TRAVESSA DO TERREIRO A STA. CATARINA

  

  

Terminei a obra de restauro dos azulejos da fachada do nº 11 da Travessa do Terreiro a Sta. Catarina. A intervenção consistiu essencialmente na manufactura de cerca de 200 réplicas de azulejos, entre frisos e padronagem, que colmatassem a grande lacuna existente e que também substituíssem alguns azulejos que ali estavam e que não pertenciam àquele conjunto. Havia ainda – e continua a haver – algumas réplicas provenientes de uma outra intervenção anterior, que o dono da obra quis manter e ainda bem, porque estavam todas assentes em cimento, como já se estava mesmo à espera.

O resto da intervenção seguiu os procedimentos habituais: limpeza profunda, consolidações de falhas de vidrado, preenchimentos e integração cromática. Apesar da pouca segurança do andaime que me arranjaram e do escadote para acabamentos finais, acho que ainda assim ficou bem melhor do que estava. E espero que assim se aguente por uns bons anos.

FACHADA

Alvorada às seis e meia da manhã.

Ontem estive todo o dia com os ladrilhadores a assentar as réplicas que fiz para a fachada do nº 11 em Sta. Catarina. Às oito horas já lá estávamos os três e ainda bem, o trabalho foi bastante moroso e delicado – o prédio é muito antigo, nenhuma parede ou cantaria está de nível e havia muitos cortes a fazer nos azulejos, o que, sem a minha coordenação teria corrido mal. O Sr. Pedro já bufava por todos os lados e por mais que virasse cada azulejo que queria assentar, não havia meio de perceber onde é que tinha de fazer o corte e às vezes quase que nem eu. Entretanto os velhotes de cima não paravam de reclamar que tinham o tecto lá de casa numa miséria e que isso «eles» não querem saber; da janela da frente vinha um som irritante de tiroteio de um desses jogos modernos que agora para aí há; a carrinha tinha de ser constantemente chegada para a frente ou para trás, para poderem passar as da distribuição do gás e dos refrigerantes e o pó que nós fazíamos alastrava pela roupa estendida nos estendais lá da rua.

Mas conseguimos – às cinco e meia da tarde o Sr. Pedro deu o seu trabalho por concluído e eu ainda lá fiquei mais uma horita a limpar a fachada e a varrer a rua da sujidade que nós fizemos – e a outra que já lá estava no chão. Quando saí, fui beber uma mini ao café da esquina.

ESTUFA FRIA

Está terminada a intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados existentes no pórtico de entrada da Estufa Fria, em Lisboa. Apesar da satisfação de mais um trabalho terminado, é com alguma pena que se deixa um lugar assim – tão agradável, tão tranquilo e com um cheiro tão bom. Obrigada às minhas colegas Margarida e Sofia, que se empenharam mais uma vez e ajudaram a entregar o trabalho dentro do prazo; sem elas eu não teria conseguido.

No seguimento da nossa intervenção, entra a equipa de conservação e restauro de pedra e depois, se tudo correr bem, é esperar que a Estufa Fria reabra finalmente ao público, agora que as obras de reestruturação da cobertura, que se encontrava em risco de colapso, parecem estar também numa fase bastante avançada.

E quando abrir, aconselho vivamente toda a gente a ir lá fazer uma visitinha.

NIVELAR E RECTIFICAR

Está praticamente terminada a tarefa mais morosa da intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados do pórtico de entrada na Estufa fria, em Lisboa; faltam apenas nivelar e rectificar um ou dois preenchimentos. Ainda hoje está previsto o início da integração cromática, que em princípio vai ser rápida – assim se encontrem os tons pretendidos; mas, uma vez que se trata de restauro a frio, não me parece que seja muito complicado.

TIJOLOS VIDRADOS

Foi-me adjudicada a proposta de intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados existentes no pórtico de entrada da Estufa Fria – um projecto do Keil do Amaral. Como sempre, tratou-se de mais um orçamento feito há algum tempo, que caiu no esquecimento (no meu, pelo menos), sem resposta nem acuso de recepção. Até agora; que, de repente, a urgência é ter o trabalho terminado ontem. Começamos na próxima quinta-feira.

ABÓBADA NÚBIA

Neste fim-de-semana que passou – sábado e domingo – participei no módulo prático «Adobo, arcos e abóbadas» da Oficina da Primavera, promovido pela Associação Centro da Terra. Como objectivo (atingido!) tinha-se a construção de uma abóbada núbia, técnica arquitectónica ancestral, proveniente do alto Nilo. Aprendi a fazer adobos e a amassar a argamassa de terra com os pés. E que 80% dos solos são bons para construir com a própria terra. E também o que é um arco de catenária e expressões como «arquitectura monolítica» e «arquitectura de compressão». E no fim pude confirmar uma das vantagens da construção em terra crua: apesar do caloraço que se fazia sentir, lá dentro estava muito mais fresco – sem ar condicionado, nem qualquer consumo de energia.

Mais fotografias em Tardoz, no facebook.

OFICINA DA PRIMAVERA

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