Depois de um percalço com a fornada no forno grande, consegui finalmente abrir hoje o forno pequeno para ver como correram as experiências de vidrado. Não há nenhuma que eu possa aproveitar à partida, mas fiquei satisfeita; aproveitei quatro ou cinco como base para novas experiências e agora é só saber interpretar resultados; estará o vidro fino, ou ferveu com tanta temperatura? Será que o forno arrefeceu muito bruscamente antes dos 800ºC? Juntando óxido de zinco fica mais branco, não?… Ou precisará de mais fundente? Mas afinal onde é que aqui entra o bórax? E com a curva de cozedura, como é que é? E o raio da balança, que não consegue pesar só três gramas!… Já me rodeei de leitura para trabalho de casa; mas quanto mais leio, mais me interrogo. E pronto. Boa sorte para mim.
Etiqueta: Experiências de cor
PLACAS DE EXPERIÊNCIAS
É sempre assim: há temporadas que ando para aqui a pensar o que é que hei-de fazer e os dias vão-se passando até que eu finalmente consigo encarrilar com algum processo produtivo. Quando isto acontece e eu meto a mão na massa, aparecem sempre inúmeras coisas para tratar, que me interrompem o trabalho e parece que não tenho tempo para nada. Retomei a minha produção cerâmica e quero fazer umas experiências com vidrados de alta temperatura, que nunca experimentei. Desta vez, para variar, fiz uma série de placas de experiências, com o barro refractário que costumo usar, para fazer receitas de vidrados. Normalmente experimento coisas novas logo com peças modeladas, sempre a pensar que se não correrem bem, «não há problema, é só uma experiência…», mas a verdade é que se correrem mal, fico sempre um pouco desapontada, pois uma peça cria sempre mais alguma expectativa do que uma mera placa de experiência. Para além de que poupo tempo. E material.
ENTREGUES!
Estão entregues! Não são iguaizinhos aos originais, mas é o que diz a Inês, a minha colega que mos encomendou: são réplicas! Eu ainda ponderei repeti-los novamente, para tentar aproximar ainda mais as cores, mas pelo sim, pelo não, resolvi mostrá-los primeiro a ela, para ter uma segunda opinião e foi o melhor que fiz, pois ela achou que passavam muito bem; uma coisa é vê-los assim lado a lado, outra coisa é vê-los integrados no conjunto, o que é bem diferente e eu sei disso por experiência própria. Ainda por cima, chacotas desta espessura tão fina e com 14X14 cm não se encontram à venda nas lojas habituais, tive de ser eu a rectificar uma a uma, o que ainda me deu um certo trabalho, pois algumas partiram-se mal lhes meti o disco. Enfim, não fiquei totalmente convencida com os resultados, mas dou este assunto por encerrado; albarda-se o burro à vontade do dono…
AZULEJOS – 1, EU – 0
Fiz estas primeiras experiências de cores para as réplicas destes azulejos de uma casa-de-banho que uma colega me encomendou; tirei-as agora mesmo do forno e já deu para ver que não resultaram: os tons estão demasiado fortes em relação aos originais. Vou ter de repetir. Nesta questão do acerto de cores gosto sempre de pintar azulejos inteiros; apesar de dar mais trabalho, consigo sempre ter uma noção diferente do que se pintar apenas placas de experiências com pequenas amostras de côr. Enfim, o primeiro resultado foi este e, apesar de haver margem quanto às tonalidades, não está bem…
PARA VARIAR!
E agora, algo completamente diferente… para variar do azul e branco. Aproveitando a fornada que vou fazer dos azulejos de Tavira, cozo também umas experiências de cor para estas réplicas que uma colega me pediu para fazer. Ao que parece, são uns azulejos feitos especificamente pela Cerâmica Constância para uma casa-de-banho (há gostos para tudo, é o que vale!); não sei bem o que é que lhes aconteceu, mas estão todos fracturados e mal colados com uma cola de pedra, tudo desnivelado. Ela não os consegue descolar e achou melhor fazerem-se réplicas, até porque os preenchimentos a frio numa casa-de-banho, com humidade e limpezas regulares não haviam de durar muito… Pelos vistos, tenho alguma margem de diferenças de tons, o cliente já está avisado. Olarila!
EXPERIÊNCIAS DE CÔR
Fiz algumas experiências de côr para pintar as réplicas da Igreja da Misericórdia em Tavira. O azul escuro, não sei bem porquê, ultimamente não fica tão escuro como eu quero, agora acrescentei-lhe um pouco de óxido da cobalto e vou baixar um pouco a temperatura de cozedura. E depois, há sempre a questão do vidrado branco, que, sendo sempre branco, pode ser também rosado, azulado ou acinzentado… É uma questão de fazer várias experiências de uma vez só, para rentabilizar as fornadas e a partir daí, por comparação, ir aperfeiçoando os tons. Enfim, um processo moroso, que tem de ser sempre feito. De qualquer modo, acho que já posso arriscar em pintar a maior parte dos azulejos para este painel; tirando os marmoreados, penso que todos os outros já se irão integrar bem no conjunto.
RÉPLICAS PARA A IN SITU
Fui contactada pela In Situ para fazer as réplicas dos azulejos dos painéis da Igreja da Misericórdia, em Tavira, no seguimento de outras que eu já lhes tinha feito há mais de um ano. São uma série de painéis e este é o número 1. Para já, tenho de fazer os desenhos que faltam e experiências de cor. Só para este painel, são cerca de 26 réplicas…
Novidade: meti algumas das minhas peças à venda numa loja na Rua de Belém, a Original, mesmo ao lado dos Pastéis. À consignação, claro… Os preços ficam mais caros do que eu venderia numa feira, mas a verdade é que eu assim não tenho nenhum encargo com a coisa e aqui na oficina, paradas, é que não rendem nada. De modo que estou contente e a ver vamos.
BARRO VERDE
Vou começar a fazer cerca de 150 chacotas manuais para um trabalho de restauro dos azulejos da Igreja da Ota. O trabalho começou quase há um ano e entretanto ficou parado, já há uma série de meses, para obras na nave central e também na cobertura da igreja. Comprei estes pacotes de terracota ainda antes do verão, para começar a fazer as chacotas, mas entretanto comecei a entusiasmar-me com as minhas peças e com as feiras e nunca mais peguei nisto. Não há ainda nenhuma previsão para recomeçar os trabalhos de assentamento dos azulejos que tirámos da parede, mas é melhor eu começar a tratar de fazer as réplicas o quanto antes, para poderem secar à vontade e eu ter tempo para fazer experiências de cor com calma. Se tudo correr como é habitual, o padre há-de telefonar de repente e diz-nos para ir logo no dia seguinte… e depois é o stress do costume. O barro já está a ficar verde e, se não me ponho a pau, eu também.
OH NÃO!
Partiram-se no forno todos os azulejos que eu pintei! Dois dias de trabalho pró maneta! Eram uma encomenda de réplicas para um trabalho de restauro de uma colega. As chacotas que me foram fornecidas eram de má qualidade e não aguentaram a temperatura. De uma caixa de 35 aproveitaram-se 5! Das quais 3 eram experiências de cor… Nada mau!








