FIGURA AVULSA

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Hoje resolvi mudar de registo e variar um pouco o que tenho vindo a fazer neste último mês. Tenho este pequeno trabalho para fazer – o primeiro deste ano! – e se não meto já mãos à obra, o tempo vai passando e nunca mais. Trata-se de uma pequena encomenda de quatro azulejos manuais, feitos à medida, que intercalem com estes de figura avulsa e que irão ser todos montados em suporte móvel, na vertical.

E as chacotas já estão a secar.

FORNADAS!

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De volta à oficina, depois da super-constipação com direito a febre apanhada no Mercado de Natal que fiz a semana passada. Para piorar ainda mais o cenário, o forno grande, onde estávamos a cozer os azulejos para o painel da FCUL, estragou-se a semana passada, ao fim de dez anos a funcionar como deve ser – já estava no seu direito, claro; mas não foi na melhor altura, quando temos o trabalho para entregar até dia 31. Mas enfim; por sorte temos o forno mais pequeno, no qual estamos a adiantar e a enfornar as chacotas (no dobro do tempo…) para as conseguirmos deixar já vidradas e depois, quando o grande estiver arranjado (espero que ainda hoje…), é só vir cá à oficina fazer fornadas de vidrados, dia-sim, dia-não, quase de empreitada. Com um pouco de sorte e mesmo à justa, com Natal e tudo pelo meio, vamos conseguir fazer as quatro fornadas que faltam até ao prazo estabelecido. E talvez ainda mais uma de emergência, para as baixas que apareçam entretanto.

170

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Muito a medo, fizemos anteontem a primeira fornada de chacotas dos azulejos em faiança do painel da Faculdade de Ciências de Lisboa. Digo muito a medo porque não tínhamos a certeza se elas já estariam bem secas, apesar de terem passado mais de duas semanas (três?) desde que as primeiras a serem feitas foram postas ao ar aqui na oficina – mas tem estado muito frio e muita humidade e a secagem, nada. De qualquer modo o tempo está a contar; o painel tem de ser entregue até dia 31 de Dezembro e resolvemos arriscar. A fornada foi muuuuuito leeeeenta e correu bem: abrimos o forno hoje e já temos cerca de 170 chacotas, quase metade da totalidade do painel. E destas, uma boa parte foi vidrada esta tarde e metida novamente no forno para uma fornada de vidrados que irá arrancar hoje às dez da noite. Se tudo correr bem, na sexta-feira teremos os primeiros 80 azulejos do painel prontos.

OFICINA

Hoje desenfornei todas as peças de faiança da minha produção para o Mercado de Natal de Alvalade que se aproxima a passos largos e que enchacotei durante o fim-de-semana – nenhuma baixa, estou satisfeita. A primeira parte já está feita. Agora falta a decoração; seleccionar e juntar em pequenos grupos, por cores; as que vão ser vidradas com transparente, com opaco e ainda as que vão ser vidradas e pintadas à mão, com tintas de alto fogo.  O meu cantinho aqui na oficina está cheio, mas tenho esta semana toda para tratar deste assunto, antes de começarmos novamente com o painel para a Faculdade de Ciências, que entretanto continua a secar muuuito lentamente.

CRUAS

Retomo a minha produção natalícia para o Mercado de Natal enquanto os azulejos do painel da Faculdade de Ciências secam – na verdade, o meu tempo tem sido muito bem rentabilizado; já tinha aproveitado a secagem da minha produção natalícia para fazer os azulejos da Faculdade de Ciências.

As peças em barro refractário já foram a cozer a noite passada e agora trato dos acabamentos nas de faiança – trabalho de sapa, lixar uma série de pecinhas pequenas, mas os acabamentos, toda a gente sabe, são morosos mas fazem a diferença e eu nestas coisas gosto de ser perfeitinha. Estas pensei-as para pendurar; na árvore de Natal, na porta da entrada, onde se quiser; só ainda não sei bem como é que hão-de ser decoradas, mas já tenho uma série de ideias. Mas primeiro tenho de acabar esta fase; se tudo correr bem, amanhã conto encher o forno grande para enchacotá-las – a estas e às mais não sei quantas que tenho já prontas aqui na oficina.

BRANCO

Preciso de vidrar catorze chacotas manuais que fiz para integrarem um vão de janela com azulejos alicatados na capela do Palácio da Pena. Uma coisa simples; mais simples ainda,  aparentemente, quando se tratam de azulejos brancos. Pois é precisamente aqui que está o problema: o branco é uma das cores mais difíceis de se obter quando se trata de fazer réplicas. Há o branco azulado; o branco acinzentado; o branco rosado; o branco amarelado e uma séries de outros brancos; com mais grão ou com mais brilho ou mais acetinado. Comecei hoje a segunda leva de experiências de cor – tem de se começar por algum lado e só depois de se verem resultados é que se podem aperfeiçoar os tons – e, já que estou com a mão na massa, aproveito para que fiquem para mostruário, usando placas de experiências feitas para o efeito, em barro branco e em terracota, uma vez que a cor do barro interfere na cor do vidrado. 

E AGORA?

De novo na oficina. E agora? Confesso que tenho andado por aqui um pouco às aranhas a tentar organizar-me sobre o que fazer; não é fácil fazer a agulha, assim de repente, de uma fase cheia de trabalho, para outra mais tranquila. Tenho tratado de papelada – finanças, cartas de apresentação, actualização do currículo e organização de fotografias. Mas os dias vão passando e parece que ainda não fiz nada este mês, ou muito pouco. Aproveitando que tenho de cozer as chacotas para as réplicas dos azulejos alicatados para o Palácio da Pena, resolvi também tratar de umas outras, que fiz com o Loubet já há que tempos, para um possível trabalho que nunca foi para a frente e que para ali ficaram, a secar e a ocupar espaço. São chacotas manuais, de 11X11cm, que nem sei bem para que é que irão servir, mas pronto; ficam cozidas e arrumadas e depois logo se vê o que é que se fará com elas. E sempre se rentabiliza uma fornada, que isto não está para desperdícios.

CORES

Comecei a trabalhar nas réplicas para integrarem o conjunto azulejar do 88. Como sempre, há pressa na entrega das mesmas, apesar de se lhes explicar que isto não se faz de um dia para o outro. Por acaso consegui comprar chacotas manuais, o que foi uma sorte, pois nem sempre há em stock o número suficiente que se precisa e já vai adiantar o processo. Agora, o costume; fazer experiências de cores, retirar desenhos, vidrar, limpar vidrados, picotar… Felizmente já tenho muitas cores onde me basear e é só fazer alguns acertos, mas entre enfornar e desenfornar, passa um dia.

DE NOVO NA OFICINA

Enquanto deixo a minha equipa espalhada pelo 88, Museu Militar e Instituto de Medicina Tropical, estou agora de volta à oficina (que está caótica, por sinal…) para começar a fazer as réplicas para o 88. Há dois meses que ando a falar neste assunto, mas pronto; só agora é que finalmente se decidiram a mandar avançar com esta fase, como se se fizessem cerca de 130 azulejos – réplicas, ainda por cima – do dia para a noite: há que tirar todos os desenhos, comprar as chacotas adequadas, fazer experiências de vidrados e tintas, enfornar, desenfornar um dia depois, voltar a fazer ensaios… Enfim, «Isabel, dê prioridade a este assunto!» e lá vai ela, agora, à pressa, meter mãos-à-obra, quando se podia ter feito tudo muito mais tranquilamente…

A MIL…

Hoje vou fazer uma fornada de vidrados, quero ver se estas peças ficam prontas para as levar à loja na próxima semana. Com tanta coisa que ando a fazer ao mesmo tempo, começo a ficar baralhada com isto tudo; tenho peças a secar para enchacotar a 970º e outras a 1040º; por outro lado, tenho vidrados para cozer a 1020º e outros a 1240º. Isto para não falar nas experiências de barro pigmentado com diferentes percentagens de óxidos, nem nas tacinhas que estou a modelar. E mais os orçamentos que tenho para fazer pelo meio disto tudo, sem me enganar e que me roubam algum tempo. Os frasquinhos com experiências de vidrados desmultiplicaram-se rapidamente e uns servem para uma coisa e outros para outra, mas como estão bem identificados, não há margem para confusões – espero eu. Tenho pressa em ver resultados; ando entusiasmada, mas estes processos demoram o seu tempo e as semanas passam demasiado rápido. E o forno demora um dia até eu poder ver o que se passou lá dentro. Ufa!… Estou cansada…