melhor, falei com a Câmara e afinal vou. Vou, «mas só com estas peças que restam, não gasto nem mais um tostão em barro!»
Hoje fui comprar barro. Foram só dois pacotinhos… Fiz peças novas. Tem estado calor e talvez elas sequem. Domingo, no máximo, têm de ser enfornadas. Como não tenho muito tempo para experimentar ideias novas, continuo na mesma linha das que já tenho, mas com uma decoração diferente. Azul e branca, como na época áurea da azulejaria portuguesa do séc. XVIII.
Entretanto, espero não mudar de ideias mais vez nenhuma.
FEIRA MEDIEVAL DE SINTRA
16, 17 e 18 de Julho de 2010. Esta era a minha banca, que afinal se chama stand. Apesar de muito vento e calor de dia e muito vento e frio à noite, correu bem! Com excepção de uns alfinetes e de uma estaca, não me esqueci de nada! E mesmo isso, foi-me emprestado pela vizinhança, que, mais uma vez, era muito simpática. Estou muito cansada, mas contente. Estava à espera de vender mais, mas parece que a tão falada crise está mesmo instalada e as pessoas não compram tanto como gostariam. De qualquer modo não me posso queixar; sempre trouxe algum dinheiro para casa, divulguei o meu trabalho e ouvi muitos elogios às minhas peças, o que me deixa um pouco babada e motivada para continuar. E entreguei muitos cartões a pessoas interessadas, o que talvez traga alguns frutos lá para a frente… E ainda obtive uma ou duas informações preciosas se quiser apostar nisto das feiras.
Já agora, obrigada, mais uma vez, aos amigos e familiares que por lá apareceram e que contribuíram com a sua opinião, companhia e força (e algum dinheirinho!) para eu continuar por esta nova via da cerâmica.
ULTIMA FORNADA
Uf! Tirei agora mesmo as ultimas peças do forno, mesmo a tempo de ir para a Feira Medieval de Sintra. Saíram todas bem! Acho que já estou a melhorar com os vidrados… Doze placas relevadas, doze tacinhas e uma taça alta. E já não tenho mais barro! Nem mais nenhuma feira em vista, para já. Espero vender bastante, estou a precisar do dinheiro. Se não, pelo menos divulgo o meu trabalho, o que é sempre bom. E oiço opiniões… Já tenho tudo pronto, só falta carregar o carro e fazer-me à estrada. Hoje a feira abre às 18h, mas as coisas têm de estar montadas duas horas antes. Espero que não chova, o tempo está esquisito e em Sintra nunca se sabe…
SÉRIE FLORES
Quando há três meses comecei a pensar em dedicar-me à cerâmica, ainda não sabia bem o que é que ía fazer. Tinha já duas ou três placas relevadas que costumo vender na loja do Mosteiro dos Jerónimos e algumas ideias dentro desse género. Comprei barro e desatei a fazer peças a torto e a direito; foi um delírio, até porque o trabalho de restauro de azulejos não o permite, claro. Muita coisa foi posta de parte, umas por questões técnicas que ainda não domino, outras porque as peças não correspondiam às minhas expectativas. Nessa altura comecei a fazer estas placas, que, ao contrário das outras que eu tenho, já estavam pensadas para terem elementos vidrados. A ideia era fazer uma série de sete diferentes, que, ao ser vidrada de inúmeras cores, se pode desmultiplicar por uma muito maior. Fiz quatro e já não sei bem porquê, abandonei a ideia. E elas ali têm estado, há quase dois meses na prateleira, a ver o que é que lhes acontece. Hoje resolvi vidrá-las, ainda a tempo da Feira de Sintra. Finalmente dei-lhes o acabamento que tinha pensado e logo à noite, forno com elas. Se gostar do resultado, talvez depois faça as outras três que ainda faltam.
A MINHA PRIMEIRA PRODUÇÃO CERÂMICA!
Que emoção! Aqui está tudo o que selecionei para levar para Elvas, o resultado destes dois últimos meses de trabalho e primeiros neste caminho das artes do fogo! Entre muitas experiências, cerca de 120 peças – taças de vários tamanhos, pratinhos, solitários e placas relevadas. Fora os diversos, tais como cartões, etiquetas, fita-cola, tesoura, sacos e papel de embrulho e claro, caixinha para trocos, já com algumas moedas e duas ou três notas pequenas. E um pano para forrar a bancada, mesmo não sabendo as medidas. Acho que não me esqueci de nada… mas amanhã é que vou ver. Agora é empacotar isto tudo e carregar o carro! Ufa!…
PEÇAS
PEÇAS NOVAS
Ando para aqui às voltas com as minhas peças de cerâmica… A coisa não é fácil, tenho pouca experiência nisto e estou formatada por 20 anos de restauro de azulejos!
Quero ver se participo numa Feira Medieval em Elvas e já falta menos de um mês. Isto se me aceitarem, claro…
Para já, faço experiências.
Ufa!











