EM STAND BY…

Temos os dois trabalhos parados, por motivos bastante diferentes.

No Museu Militar, os azulejos e as réplicas foram já todos reassentes e agora, com as paredes pintadas, o Pátio dos Canhões já parece outro, sem que se vejam grandes lacunas – aparentemente, o trabalho está terminado. Os painéis estão limpos, as superfícies de junta estão fechadas e os preenchimentos, exeptuando os da fachada Norte, estão todos feitos. Falta, no entanto, a integração cromática, a qual é muito complicada fazer-se com o frio que tem estado e o grau de humidade ali existente, principalmente de manhã – temos de nos lembrar que o rio é mesmo ali ao lado e chega a inundar uma das salas mais baixas do Museu. Estamos a pensar usar pigmentos aglutinados em cola; cola essa que reage muito mal com o frio e a humidade, facto pelo qual e de acordo com a fiscalização de obra, se decidiu parar até ao início da Primavera, quando o tempo começar a aquecer um pouco mais. De modo que… arrumámos o estaleiro, metemos tudo na carrinha e trouxemos as coisas todas de volta aqui para a oficina.

No 88… as réplicas estão feitas; os painéis estão todos de volta às paredes; as juntas todas betumadas; as escadas prontas com azulejos «inventados» dos que sobraram – visto que os dali tinham sido roubados quase na sua totalidade; os rodapés colocados e recolocados inúmeras vezes, os azulejos limpos e relimpos e relimpos e re…; os preenchimentos feitos e pintados, apesar de toda a poeirada e porcaria que já devem ter em cima. O que é que falta ainda? Na verdade, pouco; muito pouco, quatro ou cinco painéis do primeiro piso que ainda estão por preencher e pintar e uma tranche que supostamente teria de ser paga nesta altura – após o assentamento – e que teima em não vir, apesar de ter sido aceite nas minhas condições de pagamento.

OBRIGADA, INÊS!

Ontem comemorou-se mais um aniversário do Museu Militar; se não estou enganada, o centésimo sexagésimo qualquer coisa. Foi inaugurada uma exposição temporária sobre as Guerras Peninsulares e houve uma cerimónia oficial, com condecorações e entrega de diplomas de honra e também com uma apresentação do trabalho de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões. Fui completamente apanhada de surpresa, pois, apesar de já ter sido avisada que isto ía acontecer, fiquei convencida que a data era primeiro no dia 10 e depois, na terça-feira, dia 5 de Dezembro. Só não me lembrei é que dia 5 de Dezembro, afinal, calhava a uma segunda-feira – ontem, portanto e não hoje. Por acaso, na sexta-feira passada tratei de fazer um Power Point, ou melhor, fez a minha colega Inês (eu sózinha nunca teria conseguido!) e, por acaso, também, fui com ela ontem de manhã ao Museu Militar para começarmos a recolher material que já não é lá preciso, quando fui informada que estava tudo preparado para a tarde. Por sorte tinha o tal Power Point comigo e a Inês à mão, de modo que não tive outro remédio senão o de instalar a coisa ali mesmo e esperar que tudo corresse bem. Claro que não ensaiei nada e claro que não fui um pouco mais bem vestida, tal como tinha pensado, mas pronto; lá fiz uma apresentação para o Estado Maior do Exército e respectivas famílias, sempre com um olho nas fotografias e o outro na Inês, que as ía passando. Não me lembro bem do que é que disse, mas toda a gente estava atenta e no fim todos bateram palmas e vieram-me cumprimentar e dar-me os seus parabéns não só pela apresentação «claríssima!», como pelo óptimo trabalho executado. No final, bebi um Porto seco, comi um bolinho de chocolate e voltei para a poeirada.

OBSESSIVO/COMPULSIVO

Entrámos na terceira semana de trabalho no Museu Militar. O mapeamento dos painéis inferiores com o registo do estado de conservação dos azulejos está todo feito; os preenchimentos de falhas de vidrado e pequenas lacunas com argamassas inadequadas foram todos removidos – excepto os do painel Ei -2, que eram tantos e tão rijos, que a tarefa é mais morosa e só se faz com a ajuda do vibroincisor -; o biocida está aplicado em todas as fachadas e as juntas estão a ser rectificadas a bom ritmo. Enfim, entre sombra e sol (e chuva ontem!), a minha equipa demonstra mais uma vez ter boa capacidade de trabalho e de organização, e as fachadas Este, Sul e Oeste avançam todas em paralelo, mais depressa do que eu previa. A fachada Norte, a mais problemática, está à espera do Loubet e do Ivo, que vêm directamente do Pinhão, sem passar pela casa da partida, nem receber os dois contos, para levantar integralmente todos os azulejos existentes, que se encontram em péssimo estado de conservação e muitos em risco de destacamento. Graças a esta parede, a minha função nos últimos dias tem sido a de agrupar e organizar fragmentos, numa tentativa obsessiva de encontrar, identificar e aproveitar o máximo de azulejos originais, antes de apurar o número de réplicas exacto que será necessário fazer-se. A coisa não é fácil e muito menos óbvia, os fragmentos são separados por uma lógica qualquer, que passado um bocado é substituída por outra que parece melhor e depois mais outra ainda; mas a verdade é que aos poucos, aos poucos… está quase tudo encontrado!

AZULEJOS SOLTOS

Faz hoje uma semana que começámos a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões, no Museu Militar. Apesar de ainda ser cedo para balanços, o trabalho corre a bom ritmo: as quatro fachadas foram identificadas por Norte, Sul, Este, Oeste e os registos gráficos dos painéis inferiores estão já todos prontos – cerca de 15 por cada uma. Eu tenho andado entretida a fazer quebra-cabeças com os azulejos soltos que caíram ou foram retirados in-extremis e que me foram entregues em caixas com pouca ou nenhuma marcação; numa tentativa de montar as zonas que faltam nos painéis da fachada Norte, a que apresenta mais problemas de conservação e consequentemente também grandes lacunas azulejares. A coisa não é fácil, mas aos poucos lá vai e neste momento já estão montadas três grandes zonas. E amanhã passo àquilo que eu chamo de cacaria…

CARREGAR / DESCARREGAR

Começou a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões, no Museu Militar, em Lisboa. Há três dias que não faço outra coisa senão ir comprar materiais – carregar o carro; ir à oficina – carregar o carro; ir ao Museu militar – descarregar o carro; ir comprar mais materiais – carregar o carro; voltar ao Museu Militar – descarregar o carro; voltar à oficina. Se tudo correr bem, daqui a cinco meses terei de fazer tudo de novo, mas em sentido inverso; ou seja, ir ao Museu Militar – carregar o carro; ir à oficina – descarregar o carro; voltar ao Museu Militar…

MUSEU MILITAR

Parece que é desta que vai começar a intervenção de Conservação e Restauro no conjunto azulejar existente no Pátio dos Canhões, no Museu Militar, em Lisboa. Hoje à tarde vou a uma reunião para definição de local de estaleiro e agendamento do início do trabalho. Gostaria de começar na próxima semana, com cerca de um mês de atraso em relação ao que estava previsto – nestas coisas é sempre assim e muito rápido foi este processo, até estou espantada! As intervenções no exterior são sempre complicadas – ou é o calor e o sol de chapa a reflectir nos azulejos, ou é a chuva que não deixa trabalhar – mas ainda assim, quero aproveitar ao máximo o bom tempo e também o mês de Julho para comprar materiais, porque depois, em Agosto, já se sabe que vai estar tudo fechado. Conto com a equipa do 88, que está há um mês em pulgas para começar… e eu também.

TERMINADO

Dei hoje por terminada a primeira fase da intervenção de conservação e restauro do conjunto azulejar do 88. Cerca de 6300 azulejos, divididos por vários painéis em quatro andares, foram levantados das paredes, tratados e acondicionados provisoriamente em caixas de cartão devidamente identificadas; muito dentro do prazo previsto.  Agora, mais um dia ou dois para arrumar todo o estaleiro e levar tudo de volta para a oficina… e daqui a dois ou três meses tornar a trazer tudo de novo para dar início à segunda fase do trabalho e ao reassentamento dos azulejos na parede.

FINALMENTE!

Entrámos na recta final da primeira fase da intervenção de conservação e restauro dos painéis de azulejos lá do 88. Na sexta-feira passada terminámos – finalmente! – a remoção de tintas sobre os vidrados; este foi o último painel a ser limpo, um dos maiores e mais trabalhosos, por sinal. Podem-se observar quatro fiadas que não são originais do painel; por algum motivo o mesmo teve de ser acrescentado, talvez para ser inserido na sala onde estava no terceiro andar. De qualquer modo, não há registos nenhuns sobre a origem de todo este conjunto azulejar, nem sobre as intervenções que foram sendo feitas ao longo dos tempos…

ESCADAS

Iniciámos hoje a quarta semana de trabalho lá no 88. Estamos na recta final de levantamento de painéis da parede, embora para além disso ainda haja muito restauro para fazer. Aqui há uns dias comecei a tentar tirar os azulejos que  restam no primeiro lance de escadas lá do prédio e nessa altura percebi porque é que não foram todos roubados – as argamassas de assentamento estão demasiado duras, o que até já era previsível pela quantidade de metades de azulejo deixadas na parede. A coisa não foi fácil; a posição não ajudava e em cada três azulejos lá se partia um, o que não sendo mau de todo,  já me estava a irritar. Resolvi deixar essa tarefa para o colega Ivo, que tem muito mais paciência do que eu e menos dez aninhos de idade.

NÃO VOLTAM

A intervenção de conservação e restauro dos cerca de 7750 azulejos que fazem parte do conjunto azulejar dos cinco andares lá do 88, prevê acontecer três coisas distintas: 6368 são para levantar das paredes; 1382 são para manter nas paredes e fazer um tratamento in situ e 5032 são para assentar de novo nas paredes, mas em locais diferentes e até em pisos diferentes dos de onde estavam colocados originalmente. Isto quer dizer que vão haver 1336 azulejos, distribuídos por vários painéis, que não vão voltar para as paredes e apurar quais eles eram foi coisa que ainda deu algum trabalho e me obrigou a olhar com atenção para as plantas de reassentamento de todo o edifício e contabilizar todos os painéis que estão previstos voltar para cada andar, assim como todos os que se irão manter no local, para conseguir, por exclusão de partes, apurar aqueles que ficam de fora. Tudo isto foi feito num serão lá em casa, logo na primeira semana de trabalho em que estive sózinha e apesar do cansaço do dia, parece que ainda não me enganei em nada e tudo tem estado a bater certo até agora.