Está terminado! Acabámos ontem o trabalho de conservação e restauro dos painéis de azulejos da Igreja da Lousã. Ainda houve uma pequena confusão com o padre, que nos acusou de termos enchido a igreja de pó (o que é verdade) e eu, ao contrário do que ele pensa, ainda estive para lhe dizer que estas coisas não se fazem por obra e graça do Espírito Santo, o que em muito nos facilitaria o trabalho (aliás, nesse caso, nem os azulejos estariam a cair da parede…). Mas enfim, lá me controlei e deixei o Loubet explicar-lhe tudo muito pacientemente com a sua calma habitual… No final acabou tudo em bem e ele ficou satisfeito com o trabalho. E agora, venham os €€€, que muita falta fazem!
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S. SILVESTRE
Só mais um dia de trabalho e acabamos a intervenção nos azulejos da igreja da Lousã. Do alto do seu trono, S. Silvestre, padroeiro da Vila, tem observado atentamente todo o processo de restauro e apesar do martírio da poeirada a que foi submetido, sem máscara nem nada, nunca se queixou e parece estar satisfeito por ver os azulejos de volta à parede. Um verdadeiro santo…
PIGMENTOS
Comecei a fazer a reintegração cromática dos preenchimentos dos azulejos da Igreja da Lousã. Estou a utilizar pigmentos aglutinados em Paraloid-B72, o que é sempre um trabalho moroso. Como os azulejos não vão ser reassentes com argamassa tradicional, podemos já ir avançando com esta tarefa, uma vez que não terão de ir para dentro de água. A ideia é despachar o trabalho o mais possível aqui na oficina, para depois, lá na Lousã, só nos termos de preocupar com os retoques finais, já com os azulejos na parede.
APEADEIRO DE MARVILA
Hoje ainda não consegui fazer nada de útil: entre começar as reintegrações cromáticas dos azulejos da Lousã, para as quais tive de preparar Paraloid, fazer o projecto de um pequeno painel de azulejos, para o qual preciso de uma ampliação das letras e repensar os meus relógios solares, os quais tenho dúvidas quanto aos gnómons, ando para aqui um pouco atarantada de um lado para o outro. E claro, ainda tenho de terminar as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da Igreja da Ota, que já estão mais do que secas e que precisam de ser escacilhadas, o que não me está a apetecer fazer agora…
Fui tomar um cafézinho ali abaixo a Marvila, para sair um pouco daqui da oficina e fazer a fotossíntese diária, aproveitando este belo dia de sol para tentar organizar a cabeça. Acho que não resultou, mas pelo menos sempre arejei um bocado. Melhor, melhor, será ir para casa… E amanhã há mais.
PREENCHIMENTOS
Estive a fazer e a acabar os preenchimentos de falhas de vidrado dos azulejos da Igreja Matriz da Lousã. Quero despachar isto o mais rápido possível e já estão todos prontos para a integração cromática. Ainda assim, dos cerca de 90 que foram levantados, só 36 é que precisaram de colagens e preenchimentos; tendo em conta que a maioria deles estava já fracturada na parede e o conjunto encontra-se assente com cimento cola, não foi mau de todo. Para a semana voltamos para a Lousã, já temos tudo combinado com o ladrilhador que os vai assentar de novo na parede e, se tudo correr bem, damos por terminada a intervenção. Confesso que estou ansiosa por voltar ao meu trabalho de cerâmica…
AZULEJOS EM RISCO DE DESTACAMENTO
Acabámos o levantamento dos azulejos em risco de destacamento do painel da Igreja da Lousã. Todos os que ficaram estão aderentes (e bem!) à parede. Nalguns casos, os azulejos estavam apenas presos pelas juntas e soltaram-se mal estas foram abertas. Noutros casos, os azulejos estavam já fracturados ao meio, estando uma metade solta e a outra completamente presa com cimento cola, o que se revelou um problema para conseguir retirá-la, mesmo abrindo as juntas, tendo em conta que a espessura dos azulejos é mínima. Depois do exemplo de uma que retirámos toda partida, decidimos arriscar colar as outras mesmo na parede; apesar das colagens poderem não ficar perfeitas, é preferível a ter de restaurar inúmeras fracturas e pequenas falhas de vidrado que, por mais faceado que esteja, acabam sempre por se perder.
ALOJAMENTO
Já perdi a noção de quantos quartos é que já estive alojada ao longo destes anos todos a trabalhar em restauro de azulejos. Genial teria sido fotografá-los um a um desde o princípio, mas passou-me e agora já não faz sentido. Entre casas alugadas, pensões modestas, outras melhorzinhas, casas de conhecidos e um ou outro hotel, já dormi por várias terras de norte a sul do país e até no Brasil. Em Matosinhos fiquei dois meses alojada num quarto minúsculo, onde quase só cabia uma cama de solteiro; em Sto. Tirso, na saudosa Pensão Caroço, estive várias vezes num quarto em que se entrava directamente pela casa-de-banho e em Paço de Sousa fiquei a dormir na Aldeia da Casa do Gaiato, num quarto lindo cujas janelas de guilhotina abriam directamente para o campo e por onde se fazia sentir o aroma da terra trabalhada.
Desta vez fiquei numa residencial na Lousã, simpática; num quarto simpático no segundo andar. Não fosse a vista para as traseiras e nunca veria deste ângulo a igreja onde estamos a trabalhar… De tardoz para tardoz.
VIVENDAS E JARDINS!
Estou a fazer um segundo Relógio de Sol, este mais pequeno do que o primeiro. É um mostrador simples, que depois poderei completar com elementos variados, carimbos e relevos. A minha ideia, para já, é ainda fazer mais um, talvez mais clássico e ficar com um conjunto de três para ir tentar vender nalguns hortos. Sintra será um bom local e Sesimbra também. E claro, Lisboa. E Cascais, lembrei-me agora. Têm de ser lugares numa zona de vivendas com jardim e quanto maiores as vivendas e os jardins, melhor. Estou satisfeita com o meu trabalho, há quatro meses que não páro de produzir e continuo cheia de força e ideias.
Amanhã vamos para a Lousã, eu e o Loubet, começar o trabalho de restauro dos azulejos da Igreja Matriz. Vou ter de interromper a cerâmica por agora, mas preciso urgentemente que me entrem uns €€€ na conta. Lá se vai a criatividade por uns tempos, mas segundo me conheço, vou estar sempre a pensar nisto. E vendo bem, talvez até seja bom criar um certo afastamento daqui da oficina.
CALOS NAS MÃOS
Comecei a fazer as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da igreja da Ota. Ufa! Já há algum tempo que não amassava barro e estou a suar em bica, apesar de nem estar assim tanto calor! Este processo é do mais artesanal que existe, o que tem a sua piada e confere aos azulejos um aspecto mais semelhante aos originais; no entanto, a idade já não o vai permitindo! Tenho de ganhar algum dinheirinho e ver se invisto numa fieira e, já agora, numa máquina de fazer lastras (como é que vão caber aqui na oficina é que não sei, mas depois se verá). Os meus calinhos de estimação, que estavam tão quietinhos, é que já se começam a manifestar da pressão que eu faço no rolo da massa. E ainda só vou nas 30 chacotas…
IGREJA MATRIZ DA LOUSÃ
Hoje fui à Lousã, à Igreja Matriz, para ver dois painéis de azulejos que precisam de restauro. Quem nos contactou foi a Universidade Católica do Porto, o orçamento será deles, mas em princípio seremos nós a fazer o trabalho.
Os painéis têm 2,4m X 3m cada um e foram executados pela Fábrica Aleluia em 1982; recentes, portanto. No entanto, um deles apresenta já bolsas de ar entre a superfície de suporte e os azulejos, estando por isso alguns em risco de destacamento.
Não sei quando começaremos o trabalho, idealmente seria agora, mas provavelmente só em Setembro… Bom, depois penso nisso, agora estou muito cansada depois de ter conduzido 400km quase de uma assentada só…

















