SETE

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Há coisas que são boas e que já me tinha esquecido de como gosto de as fazer. Ficaram como uma memória boa dos meus tempos de infância, na casa dos meus avós e mais tarde, da escola e do liceu, das disciplinas de trabalhos manuais e desenho. E depois nunca mais as voltei a fazer – deixou de ser preciso e de eu sentir essa vontade.

Hoje peguei na minha caixa de aguarelas desencantada mesmo a tempo do baú e estive a pintar o meu projecto para o painel de azulejos com a espiral de sete cores – as sete cores dos chakras.

E foi bom.

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ESPIRAL

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Tive uma encomenda de um painel de azulejos; baixo orçamento – demasiado baixo, vejo agora; não sei bem o que me passou pela cabeça, acho que me deixei levar pela simpatia da senhora e também pela sua causa. De qualquer modo, vai estar num espaço público em Lisboa e acho piada a isso, apesar de já saber que à partida “vai ser alvo de vandalismo”.

Quando saí da reunião/almoço, simpática e saborosa, no próprio local onde tive de pensar em tudo com a barriga cheia, vinha decidida a executar a ideia que me tinha sido pedida – na verdade muito simples e morosa q.b. para o preço que apresentei -, mas claro que aqui na oficina, com  papeis e lápis e vidrados e cores à disposição, comecei a complicar.

De modo que o que iria ser um círculo enorme, vidrado aleatoriamente com sete cores diferentes, afinal – e depois de, em conversa com a Najma, ter sabido do seu gosto especial por esta forma-, vai ser um círculo enorme com uma espiral de sete cores diferentes lá dentro.

Isto já implicou desenhar uma espiral a partir de um heptágono, coisa que me levou algum tempo a fazer, pensando que já nem me lembrava como é que se construía um heptágono, quanto mais uma espiral a partir dele. E ainda vai implicar ampliar o desenho à mão para um painel de quatro metros quadrados, sendo que só me cabe um quarto de cada vez no taipal e ainda não estou bem a ver como é que o vou fazer.

Resumindo: fui EU que decidi complicar. É para aprender.

E é tããão bom!

PEQUENOS PAINÉIS DE AZULEJOS

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Baseada numa ideia que tive há algum tempo, acabei hoje de montar em suporte acrílico pequenos painéis de azulejos, todos com 14x21cm de dimensão – um tamanhinho simpático para pendurar em qualquer parede.

As chacotas são totalmente manuais e têm três tamanhos distintos, que se articulam entre si de modo a respeitar a dimensão final e os motivos, retirados de diferentes fases da azulejaria tradicional portuguesa e adaptados aos tamanhos pretendidos, são pintados à mão, conjugando-se uns com os outros sem respeitar a época em que foram criados.

Para já, seis painelinhos. À experiência e até ver o que faço com eles.

FIGURATIVOS

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Um dos mais gritantes aspectos do mau estado de conservação do painel de azulejos da autoria de Júlio Pomar e Alice Jorge, na Av. Infante Santo, em Lisboa, era a existência de grandes lacunas integrais principalmente nas zonas figurativas ali representadas.

A visível degradação do suporte devido a problemas estruturais, com argamassas de reboco e assentamento bastante envelhecidas, foram, entre outras, algumas das causas para a perda irremediável dos azulejos originais; mas se no diagnóstico do estado de conservação do painel, executado antes da intervenção de restauro, constava que os azulejos se encontravam em risco de destacamento da superfície de suporte, a verdade é que, aliado a este facto que também acontecia, muitos deles foram “caindo” estratégica e curiosamente apenas nas zonas figurativas – que por si só poderiam formar pequenos painéis independentes.

A segunda fase da manufactura das réplicas para este painel, depois da produção quase em série das 650 unidades de padronagem, foi então a da pesquisa, reconstituição, elaboração de desenhos, procura de cores, abertura de muitas, muitas máscaras, pintura e enforna de cerca de mais 150 azulejos que finalmente devolvessem as personagens desaparecidas ao painel e também a sua integridade inicial. E aí o trabalho foi bastante mais moroso.

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ARCO DO ALHAMBRA

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Entreguei já todas as réplicas dos azulejos relevados que me encomendaram para o Arco do Alhambra – 10 “Parras”, 10 “Folhas de Videira”e 15 “Panóplias Militares” – que irão colmatar lacunas e substituir azulejos em franco mau estado de conservação existentes na superfície parietal.

A encomenda foi-me feita no início de Dezembro e ainda assim consegui fazê-la em tempo record, tendo em conta que para cada exemplar teve de ser modelado um protótipo inicial, fazer-se um molde e tirar-se mais do que o número de azulejos precisos; isto durante estes dois últimos meses em que a humidade e o frio aqui na oficina estiveram nos seus limites máximos e toda a secagem foi bastante complicada.

Depois foram as experiências de cor, inúmeros testes de vidrados base e tintas de alto fogo, receitas, referências e fornadas, que se foram acumulando aqui na bancada e que agora ainda tenho de inventariar. E a seguir vidrar e pintar cada um deles, com calma para o resultado ficar bem.

Anteontem entreguei as réplicas ao meu colega Ivo, que tem estado a fazer o restauro de todo o conjunto azulejar e que as vai assentar na parede – uma semana antes do prazo que eu tinha previsto, pois assim mo pediram de repente. Não fiquei totalmente segura quanto aos verdes, estava ainda a tirar conclusões quanto ao tom, à consistência da tinta e à temperatura de cozedura; ainda me faltou mais um passo, que já não tive tempo de o fazer. De qualquer modo os verdes originais variam bastante de tonalidades; basta pensar que uma produção daquela quantidade era cozida em fornos a lenha e sujeita a diferentes temperaturas entre si.

Estou curiosa para ver o resultado.

PANÓPLIAS MILITARES

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Ontem deixei vidrados e arranjados os azulejos das Panóplias Militares, os quinze que faltavam para acabar o conjunto de réplicas que tenho de fazer para a Pena. Hoje percebi que subestimei o tempo que tinha previsto para a pintura e demorei mais do que estava à espera com cada um deles; queria a todo o custo fazer uma cozedura ainda esta noite, mas deparei-me com muitos pormenores e tintas e pincéis diferentes, que não tinha ainda reparado com tanta atenção.

Com alguma calma, resolvi que pintava o que conseguisse; no limite, a fornada podia fazer-se amanhã. Ainda assim, terminei os dezasseis que precisava – um a mais e ainda é pouco, que nestas coisas não vá o diabo tecê-las.

De qualquer modo acho-os feiosos e não me parece que, sem necessidade, os vá voltar a fazer outra vez.

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Recta final

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Entrei na recta final da manufactura das réplicas para o Arco do Alhambra, no Palácio da Pena. Depois de fazer inúmeras experiências de cores de vidrados e tintas, tive de me forçar a decidir por algumas delas e arriscar-me a vidrar e pintar alguns azulejos, não fosse ficar aqui ad aeternum em busca de um tom que agora é um bocadinho mais verde limão e depois leva mais 0,3% de M702 e afinal também ainda mais um grama de manganês; mas diluído em 15ml e não em 30, como tinha feito antes – felizmente o prazo de entrega foi antecipado e de repente fiquei com cerca de uma semana a menos do que aquilo que eu estava a contar.

Estive então a vidrar as chacotas das parras e das videiras. Aparentemente este processo não é assim tão linear como aquele a que eu estou habituada; uma vez que não se tratam de azulejos lisos, tive alguma dificuldade em perceber qual a espessura ideal do vidrado a aplicar – se mais fino, comportando-se melhor nas zonas relevadas mas ficando careca sobre o fundo; se mais espesso, cobrindo perfeitamente o fundo, mas com o risco de ficar com demasiada camada na zona do relevo, o que poderá traduzir-se em abertura de gretas ou fendilhamento das cores aquando da cozedura.

Agora falta a pintura. Amanhã, se tudo correr bem, ficam os 20 prontos a irem para o forno. E depois só faltam as Panóplias Militares – que têm cores completamente diferentes destes.

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SECOS

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Entrei neste ano de 2015 com algum trabalho entre mãos, o qual me tem mantido bastante ocupada nestes últimos tempos. Tive uma encomenda de réplicas de três azulejos relevados diferentes – Parra com cacho de uvas, Videiras e Panóplias militares -, que já tinha falado aqui e aqui, num total de trinta e cinco unidades. Apesar da pouca quantidade de cada tipologia, a fase inicial inicial é sempre a mesma, trabalhosa e minuciosa – modelar um protótipo à vista e depois fazer um molde. A partir desse molde consigo tirar o número de unidades que preciso, neste caso dez ou quinze de cada, mas que poderiam até ser mil.

Neste momento e depois de penar com tanto frio e humidade no ar, tenho finalmente todos os azulejos secos e prontos para serem enchacotados. E depois é passar à segunda fase, a dos vidrados e tintas, a qual, confesso, me deixa sempre ligeiramente angustiada.

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RETRACÇÃO

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Recebi uma nova encomenda de manufactura de réplicas – desta vez três tipos de azulejos relevados que colmatem as lacunas existentes no revestimento do Arco do Alhambra, no Palácio da Pena.

À primeira vista pareceria óbvio e simples fazerem-se réplicas de azulejos deste tipo – tirava-se o molde do relevo e pronto -, não fosse termos de contar com a retracção do barro durante a secagem e a cozedura ou arriscar-nos-íamos a ter no final uma série de azulejos muito parecidos com os originais, mas consideravelmente mais pequenos – o que não convém nada quando se trata de os integrar na parede.

Assim sendo, não nos restam muito mais alternativas senão sabermos a percentagem da retracção do barro que vamos utilizar e calcularmos com que tamanho devemos modelar o protótipo do azulejo que servirá de base à manufactura das réplicas necessárias.

Foi o que comecei agora a fazer.

CHÃO

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Estão prontos os azulejos para o chão da Capela Manuelina, em Sintra. Por mais experiência que tenha, há sempre algumas questões de trabalho que me continuam a escapar e que não contemplo em orçamento – nunca tinha feito chacotas tão grossas, 15x15x2cm e desta vez não me lembrei que poderia vir a ter problemas para as enfornar na cozedura de vidrados; as gazetes existentes no mercado são feitas para chacotas muito mais finas, para 1cm de espessura no máximo. Como sou engenhocas, acabei por conseguir contornar o problema, mas depois percebi que só conseguia enfornar 24 azulejos de cada vez, metade daquilo que tinha previsto inicialmente. Enfim; esta para a próxima não me vou esquecer. (E acabo de me lembrar agora mesmo, tarde demais, que teria sido giro se em vez de gazetes tivesse usado trempes para empilhar os azulejos dentro do forno – aliás, não era assim que se enfornava no séc. XVI? )

Hoje fui à Pena entregar todas as réplicas que me pediram – estes azulejos para o chão, os relevados com a estrela para o altar e ainda as cantoneiras verdes. Ficaram bem; vim de lá satisfeita, com um sorriso nos lábios e o Sol a bater-me na cara ao longo da IC19.