Fui contactada para fazer o restauro deste pequeno painel toponímico em azulejos, pertencente a uma casa particular em Cascais. É lindo! Foi-me entregue neste estado de conservação; nem está assim tão mau, tendo em conta que não faço ideia de quem é que o terá levantado e uma vez que as argamassas dos tardozes são de média dureza – muito provavelmente já se encontrava em destacamento da parede. Para além de três ou quatro azulejos fracturados, uma pequena lacuna, meia dúzia de falhas de vidrado e algumas fissuras para consolidar, o painel não apresenta mais patologias. Nada que não se vá fazendo em paralelo com as experiências de cor para o nº 11 de Sta. Catarina e o relatório da intervenção no Museu Militar.
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AZULEJO POMBALINO
Isto é um azulejo pombalino, de rodapé, marmoreado a azul e branco. Encontrámos uma série deles iguais a este in-extremis, pouco antes de todo o 5º piso lá do 88 ser totalmente destruído. Como estavam numa fiada única de rodapé, pintados com tinta castanha, passaram despercebidos na inventariação de todo o conjunto azulejar do edifício e por pouco também nos passavam a nós. Há duas semanas que o 5º andar estava dado por terminado, todos os painéis existentes tinham já sido levantados das paredes e foi o engenheiro da obra, completamente por acaso, que percebeu que os rodapés de madeira de duas ou três divisões lá de cima eram, afinal, azulejos. A camada de tinta era de tal modo que nem as superfícies de junta se percebiam. Bom, o caso é que nos dão jeito; vêm colmatar algumas lacunas dos rodapés de outros painéis e também substituir uma data deles que se encontram com fracturas múltiplas e pequenas lacunas volumétricas de corpo cerâmico. Agora a questão é remover esta tinta, uma parte sai com a espátula e bisturi, mas o resto… não vamos conseguir escapar ao decapante.

