CALÇADA MARQUÊS DE ABRANTES

Na sexta-feira passada fui ver este prédio na Calçada Marquês de Abrantes, em Lisboa. Fui contactada por uma empresa para uma sub-empreitada de conservação e restauro dos azulejos do edifício. Estive quase três dias para estruturar uma metodologia de trabalho e respectivos preços unitários e por metro quadrado, que deveria ser entregue até hoje, sem falta – o que já aconteceu.

A intervenção consistirá no levantamento de todos os azulejos interiores existentes nas chaminés das cozinhas e nos rodapés das escadas e manufactura de réplicas para posterior assentamento. Quanto às fachadas exteriores, quatro no total, teremos de verificar o estado de adesão dos azulejos nos quatro pisos e levantar os que estiverem em risco de destacamento. Depois, todo o conjunto será tratado in situ e serão também feitas as réplicas necessárias para colmatar lacunas e azulejos em muito mau estado de conservação.

Para o piso zero, que já não tem azulejos em duas das fachadas e as outras duas mantêm apenas poucos originais, está contemplado o revestimento com réplicas que lhe devolva a sua integridade original. Estamos a falar de quase cerca de oitenta metros quadrados, coisa pouca, portanto…

ASSIM, AINDA NÃO TINHA VISTO.

Bem sei que azulejos são azulejos e eu, mais do que muitas pessoas, deveria pensar assim. A questão é que, depois de já ter trabalhado em conservação e restauro de painéis de enxaquetados, de conjuntos azulejares relevados e de inúmeros exemplares dos séc. XVII e XVIII, não consigo deixar de sentir um certo preconceito em relação a este painel de 1982 no qual agora estamos intervir. Os azulejos são do piorzinho que já vi; do mais industrial possível, que nem chegam a ter meio centímetro de espessura, ( como eu adoro sentir o peso dos azulejos de aresta-viva!). Para ainda abrilhantar mais o ramalhete, foram  todos assentes com cimento cola, porque assim «isto nunca mais sai daqui!» O pior é que sai mesmo e, cereja em cima do bolo, não fizeram espaçamento de juntas, estando assim uns quantos desgraçados já fracturados na parede e em alta compressão com risco de queda iminente! Mais uma vez, cá está a brigada do restauro para tentar remediar as asneiras dos outros! Estava tão contente a fazer os meus relógios solares…