Está praticamente terminada a tarefa mais morosa da intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados do pórtico de entrada na Estufa fria, em Lisboa; faltam apenas nivelar e rectificar um ou dois preenchimentos. Ainda hoje está previsto o início da integração cromática, que em princípio vai ser rápida – assim se encontrem os tons pretendidos; mas, uma vez que se trata de restauro a frio, não me parece que seja muito complicado.
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TIJOLOS VIDRADOS
Foi-me adjudicada a proposta de intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados existentes no pórtico de entrada da Estufa Fria – um projecto do Keil do Amaral. Como sempre, tratou-se de mais um orçamento feito há algum tempo, que caiu no esquecimento (no meu, pelo menos), sem resposta nem acuso de recepção. Até agora; que, de repente, a urgência é ter o trabalho terminado ontem. Começamos na próxima quinta-feira.
CONCLUÍDO!
Está concluída a intervenção de conservação e restauro dos cerca de 12800 azulejos pertencentes ao conjunto azulejar do Pátio dos Canhões no Museu Militar, em Lisboa – fiz hoje a entrega oficial. Obrigada a todos os meus colegas que ao longo destes sete meses fizeram parte da equipa: o núcleo duro – a Inês e a Margarida -, e todos os outros que, nalguma fase, também meteram a mão na massa – o Diogo, o Joaquim, o Ivo, o Loubet, a Rafaela, a Sofia, o Nuno e a Paula. Sem eles eu ficaria por lá, provavelmente, até ao fim dos meus dias…
REASSENTAMENTO
Comecei hoje a segunda fase da intervenção de conservação e restauro dos azulejos/placas cerâmicas pertencentes ao painel da autoria de Lino António, no Instituto de Medicina Tropical.
Os azulejos das três primeiras fiadas encontravam-se bastante fracturados e fissurados e estavam em risco de destacamento da parede – que, por sua vez, apresentava muitos vestígios de humidade. Durante a primeira fase da intervenção procedeu-se ao levantamento dos azulejos, limpeza de argamassas dos tardozes, consolidações e fixações pontuais de vidrados em risco de destacamento e colagem de fragmentos. Hoje, depois de um tempo de espera para tratamento da parede e das infiltrações do telhado, reassentámos os azulejos com argamassa tradicional, à base de cal e areia e daqui a uns dias voltamos lá para fechar as juntas e dar seguimento ao restauro de pequenas lacunas e falhas de vidrado.
Nº5
Acabaram agora do mo confirmar: ficámos com o trabalho no nº5! Depois de muitas contas e várias opções de metodologias de intervenção, entreguei a semana passada, conforme o combinado, o orçamento para a conservação e restauro do conjunto azulejar existente no jardim deste palacete em Lisboa. E ao que parece, é para começar o mais rápido possível; logo agora que reiniciámos o Museu Militar – vou ter de articular muito bem a minha equipa e provavelmente contar com mais dois ou três colegas novos. Felizmente as duas obras são em Lisboa, a cerca de duas colinas de distância entre elas, o que permite, se for preciso, transitar de uma para a outra na mesma semana e até no mesmo dia. Se chover muito, param as duas; que ambas são no exterior. E talvez nessa altura eu consiga vir aqui para a oficina trabalhar na minha produção cerâmica.
REINÍCIO
Reiniciámos hoje o trabalho de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões, no Museu Militar, que foi interrompido por ser inverno e supostamente estar a chover muito – o que afinal não aconteceu; mas nada o fazia prever em novembro do ano passado, quando tivémos de parar por essa mesma razão. De facto, nem só a chuva atrapalha quando se trata de uma intervenção no exterior durante o inverno – o frio e humidade em nada ajudam quando se quer que a massa de preenchimentos seque, ou retocar com pigmentos aglutinados em cola. E ali sim, faz muito frio de manhã e o nevoeiro é bastante comum; os azulejos estão gelados e a chacota visível pelas falhas de vidrado está completamente molhada. De acordo com a fiscalização do trabalho, tínhamos decidido parar até inícios de Abril, mas uma vez que continua sem chover e já se vai sentindo um calorzinho durante o dia, decidi a semana passada que o melhor seria recomeçarmos já o trabalho, uma vez que ainda há muitos preenchimentos para se fazerem, principalmente nos painéis da fachada norte, que era a mais problemática – e assim já se vai adiantando qualquer coisa até que o tempo aqueça de vez e se possa começar com a integração cromática. Isto é, se não chover durante toda a primavera.
SALA DOS CISNES
Um dos privilégios de trabalhar nesta área é poder entrar em locais que normalmente estão vedados ao público; ou por serem particulares ou por se tratarem de zonas fechadas, de acesso privado apenas para quem lá trabalha. Ontem fui ver um palacete numa rua do centro de Lisboa, um daqueles palacetes pelo qual já tinha passado inúmeras vezes, mas que nem suspeitava – apesar de imaginar – da sua riqueza interior: os tectos com estuques trabalhados, as escadarias em madeira, os espelhos biselados, o jardim traseiro em sucalcos, o terraço no 1º andar e o conjunto azulejar. Foi por causa dos azulejos que lá fui, claro; mais um orçamento de restauro para fazer – na realidade, sete orçamentos para fazer; divididos pelas zonas onde se encontram os painéis. Só com isto prevejo perder uns dois dias, sem nenhuma garantia de ficar com o trabalho, ou parte dele e que será caro, o que é já evidente, dado o péssimo estado de conservação dos azulejos.
De qualquer modo, quando passar novamente naquela rua, já posso afirmar que uma vez entrei ali naquela casa – o que talvez nunca mais me volte a acontecer.
RUA DA ASSUNÇÃO, Nº 88 – TERMINADO!
Não fosse esta constipação que me está a deitar abaixo há dois dias e hoje tinha um motivo para ir comemorar: dois meses depois do previsto e alguns €€€ fora do orçamento, acabei – finalmente! – a intervenção no 88! (Quando digo acabei, quero dizer que dei como acabado, porque ali ainda tudo pode acontecer). 7750 azulejos do séc. XIX, divididos em vários painéis de padronagem pombalina e figurativos D. Maria que foram levantados, reorganizados, restaurados e reassentados nos novos apartamentos dos cinco pisos do edifício pombalino da Rua da Assunção, nº 88, em Lisboa. Estou satisfeita; até o primeiro lance das escadas, que tinha sido quase todo roubado, resultou bem – improvisado com azulejos soltos de padronagem e cercaduras que sobraram dos outros painéis. Agora é tratar de fazer o relatório da intervenção, entregá-lo e receber o que ainda falta. E depois, é fazer rapidamente a agulha para outro lado, tentando esquecer tudo isto. Mas não aquilo que aprendi – que ainda foi bastante.
STA. ENGRÁCIA
Há mais de um mês que estou na recta final da intervenção de levantamento, tratamento e reassentamento dos painéis de azulejos do 88. Trata-se de uma recta muuuuuito looooonga; sempre que lá vou, para dar os retoques finais, perco ainda algum tempo a limpar novamente o que já estava limpo, ou a pôr uma massinha nalgum azulejo que tinha escapado – tal era a quantidade de coisas constantemente à frente dos painéis – ou ainda a ter de esperar que os electricistas ou os pintores ou os carpinteiros acabem de fazer o que têm de fazer antes de eu poder trabalhar. O mais engraçado é que me garantem sempre «Isabel, pode vir, já não está lá ninguém e queremos entregar a chave esta semana» e eu vou, decidida a acabar aquilo (falta-me sempre muito pouco para terminar) e no meio da poeirada vejo as mesmas equipas a refazerem o seu trabalho, ou a partirem algum tecto ou parede – ou algum azulejo. As senhoras da limpeza também lá andam, pelo menos desde antes do Natal, não sei bem a fazer o quê; coitadas, são mais umas que vão ter de refazer o seu trabalho não sei quantas vezes. Enfim, há que ver as coisas pelo lado positivo; pelo menos começo o ano com trabalho – apesar de ser sempre e ainda o mesmo trabalho e não ganhar nem mais um tusto por isso – o que, psicologicamente, resulta.
ANO NOVO!
Não me posso queixar: entro em 2012 logo a fazer um orçamento. Para um trabalho pequeno, bem sei; mas sempre é um orçamento de conservação e restauro de azulejos e provavelmente será aceite. Trata-se de um hall de entrada de um prédio dos anos 30, com painéis de azulejos figurativos executados na extinta Fábrica Lusitânia – da qual apenas resta a chaminé, conservada no exterior do edifício da Culturgest, ali no Campo Pequeno. O trabalho é simples e não tem nada que saber; o mais complicado ainda há-de ser a manufactura de cerca de catorze ou quinze réplicas de azulejos, que desapareceram (claro está!) e cujas chacotas, em pó de pedra e com aquelas dimensões, já não se fabricam. Mas enfim, nada que não se faça e que não se consiga orçamentar.





















