ESBOÇO

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Comecei um novo projecto esta semana; desta vez uma encomenda que tive de um pequeno painel de 4×3 azulejos com uma árvore genealógica para uma família numerosa – 22 pessoas no total.

Há algum tempo que ando a pensar no que fazer, mas não me consigo decidir – ok, uma árvore, sim; mas como e de que tipo e como encaixar nela três gerações de pessoas de uma forma lógica  de modo a que o painel fique harmonioso e dentro das medidas dadas. Só há coisa de dois ou três dias, após alguns desenhos falhados, é que consegui começar a ter uma ideia mais concreta. Para já, o esboço quase final – ainda tenho de rever algumas coisas.

EMBALAGENS

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A semana passada recebi as caixas de cartão que encomendei para embalar e tentar começar a vender os azulejos avulso produzidos aqui na oficina.

Para já, para já e à espera de dias melhores – leia-se mais €€€ -, mandei fazer uma caixa de tamanho único que vai servir para quase todos os tipos de azulejos que tenho; impossível ter várias à medida de cada um, até porque eles variam bastante na dimensão e espessura e cada encomenda de caixas requer, no mínimo, a compra de 500 unidades.

Cada embalagem será executada manualmente – de acordo com  todo o trabalho feito aqui na oficina – e terá uma ficha técnica na parte de trás a explicar o seu conteúdo: tipo de azulejo, origem, dimensões, técnica de fabrico e materiais.

Estou satisfeita, espero que resulte.

PADRONAGEM AZUL E AMARELA.

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Acabei ontem de pintar as 150 réplicas de azulejos de padronagem 4×4 do séc. XVII que fiz para colmatarem as lacunas existentes no tanque grande dos jardins do Palácio de Monserrate, em Sintra – os últimos 40 cozeram esta noite e estão ainda no forno.

Para atalhar o processo de manufactura – foi-me pedida urgência na entrega, os trabalhos de restauro estão já a decorrer -, utilizei chacotas manuais de compra e depois cada azulejo foi vidrado e pintado à mão, utilizando diferentes tonalidades de vidrado branco e de pigmentos azul e amarelo. Como os originais.

VERDES E VERMELHAS

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Hoje desenfornei as réplicas dos azulejos de estampilha com estrelas verdes e vermelhas que fiz para a sala de jantar do Palácio da Pena – e, ao contrário do que receava, saíram todos bem, o que é sempre um alívio.

Estão prontas a ser entregues e é este o aspecto que vão ter na parede, entre os azulejos originais.

Sala de jantar

ESTAMPILHAS

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Tenho andado sem mãos a medir nestes últimos dias: para além das réplicas dos azulejos de padronagem do séc XVII que tenho estado a pintar para Monserrate, pediram-me também, na mesma encomenda, 60 réplicas de azulejos de estampilha para colmatar as lacunas existentes na sala de jantar do Palácio da Pena.

São mesmo engraçados estes azulejos de figura avulsa, fornecidos pela Fábrica Roseira em 1867: medem 8,5cm x 8,5cm e têm uma estrela pintada, ora verde, ora rosa – eu tenho de fazer 30 de cada. A sala de jantar do Palácio está revestida integralmente com eles, paredes e tecto e, posso estar enganada, mas quer-me bem parecer que o D. Fernando II se inspirou nos azulejos relevados seiscentistas existentes nas capelas manuelinas dos jardins do Palácio, originais do antigo convento – os quais eu também fiz umas réplicas há um ano e que na altura falei aqui. Não fazem lembrar?

OS CAVALOS A CORRER, AS MENINAS A APRENDER.

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Está pronto e entregue o painel dos cavalos que estive a fazer há cerca de duas semanas para a tal parede com um bebedouro para cavalos.

Nunca tinha pintado um painel deste género – nem gosto especialmente de fazê-lo – e depois deste terminado, aprendi algumas coisas:

  • Nunca começar a pintar um painel sem ter um projecto/maquete completamente pensado e desenhado;
  • Ampliar sempre o desenho para as proporções desejadas e picotar os estregidos com os tamanhos reais – é uma seca, mas dá jeito e faz sentido;
  • Se a dimensão do painel for maior do que a do taipal, não vale a pena tentar montá-lo lá todo de uma vez a ver se, por milagre, afinal sempre cabe (porque, claro, os pontos anteriores não foram tidos em atenção);
  • O painel não cabe no taipal, pronto; pinta-se por partes – nunca começar pelas fiadas de baixo primeiro do que as de cima, nem pelas da direita antes do que as da esquerda e muito menos pelas do meio e depois o resto que falta no fim;
  • Não improvisar/inventar/criar/pintar nada directamente nos azulejos sem que antes tenha sido bem pensado – depois dá asneira e remediar não é fácil (novamente aqueles pontos);
  • Não andar a montar e a desmontar constantemente azulejos com o vidrado crú no taipal – perde-se muito mais tempo do que se se pintasse por partes organizadas e há sempre uns pedaços de vidrado que saltam;
  • Não pensar que se demora só três ou quatro dias a fazer o painel e depois é o dobro.

No domingo entreguei-o ao cliente, que me disse “está lindo”. Agora espero pela fotografia com ele aplicado na parede, que foi para isso que o fiz.

 

SÉC. XVII

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Comecei agora a trabalhar numa nova encomenda: desta vez trata-se de cerca de 150 réplicas de azulejos de padrão 4×4 do séc. XVII  – o meu preferido  -, que irão colmatar as lacunas existentes no Tanque Grande do Parque de Monserrate, em Sintra.

AGUADAS, MÉDIOS E FORTES.

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Terminei a pintura do painel com cavalos que me ocupou estas duas últimas semanas – confesso que demorei mais tempo do que aquele que tinha previsto. Isto de pintar assim um painel de raiz, todo a azul e branco, não é nada fácil e a certa altura já estava toda baralhada com as diferentes tonalidades das aguadas, dos médios e dos fortes e já não tinha a certeza se deveria dar o assunto por encerrado, ou se, por outro lado, ainda estaria longe do final.

Na verdade ainda não tenho essa certeza. Mas agora os azulejos estão no forno e depois de amanhã já vou saber.

2/3

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Estou aproximadamente a 1/3 do fim da pintura do painel de azulejos que me encomendaram para decorar uma parede exterior com um bebedouro para cavalos.

Habituada – e formatada- como estou a fazer réplicas para obras de restauro de azulejos, confesso que este desenho livre me está a dar um pouco de água pela barba e a demorar mais tempo do que aquilo que eu previa: custa-me descolar da azulejaria tradicional portuguesa; não costumo desenhar; não sou uma pintora de painéis de azulejos; não tenho por onde me basear e não sei fazer paisagens nem cavalos, muito menos a azul e branco.

Como há sempre uma primeira vez para tudo, recorro às noções de desenho que me ficaram da escola e de um ou outro curso que fiz depois dela e ainda da leitura assídua de banda desenhada e também à teoria que o meu avô Ernesto me ensinou sobre pintura com aguarelas, que se pode assemelhar à pintura de azulejos a azul e branco – pintar sempre dos tons mais claros para os mais escuros.

E assim avanço lentamente, a pouco e pouco. Apesar de me terem dito que o painel poderia ser rústico, não me apetece que fique nenhum mamarracho.