Iniciámos hoje a quarta semana de trabalho lá no 88. Estamos na recta final de levantamento de painéis da parede, embora para além disso ainda haja muito restauro para fazer. Aqui há uns dias comecei a tentar tirar os azulejos que restam no primeiro lance de escadas lá do prédio e nessa altura percebi porque é que não foram todos roubados – as argamassas de assentamento estão demasiado duras, o que até já era previsível pela quantidade de metades de azulejo deixadas na parede. A coisa não foi fácil; a posição não ajudava e em cada três azulejos lá se partia um, o que não sendo mau de todo, já me estava a irritar. Resolvi deixar essa tarefa para o colega Ivo, que tem muito mais paciência do que eu e menos dez aninhos de idade.
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5º PISO
Já despachei o levantamento de todos os azulejos do 5º piso e também de dois painéis do 4º. Estou com problemas com as fiadas de rodapé, os azulejos estão metidos quase dois centímetros para dentro do soalho e muitos deles encontram-se já fracturados ainda na parede, devido à dilatação da madeira, que está mesmo encostada às superfícies vidradas, o que torna a remoção dos azulejos bastante mais complicada e morosa. O empreiteiro prometeu-me que lá iria alguém com uma rectificadora cortar um pouco do soalho, de modo a aliviar a superfície do rodapé, mas há dois dias que espero e nada. Hoje tive a bela surpresa de encontrar alguns azulejos colocados com cimento – já estava a estranhar! – mas parece-me que estão só limitados àquela zona e pertencem a dois painéis que não irão voltar para a parede, o que é bom. No entanto, vou passar para a frente e deixá-los para o Loubet e para o Ivo… Eheheh! Eles gostam!
Nº 88
Após mais de dois anos de espera depois da entrega de um orçamento complexo, pelo qual nem sequer recebi acuso recepção, obrigado; fui há pouco tempo contactada por uma empresa que vai pegar em toda a obra de remodelação de um prédio na Baixa Pombalina. Todo o orçamento relativo a trabalhos de conservação e restauro dos azulejos existentes em quatro pisos tem de ser revisto para se começar a obra em breve. Se o nosso orçamento for adjudicado, supostamente eu, o Loubet e o Ivo, o núcleo duro aqui da oficina, vai ter de levantar das paredes cerca de seis mil e tal azulejos, para posterior tratamento e reassentamento. Como eles agora estão no Pinhão, a 300 Km daqui, com um trabalho que ainda vai demorar mais dois ou três meses, isto vai ter de haver aqui muita ginástica e jogo de cintura. E ainda vamos ter de arranjar uma equipa, claro… Bom, nada que não tenhamos já bastante experiência; não é a primeira vez que somos responsáveis por trabalhos grandes e também já tivemos de desmultiplicar-nos antes, com duas obras ao mesmo tempo. E com organização, a coisa vai.


