Tenho estado a trabalhar numa encomenda que me fizeram ainda antes do verão e que só agora é que tive disponibilidade para começar. É uma floreira; ou uma jarra – não sei bem como lhe chamar – em barro refractário, baseada numa outra que fiz há dois ou três anos, numa altura em que isto do alto fogo ainda era um mistério muito maior do que é agora. Como é uma peça única, acho que me entusiasmei e saiu-me um pouco maior do que estava a pensar – espero que não haja problema. Amanhã estará no ponto perfeito para aperfeiçoar os últimos detalhes e depois é esperar que seque.
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ORÇAMENTOS
Tem sido muito particular, este ano de 2013. Ainda não tive nenhum trabalho desde Janeiro e as duas facturas que passei, lá para Março, referiam-se ainda a projectos do ano passado, que foram concluídos neste primeiro trimestre. Na minha pasta «Orçamentos 2013» – que eu cá sou organizada – encontra-se apenas um; datado de Junho, para a manufactura de um painel em cerâmica para o Faial, do qual entretanto nunca mais tive notícias e quer-me bem parecer que já ficou em águas de bacalhau.
Contrariamente ao que é habitual nestes longos períodos – que é estar angustiada – tenho aproveitado o tempo todo para investir nos meus projectos pessoais em cerâmica e também aqui na oficina; tenho trabalhado imenso nas minhas peças, tenho feito muitas leituras e remodelei o espaço todo aqui dentro. Tem sido um ano muito produtivo; como eu costumo dizer, um ano só para semear.
Não sei o que é que se passou agora, mas desde que começou Setembro, as coisas começaram a mudar, a mexer. De repente tive três pedidos de orçamentos para fazer, tanto de conservação e restauro de azulejos como de manufactura de réplicas; dos quais dois foram daqueles para entregar quase no dia seguinte, cheios de cálculos e coisas para pensar – trabalhos para alguns meses, com uma grande equipa. De modo que nestes últimos dias tenho andado às voltas com a papelada, as contas e o nó na barriga.
Na prática está tudo igual – fazer orçamentos não é ter os trabalhos; é só uma trabalheira muitas vezes sem retorno, nem sequer um «recebemos, obrigada». Mas já é qualquer coisa a acontecer. E se tudo acontecer, vai ser tudo ao mesmo tempo, como é costume. E aí, estarei bem tramada.
36
Estão entregues os pequenos azulejos que pintei sob encomenda para uma festa comemorativa de 50 anos de um casamento. 36 unidades; as que eu tinha disponíveis já enchacotadas – visto que o prazo era muito curto – e que chegam para os convidados da festa. Depois, tenho ainda de fazer mais 15, com outra calma. Fiquei contente com o resultado – não houve nenhuma baixa.
E agora, focar-me de novo nas minhas coisinhas.
ENCOMENDA
De volta à oficina, depois de três semanas em plena natureza, sem ligação à net nem rede de telemóvel – o que é sempre bom. O pior é o regresso e os primeiros dias aqui, como de costume quando não tenho trabalho obrigatório, são passados a fazer de barata tonta; a reorganizar ideias, a ver onde é que parei e o que é que hei-de fazer. Retomar o ritmo, pronto; custa-me.
Felizmente que, ao abrir o e-mail aqui da Tardoz, depois das tais três semanas de resposta automática activada, a dizer qualquer coisa como estou fora e incontactável, volto dia 26, obrigada, vejo com agrado que tenho mensagens novas, entre as quais uma pequena encomenda para pintar umas plaquinhas em barro, com um pormenor de um desenho retirado de um convite para uma festa que assinalará os 50 anos de um casamento.
Apesar do prazo já não ser muito – têm de ser entregues para a próxima semana – e a tarefa ser repetitiva, aceitei a encomenda. Pelo menos, servem para eu entrar nos eixos. E depois se verá.
VIDRADOS DE CHUMBO
Aproveitando os azulejos que ficaram mais empenados resolvi fazer alguns testes de cores com vidrados de baixo fogo, para ver como saíam. Quando fiz estes exemplares, estava apenas a pensar em usá-los como mostruário de azulejos Arte Nova que a Tardoz poderia produzir sob encomenda, para revestimentos parietais; mas uma amiga perguntou-me por que é que não os tento vender avulso – o que, confesso, nem me tinha ocorrido. Mas agora, vendo bem, por que não? Até acho que podem ter saída…
CILINDROS
Hoje resolvi fazer umas peças cilíndricas.
Ainda não sei para o que é que servem, nem como é que as vou decorar, nem se as dimensões estão bem – o meu método de trabalho é sui géneris. Ando com vontade de começar uma série para jardim e parece-me que estas formas vão ser os meus primeiros vasos.
Está decidido; vou-lhes fazer um furo.
BEM SECOS
Vou hoje enchacotar os azulejos Arte Nova que fiz há uns tempos para umas réplicas na entrada de um prédio na Rua Garret. Apesar do calor, a secagem tem sido feita muito controlada e lentamente – e ainda assim alguns azulejos empenaram. Acho que definitivamente vou abandonar a faiança; pelo que me foi dito, comporta-se melhor com peças rodadas.
AZULEJARIA CONTEMPORÂNEA
Começo a ver os primeiros resultados dos azulejos da nova produção que tenho andado a fazer desde Janeiro – com algumas pausas, claro. O percurso feito até agora já serviu para tirar algumas conclusões; alguns moldes têm de ser aperfeiçoados e muito provavelmente irei abandonar a faiança. Chateia-me ligeiramente só aos poucos ter dado por isto, mas por outro lado, mais uma vez percebo que é preciso seguir por um caminho para vermos que nos enganámos – o que de outra forma não seria possível. Para já estou satisfeita q.b. com os resultados, mas a coisa pode ainda melhorar. E ainda vou mais do que a tempo.
EXPERIÊNCIA
Aproveitando algum barro que ali tenho e ainda antes de ir comprar mais, hoje fiz, à experiência, esta nova peça que já tinha pensado há algum tempo – no seguimento dos solitários que já tinha feito e depois abandonei. Uma jarra – que eu gosto de dar funções às minhas peças. Não me parece mal de todo. Mas talvez um pouco maior.
AZUL E BRANCO
Estou muito satisfeita: depois de alguma leitura e experiências com pastas coradas de alto fogo, finalmente consegui ultrapassar umas questões técnicas que me estavam a dificultar o trabalho com as peças setecentistas que eu andava a fazer e que tinha abandonado provisoriamente. Agora posso recomeçar.









