2011 – CENTENÁRIO DA FCUL

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Hoje fui à inauguração do painel de azulejos que nos encomendaram para assinalar o centenário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e que se encontra no edifício do C8, na parede em frente à biblioteca. A cerimónia teve pompa e circunstância – foi descerrada uma placa alusiva ao painel e houve ramos de flores para a Ana Baliza, a autora e para as executantes do trabalho, eu e a Margarida. Estou bastante satisfeita com o resultado e parece-me que eles também.

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ENTUSIASMADA

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Já percebi que a minha relação com estas coisas da cerâmica é muito instável – tenho dias de grande entusiasmo e outros de desalento. E pronto, de uma vez por todas, não há dias «sem nada para fazer». Há sempre que fazer e os dias sem nada para fazer são para fazer aquilo tudo que não se faz nos dias com coisas para fazer – para evitar correrias e stresses  quando de repente acontece alguma coisa; porque nisto da cerâmica, como em tudo, aliás, depressa e bem, não há quem.

Ontem tive um dia desmoralizante: a fornada que tinha feito correu mal e os vidrados dos azulejos que lá estavam ficaram uma vergonha – ainda estou para saber porquê, nas amostras tinham ficado bem. A partir daí só fiz disparates – mais – e acabei por perder um tempo que neste momento não me convinha nada. Saí da oficina a pensar «por que raio é que me meti nisto» e «assim não vale a pena, caramba».

Hoje o dia rendeu bastante: preparei umas trinta receitas de vidrados de alto fogo – dentro em pouco vou cozer as minhas taças, a 1250º, e quero aproveitar a mesma fornada – e fiz dois vidrados novos, para as taças setecentistas, que depois vidrei. E claro, pensei nas imensas ideias novas de tudo o que tenho para fazer.

Estou entusiasmada.

RECOMEÇO

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Fui contactada por uma nova loja que irá abrir em Évora agora no fim deste mês, início do próximo. Descobriram o meu trabalho no Castelo de Viana do Alentejo e estão interessados em ter algumas peças de cerâmica minhas para venda. Eu, claro está, também estou interessada nisso. Tenho é muito poucas peças disponíveis; estes dois anos dedicada aos trabalhos de conservação e restauro de azulejos deixaram parada a minha produção que entretanto tinha começado e que ia tão lançada – mas não me desmultiplico (mais ainda) e não me posso esquecer que é da conservação e restauro que tenho vivido nestes últimos vinte anos. De modo que hoje recomecei a fazer as minhas taças em barro refractário, as que fiz para as feiras medievais e setecentistas – já tinha saudades! Mas agora, com Isabel Colher no tardoz.

AMASSAR

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Hoje estive a amassar barro.

Enquanto não investir numa fieira como deve ser – um balúrdio! – tem de ser assim, à mão. Fico bastante cansada e o pior é que não obtenho assim tanto barro que me permita produzir imenso. Mas pronto; tenho um contentor cheio de sobras de faiança já secas que, recicladas, voltam a estar no estado plástico, prontas a serem trabalhadas; é um disparate não as utilizar – não me posso esquecer que não tenho tido trabalho, portanto o melhor é usar todo o material que já exista aqui na oficina. E assim vai a coisa – aos poucos. Mas vai. E daqui a pouco tempo, o novo mostruário estará pronto.

ÓXIDO DE COBRE

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Com o pretexto de encontrar um vidrado de baixo fogo verde para vidrar um azulejo de uma encomenda, resolvi fazer umas experiências de cores partindo de três vidrados, transparentes, com composições diferentes. O princípio era o mais básico para quem começa com estas andanças da cerâmica: pegar em cada um desses vidrados base e acrescentar óxido de cobre a cada um deles, em percentagens diferentes. Assim fiz e fiquei com três receitas diferentes e com três copinhos com três vidrados diferentes; que não seriam usados para mais nada, arriscando-se a irem todos para o lixo – que nesta coisa das receitas de vidrados temos sempre de contemplar o factor desperdício.

Uma vez que eu sou pouco dada a desperdícios e, aproveitando também o facto de ter de fazer uma fornada apenas para aquelas experiências de cor, resolvi juntar a cada copo um bocadinho de óxido de cobalto – só para ver o que é que dava. E depois, já agora, uma pitada de óxido de estanho. E de zinco. E para finalizar, misturei as receitas todas umas com as outras.

Foram estes os resultados. Uns aproveitam-se e são para repetir; outros são para esquecer e outros ainda são a base para novas receitas. Adoro isto!

OITAVO

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Terminei hoje mais um protótipo desta nova produção – o oitavo e último, para já. Bem sei que estou sempre a afirmar o mesmo, mas chegou a altura de começar a tirar provas e fazer as composições – uma chatice; o que eu gosto mesmo é de estar a modelar, mas pronto, não posso ficar assim ad eternum. E as outras ideias vou fazendo depois, calmamente e em paralelo.

NA PAREDE!

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Está na parede o painel de azulejos que produzimos, da autoria da designer Ana Baliza e que assinala o centenário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O painel é baseado no logotipo da faculdade e representa um ano, com os doze meses e os respectivos dias de cada mês – a leitura é feita de cima para baixo. Estou muito satisfeita com o resultado; aqui na oficina ainda não o tínhamos visto todo montado – tem cerca de quatro metros de altura por um metro e meio de largura. Agora é fazer uma pintura em toda a parede e está pronto para a inauguração.

SEXTO? SÉTIMO?

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Hoje acabei mais um protótipo de um azulejo desta minha nova produção de 2013. Agora que percebi como é que a coisa funciona, estou a ficar boa nisto; este não demorou mais do que algumas horas a fazer – o que é bom, porque deste género, tenho ideias que nunca mais acabam. Enfim, tem um ou dois defeitos; mas só eu é que sei.

POLIEDRO

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Após duas tentativas falhadas e uma dor na mão, que se estende por todo o braço até chegar à omoplata, consegui finalmente fazer este azulejo relevado – é que apesar de parecer simples, não consegui perceber logo à primeira (nem à segunda…) como é que a coisa funcionava. Mas agora já percebi, e os próximos desta linha vão correr muito melhor!