Estou muito satisfeita, esta semana rendeu bem! Fiz e entreguei o orçamento da Quinta de S. Vicente; pintei as réplicas e fui assentá-las no Palácio Centeno, dentro do prazo S.O.S. que me pediram; enchacotei uma série de peças novas e tenho mais uma data delas preparadas para cozerem já hoje, a alta temperatura, juntamente com experiências de vidrado novas. Para além de já ter amostras de barros de diferentes tons e imensos picotados que recolhi na nossa pasta de desenhos para réplicas que foram sendo feitas ao longo destes anos todos de restauro e que tenciono usar nas peças para as séries «Fragmentos». Para compôr ainda mais o ramalhete, ontem, acabada de sair daqui da oficina, tive uma ideia brilhante na qual comecei a trabalhar logo hoje de manhã, visto que se trata de uma das coisas que mais gosto de fazer: modelar em barro. Eheh! Desta vez dois baixos-relevos baseados nos azulejos de figura-avulsa do séc. XVIII e que vão direitinhos para a série «É o mar que nos chama».
Etiqueta: Chacotas
950º – 1300ºC
Preparo-me para fazer receitas de vidrados, para experiências. Como isto da cerâmica tem pano para mangas e é um percurso moroso e paciente, só agora há pouco tempo é que me caiu a ficha. Passo a explicar o problema: Se eu cozer o barro refractário à temperatura dos vidrados – 1020ºC-, não fica com o tom que eu quero e, os vidrados fervem se eu os cozer à temperatura do barro -1250ºC ou mais. Portanto,… tenho aqui um problema de incompatibilidades. Que tenciono começar a resolver; vou fazer experiências, com vidrados de alta temperatura, mais óxidos e corantes e tintas, sobre peças chacotadas a baixa temperatura, muito mais porosas e receptivas à calda de vidrado. E assim, no final, coze tudo à mesma temperatura. Tudo o que eu sei destes vidrados é teoria e sei que a obtenção de cores é mais limitada. Mas como tenho bastantes placas de experiências, é dar largas à imaginação e vai já tudo hoje direitinho para o forno. E com os resultados começo a aprender alguma coisa.
INÉDITO!
Hoje, quando estava a montar no chão o painel 16 para fazer as réplicas necessárias, tive esta surpresa: azulejos verdes e brancos! Tratei de ir logo abrir o documento que a Rita me enviou com as fotografias deste painel na parede e então, é mesmo verdade e inédito, pelo menos para mim; no meio do conjunto azul e branco, existem uns quantos verdes! Nunca tal tinha visto. Não são azulejos originais, claro; apesar de manuais e muito bem feitas, a pasta destas chacotas é bastante diferente e vê-se a olho nu. Agora, quando é que foram feitos e porque é que são a verde e branco, é que não consigo explicar… O Loubet, que entretanto passou por cá de fugida e tratou logo de perguntar «que é isto!?», avançou com a teoria da ética do restauro, ou seja, pode-se e deve-se diferenciar as réplicas dos originais. E ando eu aqui sempre aflita a tentar aproximar os tons o mais possível…
ENTREGUES!
Estão entregues! Não são iguaizinhos aos originais, mas é o que diz a Inês, a minha colega que mos encomendou: são réplicas! Eu ainda ponderei repeti-los novamente, para tentar aproximar ainda mais as cores, mas pelo sim, pelo não, resolvi mostrá-los primeiro a ela, para ter uma segunda opinião e foi o melhor que fiz, pois ela achou que passavam muito bem; uma coisa é vê-los assim lado a lado, outra coisa é vê-los integrados no conjunto, o que é bem diferente e eu sei disso por experiência própria. Ainda por cima, chacotas desta espessura tão fina e com 14X14 cm não se encontram à venda nas lojas habituais, tive de ser eu a rectificar uma a uma, o que ainda me deu um certo trabalho, pois algumas partiram-se mal lhes meti o disco. Enfim, não fiquei totalmente convencida com os resultados, mas dou este assunto por encerrado; albarda-se o burro à vontade do dono…
MANGANÊS
Ando às voltas com estas réplicas de azulejos marmoreados a manganês! Já há muito tempo que cheguei à conclusão que esta é das cores mais chatas de se fazerem: por mais escura que pareça em crú, acaba sempre por aclarar imenso e sair cor-de-rosa! E ainda por cima, a mesma tinta, exactamente a mesma!, varia de fornada para fornada, mesmo que estas sejam iguaizinhas… Provavelmente o defeito será meu, que ainda não atinei com isto. Bom, vou repetir estes azulejos pela segunda vez, os primeiros saíram muito claros do forno e agora optei por juntar um pouco de óxido de manganês à tinta de alto fogo, vamos ver no que dá. Ufa!… Não ganho só para chacotas…
ENGANO
Quando a In Situ me confirmou que contava comigo para fazer mais umas sessenta réplicas para o conjunto azulejar da Igreja da Misericórdia, em Tavira, tratei de ir logo toda contente comprar cerca de setenta chacotas industriais, iguais às outras que eu já tinha utilizado há um ano, na primeira fase da pintura; ou seja, com 14×14 cm de largura e 0,8 cm de espessura. Lá vim carregada para aqui com uma caixa e meia de chacotas, que era o que perfazia as tais setenta que eu tinha pedido. A caixa inteira entretanto já se acabou e hoje, ao abrir a meia caixa percebi imediatamente o erro: as chacotas têm 15×15 cm! Nem era preciso confirmar, que eu nestas coisas tenho olho clínico e normalmente erro por poucos milímetros. Pelo sim, pelo não, resolvi medir uma e, raios partam!, lá tenho de ir trocar isto! Logo agora que eu já ía toda embalada para as vidrar…
PRACTYL
Todo o equipamento que temos na nossa oficina foi sendo comprado aos poucos e à medida das necessidades, muitas vezes inserido nos orçamentos dos próprios trabalhos. A última aquisição, já há algum tempo, foi comprada pelos meus colegas por causa de um trabalho na Guarda e é bem útil para estas andanças da azulejaria: uma máquina de cortar azulejos, ou, como diz nas instruções, uma cortadora de azulejos. A marca, PRACTYL, não diz muito e não deve ser do mais profissional que existe, mas para nós deve chegar, que não precisamos de estar horas seguidas a trabalhar com ela. Para já, bem jeito me deu a cortar à medida as chacotas para as réplicas dos painéis da In Situ; tem um rigor qb e como funciona com água, evita encher isto tudo de poeirada, que chega já bem o pó que aqui temos sempre cativo.
APEADEIRO DE MARVILA
Hoje ainda não consegui fazer nada de útil: entre começar as reintegrações cromáticas dos azulejos da Lousã, para as quais tive de preparar Paraloid, fazer o projecto de um pequeno painel de azulejos, para o qual preciso de uma ampliação das letras e repensar os meus relógios solares, os quais tenho dúvidas quanto aos gnómons, ando para aqui um pouco atarantada de um lado para o outro. E claro, ainda tenho de terminar as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da Igreja da Ota, que já estão mais do que secas e que precisam de ser escacilhadas, o que não me está a apetecer fazer agora…
Fui tomar um cafézinho ali abaixo a Marvila, para sair um pouco daqui da oficina e fazer a fotossíntese diária, aproveitando este belo dia de sol para tentar organizar a cabeça. Acho que não resultou, mas pelo menos sempre arejei um bocado. Melhor, melhor, será ir para casa… E amanhã há mais.
CALOS NAS MÃOS
Comecei a fazer as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da igreja da Ota. Ufa! Já há algum tempo que não amassava barro e estou a suar em bica, apesar de nem estar assim tanto calor! Este processo é do mais artesanal que existe, o que tem a sua piada e confere aos azulejos um aspecto mais semelhante aos originais; no entanto, a idade já não o vai permitindo! Tenho de ganhar algum dinheirinho e ver se invisto numa fieira e, já agora, numa máquina de fazer lastras (como é que vão caber aqui na oficina é que não sei, mas depois se verá). Os meus calinhos de estimação, que estavam tão quietinhos, é que já se começam a manifestar da pressão que eu faço no rolo da massa. E ainda só vou nas 30 chacotas…
BARRO VERDE
Vou começar a fazer cerca de 150 chacotas manuais para um trabalho de restauro dos azulejos da Igreja da Ota. O trabalho começou quase há um ano e entretanto ficou parado, já há uma série de meses, para obras na nave central e também na cobertura da igreja. Comprei estes pacotes de terracota ainda antes do verão, para começar a fazer as chacotas, mas entretanto comecei a entusiasmar-me com as minhas peças e com as feiras e nunca mais peguei nisto. Não há ainda nenhuma previsão para recomeçar os trabalhos de assentamento dos azulejos que tirámos da parede, mas é melhor eu começar a tratar de fazer as réplicas o quanto antes, para poderem secar à vontade e eu ter tempo para fazer experiências de cor com calma. Se tudo correr como é habitual, o padre há-de telefonar de repente e diz-nos para ir logo no dia seguinte… e depois é o stress do costume. O barro já está a ficar verde e, se não me ponho a pau, eu também.









