DESMULTIPLICAR

2016-07-12 09.10.40 2016-06-16 09.59.15 2016-07-08 11.07.29 2016-07-18 09.55.09 2016-07-19 13.53.01 2016-07-20 10.12.23 2016-06-15 12.28.22 2016-07-15 09.35.08 2016-04-21 09.48.57 2016-06-29 16.37.22

De repente ando sem mãos a medir.

Se até inícios de Junho este ano se revelou bastante fracote, obrigando-me a recorrer aos planos B e C para ir ganhando pelo menos o suficiente para pagar a segurança social e as despesas mensais aqui da oficina, de há um mês a esta parte foram-me aparecendo vários projectos para executar, os quais  gostaria de deixar terminados até ao fim de Julho – antes de ir uns dias a banhos e limpar totalmente a cabeça antes da rentrée.

Gosto de trabalhos pequenos, – começa-se um projecto, organizam-se materiais e tarefas, executa-se e quinze dias ou um mês depois, está entregue. Só não entendo é porque é que uma pessoa tem de fazer das tripas coração para cumprir prazos, (nem pensar em contratar ninguém para ajudar, claro; estes trabalhinhos vieram mesmo a calhar!) quando podia realizar com calma um projecto de cada vez.

Vá lá, dois.

8 JUNHO DE 1663

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De regresso ao Pátio dos Canhões, no Museu Militar.

5 anos depois da nossa intervenção, uma ruptura num cano danificou uma parte significativa da parede do alçado Norte e com ela, cerca de metade dos azulejos do painel da Batalha do Ameixial – já na altura, o que se encontrava em pior estado de conservação – destacaram-se da superfície de suporte e partiram-se em inúmeros fragmentos.

E assim, mais uma vez, estive a montar este painel no chão, a colar novamente fracturas simples e múltiplas, e agora a fazer novos preenchimentos para depois reintegrar cromaticamente.

 

 

ORÇAMENTOS

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Mais uma vez fui contactada por causa do conjunto azulejar do Padrão do Sr. Roubado, existente aqui mesmo às portas de Lisboa,  a caminho de Odivelas.

Pelas minhas contas esta será a terceira vez que faço um orçamento para intervir nestes azulejos – se não me engano, a primeira foi há uns bons dez anos e na altura a câmara municipal pediu-me um orçamento para uma intervenção de conservação e restauro in situ de todo o conjunto azulejar, que já então se encontrava em mau estado de conservação. Depois, nada; – nem sequer uma única resposta de “obrigado” – e a coisa caiu no esquecimento, pelo menos no meu. Anos mais tarde, volta a câmara municipal a pedir-me outro orçamento; desta vez para a manufactura integral de réplicas de todo o conjunto azulejar, que continuava em muito mau estado de conservação e a piorar dia após dia. Depois, nada; – nem sequer uma palavrinha a agradecer – e a coisa ficou esquecida, pelo menos, na minha cabeça. Anos mais tarde, há cerca de um mês, recebo um novo pedido de orçamento; desta vez através de uma empresa de conservação e restauro a quem é pedido um preço para levantar todo o conjunto azulejar da parede, que se encontra em péssimo estado de conservação e também para a manufactura e substituição integral por réplicas de todos os azulejos.

O orçamento foi entregue a semana passada, espero que aos três seja de vez – para mim ou para qualquer outra pessoa; para já o importante é preservar aquele conjunto único de 12 painéis de azulejos do séc XVIII, que contam a história do furto do Santíssimo Sacramento do Mosteiro de Odivelas, em 1671 e que se encontra em tão mau estado de conservação.

SÉC. XVII

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Comecei agora a trabalhar numa nova encomenda: desta vez trata-se de cerca de 150 réplicas de azulejos de padrão 4×4 do séc. XVII  – o meu preferido  -, que irão colmatar as lacunas existentes no Tanque Grande do Parque de Monserrate, em Sintra.

FIGURATIVOS

Stitched Panorama

Um dos mais gritantes aspectos do mau estado de conservação do painel de azulejos da autoria de Júlio Pomar e Alice Jorge, na Av. Infante Santo, em Lisboa, era a existência de grandes lacunas integrais principalmente nas zonas figurativas ali representadas.

A visível degradação do suporte devido a problemas estruturais, com argamassas de reboco e assentamento bastante envelhecidas, foram, entre outras, algumas das causas para a perda irremediável dos azulejos originais; mas se no diagnóstico do estado de conservação do painel, executado antes da intervenção de restauro, constava que os azulejos se encontravam em risco de destacamento da superfície de suporte, a verdade é que, aliado a este facto que também acontecia, muitos deles foram “caindo” estratégica e curiosamente apenas nas zonas figurativas – que por si só poderiam formar pequenos painéis independentes.

A segunda fase da manufactura das réplicas para este painel, depois da produção quase em série das 650 unidades de padronagem, foi então a da pesquisa, reconstituição, elaboração de desenhos, procura de cores, abertura de muitas, muitas máscaras, pintura e enforna de cerca de mais 150 azulejos que finalmente devolvessem as personagens desaparecidas ao painel e também a sua integridade inicial. E aí o trabalho foi bastante mais moroso.

Mais informação e fotos na página da Tardoz no facebook.

AZULEJOS NEO-CLÁSSICOS

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Após cinco semanas tive finalmente autorização da médica para voltar a fazer esforços e a pegar em pesos com a mão esquerda – coisa que, na verdade, eu  já  tinha experimentado, ainda sem ordem.

Assim sendo, comecei hoje o levantamento dos azulejos em dois dos silhares neo-clássicos existentes na Academia Militar, em Lisboa. Apenas aqueles que se encontravam em risco de destacamento. Devagarinho e com calma.

Está a correr bem.

D. MARIA

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Fui contactada para ir ver uns painéis de azulejos que estão em risco de destacamento da parede, na Academia Militar, em Lisboa – na verdade, se não fosse a fita cola que lhes puseram de emergência, à laia de faceamento e muitos deles já teriam mesmo caído no chão. Trata-se de uma pequena sala interior, forrada com silhares de azulejos neoclássicos, também conhecidos por D. Maria. Estão em bastante bom estado de conservação, mas todos os que estão soltos têm de ser removidos e convém verificar-se o estado de adesão à parede de todos os outros.

Não sei o que é que se passa, mas de repente chovem-me pedidos de orçamentos – o que já é alguma diferença comparativamente com o ano passado.

 

 

II ENCONTRO DE PATRIMÓNIO AZULEJAR

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Na semana passada estive presente no II Encontro de Património Azulejar, sob o tema Azulejo:HOJE, realizado pela Câmara Municipal de Lisboa no âmbito do PISAL – Programa de Investigação e Salvaguarda do Azulejo de Lisboa.

Na sexta-feira, 6 de Dezembro, integrada no Painel Conservação, apresentei uma pequena palestra cujo resumo aqui deixo:

«Conservação de fachadas azulejadas – Questões a colocar:Hoje.

Tomando como ponto de partida o tema do II Encontro de Património Azulejar – Lisboa,
azulejo: Hoje –, coincidente com o pedido que me foi efectuado recentemente para a
intervenção de conservação e restauro da fachada azulejada de um edifício em Alcântara,
o objectivo desta comunicação é, mais do que apresentar patologias existentes e factores
de degradação naturais comuns na azulejaria de exterior e respectiva sistematização de
tratamento, chamar a atenção para o caso dos elementos apostos às fachadas em geral e
as suas consequências sobre os azulejos nas fachadas azulejadas em particular,
colocando e deixando em aberto questões relativas a metodologias de actuação – até
onde e de que forma o técnico pode actuar, intervir e sensibilizar -, principalmente nos
edifícios particulares em que esses mesmos elementos não sejam removidos, colocando
em causa o sentido da própria intervenção de conservação e restauro onde a integridade
original do conjunto azulejar não é devolvida totalmente.»

Como elementos apostos quero dizer aparelhos de ar condicionado, toldos, cablagem diversa, cartazes e uma infinidade de outros objectos que se podem ver colocados sobre os azulejos das fachadas e que subvertem não só a lógica construtiva dos próprios edifícios como também – para além de colocar em causa a sua conservação – a lógica própria dos conjuntos azulejares semi-indústriais de fins do séc XIX inícios de séc XX, efectuados especificamente para revestimento de fachadas dessa época e que têm grande responsabilidade no que diz respeito à beleza da cidade de Lisboa.

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CERÂMICA MURAL

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Sexta-feira passada chegou-me mais um pedido para fazer um orçamento; desta vez tratam-se de dois painéis cerâmicos compostos por lajes em tijoleira, com o interior vidrado e pintado e que ladeiam a entrada de um edifício dos anos 50/60, em Lisboa. O autor é desconhecido – pelo menos para mim, que não encontrei nenhum vestígio da sua assinatura, nem nenhuma data de execução.

 

POLÍCROMOS

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Continuam-me a chegar pedidos para fazer orçamentos de intervenções de conservação e restauro de azulejos – não percebo o que é que aconteceu de repente. Na verdade, fazer orçamentos não significa ter trabalho, a maior parte das vezes perde-se tempo em vão e depois a esperança – primeiro, a de receber apenas a resposta «Obrigado.» e mais tarde, a de conseguir o próprio trabalho.

Hoje fui ver (com olhos de ver, porque já conhecia) o conjunto azulejar do Mercado da Ribeira, em Lisboa. Aguardemos o que vai acontecer.