MOTIVOS RELEVADOS

Acabei de gravar o molde para as réplicas dos frisos de azulejos Arte Nova que tenho de fazer – ainda não tirei nenhuma prova para rectificar o que for preciso (já se vai notando a humidade aqui na oficina e a placa de gesso, que fiz na sexta-feira, ainda não está bem seca). Tive alguma dificuldade a fazer os motivos relevados: o vidrado do azulejo original que aqui tenho a servir de modelo, apesar de transparente, é tão espesso que acaba por cobri-los e custa-me a ver o que é que está ali representado. Mas parece-me que é isto.

FRISO

          

Fui ontem buscar o outro azulejo Arte Nova – um friso – que ainda tenho de fazer para colmatar as lacunas existentes na parede do hall de entrada do nº 61. Será com certeza também proveniente da Fábrica de Loiça de Sacavém, mas depois de uma breve pesquisa, ainda não consegui encontrar nenhuma referência à sua existência – tenho de procurar mais.

Vou começar o processo todo de novo: retirar o desenho (o que não é fácil, uma vez que está pouco visível); moldar o relevo em gesso; tirar uma primeira prova e aperfeiçoar o que for preciso e, finalmente, tirar o número de réplicas pretendidas – neste caso, apenas três. Ah!, para não falar nas experiências de cor do vidrado. Começo a duvidar se me compensa este trabalho todo; mas pronto, gosto de o fazer e sempre fico com um molde já feito para o que der e vier.

1ª PROVA

Acabei de tirar a primeira prova do molde que tenho estado a fazer para as réplicas de azulejos Arte Nova. O objectivo é perceber o que é que tem de ser aperfeiçoado – verificar relevos e aprofundá-los, se necessário  (o contrário já não é possível; quer dizer, é, mas não vai ser agora a altura de falar nisso), corrigir espessuras de linhas e alisar superfícies. Que é o que vou fazer agora e depois dou esta fase por terminada.

GRAVAR

Comecei hoje a fazer o molde em gesso para a manufactura de réplicas dos azulejos Arte Nova que me encomendaram (e já percebi o quão ingénua fui com os preços que pedi; mas enfim, está-se sempre a aprender…).  Estive indecisa se havia de gravar directamente os baixos-relevos no gesso – o que gosto de fazer – ou se modelar primeiro uma réplica em barro vermelho e depois tirar o molde do mesmo – o que também gosto de fazer. Decidi-me pela primeira hipótese, mas rapidamente desisti: o trabalho é moroso e delicado, a vista já vai faltando, raciocinar constantemente em negativo é difícil e o risco de me enganar ou partir alguma aresta é elevado – o que é chato, principalmente se já estivermos quase com o molde concluído. Resolvi então passar ao plano B – fazer um protótipo em barro: gosto de modelar e apesar de moroso, sempre se controla melhor o processo de manufactura. Foi nesta altura que me deparei com um problema que temos (tenho) aqui na oficina e que continua a alastrar: não se faz (não faço) a manutenção do barro quando este não anda a ser preciso e depois deparamo-nos (deparo-me) com uns pedregulhos duros de argila branca, vermelha e outras tipologias que estão ali arrumados debaixo do taipal há uns anos e que ocupam imenso espaço e que não servem absolutamente para nada enquanto ninguém (eu) se der ao trabalho de meter aquilo tudo de molho e tiver mãozinhas, pachorra e coragem (que não tenho; nenhuma das enunciadas) para amassar aquilo tudo de novo.

Comecei hoje a fazer o molde em gesso para a manufactura de réplicas dos azulejos Arte Nova que me encomendaram. E está a correr bem.

SALA DOS GESSOS

Hoje à tarde fomos visitar a Sala dos Gessos, na Antiga Fundição de Cima. Estão lá vários modelos em gesso de algumas estátuas de Lisboa e é lá, também, que está o modelo original, esculpido pelo próprio Machado de Castro e que serviu para fazer o molde da estátua equestre de D. José I, em bronze, que está na Praça do Comércio. Graças a esta visita – adorei, aquele espaço é incrível! – fiquei a saber algumas curiosidades que desconhecia: a Rua do Museu de Artilharia, por exemplo,  que sobe atrás do Museu Militar, só existe porque foi aberta para a estátua poder passar e que foram fundidas vinte e duas toneladas de bronze, as quais – salvo o erro – demoraram cerca de sete minutos e cinquenta e três segundos a serem vertidas, continuamente, para dentro do molde. E que foram precisos três dias para levar a estátua desde Alfama até à Praça do Comércio e que na descida iam quatrocentas pessoas, homens e mulheres, a agarrá-la com cordas e que essas pessoas receberam almoços nesses dias.

Fiquei a saber, também, que a Sala dos Gessos não está aberta normalmente, mas que pode ser visitada se se pedir no Museu Militar. E talvez lá volte.