PÁTIO DOS CANHÕES

Como se já não tivesse pouco em que pensar, fui contactada a semana passada para fazer um orçamento para uma intervenção de conservação e restauro de todo o conjunto azulejar do Pátio dos Canhões, no Museu Militar, ali ao pé de Santa Apolónia. E como sempre, querem um orçamento com urgência… São cerca de 12800 azulejos para intervir, dos quais uns 5000 têm de ser levantados das paredes e o resto tratados in situ, tudo distribuído nem sei ao certo por quanto painéis. Todo o conjunto azulejar está em péssimo estado de conservação e já prevejo trabalho para cinco ou seis meses. Não há fome que não dê em fartura!…

IDEIA PEREGRINA

Mas quem é que terá tido esta ideia peregrina de pintar integralmente os silhares de azulejos do 3º piso lá do 88? E depois, não é uma camadinha simples de tinta, não; são pelo menos duas camadas de tinta, às vezes com cores diferentes, que a moda vai mudando e este tom já não se usa, sobre uma primeira camada de sub-capa ou aparelho ou lá como é que aquilo se chama e que serve para a tinta aderir melhor às superfícies vidradas e não saltar. Obrigadinha! Nalguns casos a tinta não salta, nem sai com nada, bem podemos usar o bisturi com uma lâmina novinha em folha que nos esfalfamos só para abrir uma janelinha mínima naquela crosta de meio centímetro! Enfim, mais um problema para a brigada do restauro resolver…

ARRANQUE OFICIAL

Começou hoje em grande e oficialmente a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do nº 88. Somos uma equipa de sete pessoas e agora é que a coisa vai mesmo! Hoje ficámos distribuídos entre o levantamento dos azulejos do quarto piso, que já está quase terminado e o tratar de remover a tinta que cobre integralmente metade dos azulejos do terceiro piso. Eu andei um pouco por todo o lado, entre os «Isabeeel!» vindos de cima e os «Isabeeel! Onde é que estás?» vindos de baixo, numa tentativa de coordenar aquilo tudo em primeiro dia de trabalho. Mas as coisas correram muito bem e estou satisfeita com toda a gente, que afincadamente já deu um bom avanço  na obra. E aqui incluo-me a mim também, que  depois de sair de lá ainda vim aqui à oficina ao fim da tarde para enfornar as minhas pecinhas novas.

CARNAVAL?

Não, não estou mascarada de trolha, hoje iniciei o trabalho de conservação e restauro do conjunto azulejar do prédio nº 88! Lá fui sózinha e correu tudo muito bem! Comecei pelo quinto piso e a ideia é vir de cima para baixo e desimpedindo cada andar para se fazerem as obras de construção civil que estão previstas já sem os azulejos na parede. Hoje estive a verificar as plantas do prédio todo e também as referências dos paineis,  piso a piso, sala a sala e ainda a posição de cada painel dentro de cada sala. Tem de bater tudo certo e ser tudo muito organizadinho, para depois não haver confusão quando os azulejos tiverem de voltar para a parede. Depois de etiquetar todos os azulejos  do 5º andar, segundo a marcação pré-definida, ainda consegui tirar da parede uns noventa, o que está muito bem para trabalho de uma tarde. As argamassas são brandas, o que é um alívio e as juntas também não são complicadas. Portanto, nesta fase, só faltam levantar cerca de 6200 azulejos, ou seja, praticamente  nada…

MATERIAL E FERRAMENTA

Tenho andado a preparar tudo para começar o trabalho de conservação e restauro dos azulejos de um prédio na Baixa Lisboeta. Hoje comecei a juntar algum material e ferramenta que já existe aqui na oficina, mas segundo a minha lista, ainda falta muita coisa que vou ter de comprar. Já me fartei de fazer pedidos de orçamentos a várias empresas, estou uma verdadeira mulher de negócios – quem diria! Preciso ainda de fazer umas fichas de trabalho e também uns mapas de presenças da equipa que vai trabalhar comigo; o orçamento tem um limite e a coisa tem de ser bem organizada, para que toda a gente possa ganhar algum dinheiro, mas sem que haja nenhuma derrapagem final, que isto não é o estado. Amanhã quero ir descarregar o máximo possível de coisas lá no prédio e se tudo correr bem, na próxima segunda-feira, mãos à obra!

ADJUDICADO

Foi-me adjudicado o trabalho do nº88! São cerca de 6300 azulejos para tratamento de conservação e restauro – levantamento, tratamento e reassentamento na parede. A coisa começa bem, eles querem que o trabalho inicie para a semana que vem, quando eu previa começar apenas no fim de março. De repente tenho imensas coisas para tratar à pressa e eu nisto gosto de ter alguma calma, para não meter os pés pelas mãos. E claro, o meu trabalho de cerâmica aqui na oficina, que ía tão bem lançado, agora vai ter de ficar para segundo plano por uns tempos, mas pelo menos é por uma boa causa… Enfim, tudo se há-de arranjar.

Nº 88

Após mais de dois anos de espera depois da entrega de um orçamento complexo, pelo qual nem sequer recebi acuso recepção, obrigado; fui há pouco tempo contactada por uma empresa que vai pegar em toda a obra de remodelação de um prédio na Baixa Pombalina. Todo o orçamento relativo a trabalhos de conservação e restauro dos azulejos existentes em quatro pisos tem de ser revisto para se começar a obra em breve. Se o nosso orçamento for adjudicado, supostamente eu, o Loubet e o Ivo, o núcleo duro aqui da oficina, vai ter de levantar das paredes cerca de seis mil e tal azulejos, para posterior tratamento e reassentamento. Como eles agora estão no Pinhão, a 300 Km daqui, com um trabalho que ainda vai demorar mais dois ou três meses, isto vai ter de haver aqui muita ginástica e jogo de cintura. E ainda vamos ter de arranjar uma equipa, claro… Bom, nada que não tenhamos já bastante experiência; não é a primeira vez que somos responsáveis por trabalhos grandes e também já tivemos de desmultiplicar-nos antes, com duas obras ao mesmo tempo. E com organização, a coisa vai.

QUINTA DE S. VICENTE

Na segunda-feira fui contactada por uma colega de pintura mural para ir ver um trabalho em Telheiras. Trata-se de uma capela particular, na antiga Quinta de S. Vicente, revestida a silhares de azulejos com albarradas e palmitos em azul e branco sobre rodapé duplo a manganês. Os estuques estão em muito mau estado de conservação e os azulejos foram completamente vandalizados, faltando «só» cerca de 270, uma vez que os outros estão bem aderentes à parede, sendo por isso mais difíceis de roubar. A ideia é fazermos um orçamento em conjunto, azulejo e pintura mural, para conservação e restauro de toda a capela. Pela minha parte, o grosso do trabalho será a manufactura de réplicas para colmatarem as lacunas, o qual, com o resto da intervenção, demorará cerca de dois meses e meio a fazer-se. Se o orçamento for aceite, imagino que o trabalho seja para breve. O que me dava um jeitaço!…

PALÁCIO CENTENO

Hoje fui chamada para uma intervenção SOS no Palácio Centeno, em Lisboa, actual Reitoria da Universidade Técnica. Dois dos azulejos dos silhares do átrio de entrada encontram-se praticamente sem vidrado, devido à enorme humidade das paredes, cuja presença de sais já é bastante visível e, mais tarde ou mais cedo, vai acabar por danificar o restante conjunto azulejar. Há dois anos fizemos lá uma intervenção de conservação e restauro dos azulejos, mas pelos vistos os problemas com a alvenaria mantêm-se e assim o trabalho acaba por ser um bocado inglório. A minha missão, agora, é tratar de fazer duas réplicas para substituir esses dois azulejos a tempo do lançamento de um livro no dia 14 deste mês…

TERMINADO!

Está terminado! Acabámos ontem o trabalho de conservação e restauro dos painéis de azulejos da Igreja da Lousã. Ainda houve uma pequena confusão com o padre, que nos acusou de termos enchido a igreja de pó (o que é verdade) e eu, ao contrário do que ele pensa, ainda estive para lhe dizer que estas coisas não se fazem por obra e graça do Espírito Santo, o que em muito nos facilitaria o trabalho (aliás, nesse caso, nem os azulejos estariam a cair da parede…). Mas enfim, lá me controlei e deixei o Loubet explicar-lhe tudo muito pacientemente com a sua calma habitual… No final acabou tudo em bem e ele ficou satisfeito com o trabalho. E agora, venham os €€€, que muita falta fazem!